
O espetáculo continua, caros amigos do Conservadores Online. E desta vez o palco é o da “democracia em frangalhos”, estrelando os ministros do STF como juízes, legisladores, carcereiros e, por que não, presidentes da República. A coadjuvante da vez? Nada menos que Carla Zambelli, aquela deputada que ousou desafiar o Olimpo de toga e, claro, está agora prestes a ser arremessada da vida pública — porque, vocês sabem, desafiar o sistema é crime de lesa-monarquia.
A matéria publicada pelo trio de ouro do Estadão, Pepita Ortega, Victor Ohana e Naomi Matsui, mais parece uma nota de rodapé da assessoria de imprensa do STF. Sim, meus caros, os jornalistas agora se especializaram em ecoar os decretos dos iluminados de Brasília com a reverência de um seminarista lendo encíclica papal. Mas deixemos isso para depois. Vamos ao ponto alto da tragicomédia: Hugo Motta, esse bastião da independência dos Poderes, que mal assumiu a presidência da Câmara e já está em posição fetal diante da Suprema Corte.
“Não cabe mais ao presidente”, disse Motta, em tom quase emocionado, referindo-se à determinação do STF para cassar o mandato de Zambelli. Ah, a nova liturgia do cargo: o presidente da Câmara agora é apenas um estagiário do Supremo, incumbido de “seguir o rito regimental”, como quem segue o manual de instruções de uma cafeteira.
E nem vamos perder tempo fingindo surpresa. Afinal, a inversão de papéis já se tornou rotina. O Supremo decide, a Câmara executa. A Constituição? Essa velha senhora só serve hoje para decoração em bibliotecas e para ser lida em cerimônias de posse. Já os deputados federais — eleitos por milhões — estão sendo sistematicamente transformados em serviçais da nova aristocracia de toga.
O caso de Zambelli, segundo Motta, “não tem precedente”. Ora, como assim, Hugo? E a cassação-relâmpago de Deltan Dallagnol? E os 513 espantalhos que, ano após ano, assinam o que o STF manda sem pestanejar? O precedente não só existe, como virou política de Estado. O “caso Zambelli” só é atípico na ousadia com que a deputada decidiu fugir para outro país — o que, sejamos justos, talvez tenha sido a decisão mais racional de alguém que percebeu que a Justiça no Brasil já virou um circo onde o palhaço é quem acredita em isenção.
Mas claro, Motta nos explica com toda a pompa: “Ela tinha a cidadania da Itália, que lhe dava a oportunidade de não cumprir uma possível pena.” Traduzindo: a parlamentar percebeu que estava prestes a ser emparedada pelo tribunal da inquisição contemporânea e tentou salvar a própria pele. Crime gravíssimo, sem dúvida, especialmente num país onde fugitivos da justiça geralmente viram ministros.
E então vem o gran finale da pantomima. O presidente da Câmara, em sua generosidade infinita, concede uma licença médica à deputada, para logo depois, com a maior cara de pau, anunciar que vai cumprir com zelo e disciplina a ordem de decapitação política. Ora, se a intenção era seguir “o rito regimental”, por que a licença? Para mostrar compaixão? Para criar uma aparência de legalidade? Ou, quem sabe, para evitar o vexame de votar abertamente contra o STF e correr o risco de, vejam só, desagradar Alexandre de Moraes?
Sim, caros leitores, o medo domina Brasília. Não é medo da Justiça, não. É medo de desagradar a elite que realmente governa o país — os onze oráculos do Supremo, que hoje escolhem quem pode e quem não pode respirar em praça pública. Enquanto isso, os jornalistas fazem questão de naturalizar o escárnio, como se não houvesse nada de errado em um parlamentar ser condenado a 10 anos de prisão sem sequer passar pelo julgamento de seus pares no Congresso, como manda a Constituição.
Ah, a Constituição! Aquela peça literária que os ministros do STF citam quando convém e ignoram quando atrapalha seus planos iluministas. No caso de Zambelli, os crimes atribuídos são falsidade ideológica e invasão de sistema de informática. E, claro, por mais que se debata a gravidade ou não dessas acusações, o fato mais gritante é que o processo foi julgado, condenado e transitado em julgado dentro de um ambiente político contaminado, sem direito a um julgamento no plenário da Câmara. Quer dizer, você elege um deputado, mas quem decide se ele fica ou sai é o ministro da toga preta.
E a imprensa? Ah, a imprensa! O trio do Estadão nos presenteia com uma narrativa afinadíssima com a orquestra institucional. Nada de questionar a anomalia jurídica. Nada de apontar a supressão do devido processo parlamentar. Apenas reproduzir, sem uma mísera interrogação, cada fala, cada decisão, cada citação oficial, como se estivessem noticiando a previsão do tempo.
Mas esperem: a democracia não é feita de freios e contrapesos? Não era essa a República que se gabava da independência entre os Poderes? Pois bem, essa independência agora é como acreditar em coelhinho da Páscoa — um conto para adormecer adultos desesperados. A realidade é mais dura: o Legislativo está de joelhos. E quem não ajoelha, é sumariamente eliminado.
O que está em jogo aqui não é só o mandato de Carla Zambelli. É a liberdade de cada brasileiro que ousa desafiar o regime da moral única, imposta por um punhado de senhores supremos que decidiram que ser conservador é, por definição, um crime de opinião. Zambelli é só o começo. Hoje ela, amanhã qualquer um que se oponha ao estado de coisas.
E enquanto os leitores do Estadão aplaudem a decapitação política como se fosse justiça em ação, os conservadores de verdade enxergam com nitidez: vivemos uma ditadura camuflada de legalismo, onde cada novo caso “atípico” serve de ensaio para institucionalizar a perseguição aos que não rezam a cartilha progressista.
Portanto, senhores, deixem-se de ilusões. Não há mais espaço para neutralidade. A guerra é cultural, política e espiritual. Ou resistimos agora, ou nos calamos para sempre. O caso Zambelli é apenas o trailer do filme que querem que todos nós assistamos: o filme em que a liberdade perde o papel principal.
Mas fiquem tranquilos. Pepita, Victor e Naomi continuarão relatando cada cena com zelo e reverência, como verdadeiros escribas do novo regime.
A diferença é que nós, do Conservadores Online, não assistiremos calados.
Estamos de pé. E lutando.
Com informações Estadão
















