
O assassinato brutal do ex-delegado-geral de São Paulo, Ruy Ferraz Fontes, expôs mais uma vez o poder e a ousadia do crime organizado no Brasil, mas também revelou a firmeza e a coragem de quem não se curva às pressões políticas nem à dependência de um governo federal que tem se mostrado vacilante no combate às facções criminosas. O secretário da Segurança Pública de São Paulo, Guilherme Derrite, deputado eleito pelo PL e reconhecido por sua trajetória militar, deixou claro que a polícia paulista tem capacidade plena de investigar, prender e punir os responsáveis pela execução de um dos nomes mais marcantes na luta contra o PCC. Derrite agradeceu, mas recusou o oferecimento de ajuda do Ministério da Justiça, comandado por Ricardo Lewandowski, gesto que, na prática, simboliza não apenas confiança na força policial estadual, mas também um recado claro contra a ingerência de Brasília em assuntos que exigem autonomia e responsabilidade.
Em meio à comoção do velório, diante de colegas de corporação, autoridades e familiares, Derrite demonstrou convicção inabalável. Reafirmou que os departamentos mais estratégicos da Polícia Civil já estavam mobilizados desde as primeiras horas após o crime e que, em pouco tempo, um dos suspeitos já havia sido identificado e qualificado. Essa resposta rápida e precisa contrastou com a postura do governo federal, que, em mais de uma ocasião, evitou chamar pelo nome o verdadeiro inimigo: as facções que controlam territórios, ditam regras e ameaçam a segurança nacional. Não por acaso, os Estados Unidos chegaram a pedir que o Brasil classificasse o PCC e o Comando Vermelho como organizações terroristas, mas o governo Lula rejeitou o pedido, revelando uma estranha complacência diante de estruturas criminosas que há décadas desafiam o Estado.
Ao recusar a “ajuda” de Lewandowski, Derrite não desprezou a cooperação institucional, mas fez questão de ressaltar que a liderança da investigação deve permanecer com as autoridades paulistas. Ele destacou que qualquer informação que a Polícia Federal possua será bem-vinda, mas que a condução será exclusiva da Polícia Civil de São Paulo, cuja expertise e compromisso histórico no enfrentamento ao crime organizado dispensam tutelas políticas. Essa declaração firme expõe uma diferença gritante entre quem encara a segurança pública como missão de vida e quem a trata como moeda de discurso ideológico.
É inevitável a comparação entre a eficiência paulista e a hesitação federal. Enquanto São Paulo age com rapidez, o Planalto prefere discursos vagos sobre coordenação internacional, ignorando que facções como o PCC já se articulam com o narcotráfico transnacional, expandindo influência para países vizinhos. O governo Lula, ao mesmo tempo em que se recusa a adotar medidas mais duras contra esses grupos, tenta apresentar solidariedade institucional em momentos de tragédia, mas não convence. A lembrança recente da negativa em classificar o PCC como organização terrorista ecoa como um sinal de fraqueza política e conivência implícita, minando a confiança da população.
A morte de Ruy Ferraz, alvo de uma emboscada covarde, trouxe à tona a coragem de um delegado que passou mais de 40 anos combatendo o crime organizado, inclusive prendendo Marcola, o maior símbolo da facção. Sua execução é também um recado das facções: desafiam o Estado, testam seus limites e mostram que a impunidade alimenta sua ousadia. É nesse cenário que a postura de Derrite se torna ainda mais emblemática. Não aceitar a ingerência de um governo federal desacreditado é uma demonstração de soberania estadual e respeito pela memória de quem deu a vida na luta contra o crime.
Enquanto o país observa atônito a audácia dos criminosos, São Paulo responde com firmeza e liderança, honrando a tradição de uma polícia que já enfrentou ondas de ataques coordenados, rebeliões em massa e a infiltração do crime nas cadeias. Derrite simboliza, neste momento, a resistência que o povo espera ver de suas autoridades: clareza, objetividade, coragem e, sobretudo, independência. O Brasil precisa de mais líderes dispostos a rejeitar a cooperação de fachada oferecida por um governo que não chama terrorista de terrorista, mas insiste em posar como parceiro contra o crime organizado.
Parabenizar Derrite, portanto, é reconhecer não apenas sua firmeza pessoal, mas a defesa de um princípio maior: a segurança pública não pode ser refém de disputas ideológicas nem de acordos políticos mal explicados. Ao escolher confiar em sua polícia, em seus investigadores e na força do Estado de São Paulo, ele honra a memória de Ruy Ferraz e envia um recado direto às facções: aqui não haverá recuo, não haverá espaço para intimidação.
Esse episódio, relatado pelos jornalistas Bervelin Albuquerque e Rodrigo Rodrigues, do g1 SP, evidencia que, enquanto uns discursam, outros agem. Derrite não se deixou seduzir pela vitrine de Brasília e reafirmou que São Paulo tem, sim, condições de responder com firmeza ao ataque. E é justamente essa coragem, peculiar em tempos de complacência, que precisa ser celebrada e seguida como exemplo.
Com informações G1-São Paulo
















