
Donald Trump mais uma vez surpreende, e a extrema-esquerda brasileira sequer percebeu a jogada. Enquanto setores progressistas vibram nas redes sociais, debochando de Eduardo Bolsonaro e minimizando sua influência em Washington, a realidade é que foram usados como massa de manobra. O recente encontro de Joesley Batista com Trump, revelado pela Folha de São Paulo, é muito mais do que aparenta. O empresário que escancarou as entranhas da corrupção nos governos petistas e expôs até mesmo o Supremo Tribunal Federal foi recebido pelo presidente americano semanas antes do suposto aceno público de Trump a Lula. Mas em vez de simbolizar proximidade entre ambos, esse encontro pode ser entendido como um cavalo de Troia que ameaça desmontar a narrativa da extrema-esquerda.
Os Estados Unidos há anos acompanham com atenção o poder crescente da JBS no mercado de carnes. Trump, em seu mandato, já havia imposto tarifas pesadas ao Brasil, justamente diante de suspeitas de cartel, manipulação de preços e lobby bilionário no Congresso americano. A preocupação é legítima: a JBS controla grande parte da cadeia de carnes nos EUA, sufocando o mercado local e prejudicando produtores independentes. Isso já resultou em processos, investigações antitruste e acordos milionários na Justiça americana. Ao se sentar com Trump, Joesley, talvez imaginando representar um trunfo político para Lula, pode na verdade ter entregue nas mãos de Trump o conjunto de informações que Washington mais deseja explorar.
A extrema-esquerda, celebrando precipitadamente a reunião, insiste em afirmar que o dinheiro abre todas as portas e que “money talks”. Porém, ignora o básico: Trump não se move por ingenuidade. Ele sorri, cumprimenta, escuta, mas usa cada detalhe a seu favor. O que hoje parece sinal de prestígio para Lula e seus aliados, pode se revelar amanhã uma arma devastadora. Foi assim em outros episódios recentes, em que Trump expôs líderes que acreditaram em uma suposta aproximação amistosa, mas acabaram confrontados com seus próprios escândalos.
A ingenuidade da extrema-esquerda é ainda mais evidente quando se recorda o histórico de Joesley. Suas delações não apenas envolveram figuras centrais do PT, como também revelaram esquemas milionários de financiamento ilícito que atravessaram governos e partidos. Em uma de suas declarações, chegou a admitir repasses de dezenas de milhões de dólares a Lula e Dilma, dinheiro que teria abastecido campanhas políticas. É esse personagem que agora entra em cena em Washington, e que a extrema-esquerda comemora como aliado de Lula. Nada poderia soar mais contraditório.
Do outro lado, o cenário americano é de forte insatisfação com o monopólio da carne. Agricultores relatam prejuízos graves, acusando empresas como a JBS de manipular preços e reduzir a margem de lucro dos produtores locais. Em vídeos que circulam nos Estados Unidos, ranchers expõem como são obrigados a vender seu gado por valores irrisórios, enquanto a gigante brasileira lucra bilhões às custas do consumidor. O Congresso já abriu discussões e ações coletivas resultaram em multas pesadas contra a empresa. Tudo isso não passa despercebido por Trump, que, segue como voz dominante na política americana.
Lula, por sua vez, evita um contato direto. O receio é compreensível. Diferentemente do ambiente controlado que encontra no Brasil, em uma reunião com Trump não haveria margem para discursos prontos. O risco seria ser confrontado com acusações documentadas, delações, processos e investigações internacionais. Ao delegar a intermediação a empresários como Joesley, Lula acredita ganhar tempo. Mas o efeito prático pode ser justamente o contrário: abrir caminho para que informações comprometedores sejam trazidas à luz.
A cada passo, a narrativa da extrema-esquerda se fragiliza. Ao se apoiar em um empresário marcado pela corrupção para celebrar um gesto de Trump, escancara sua própria dependência de alianças espúrias. E ao acreditar que Donald Trump estaria oferecendo prestígio a Lula, ignora a lógica da política americana e a astúcia de um líder que construiu sua carreira explorando as fraquezas dos adversários. Trump não dá ponto sem nó. Nunca deu.
O que se desenha, portanto, não é uma vitória da extrema-esquerda, mas a preparação de um embate que poderá expor ao mundo as entranhas do sistema que Lula representa. O cavalo de Troia já entrou pela porta da frente, carregado por um dos maiores símbolos de corrupção empresarial do Brasil. Cabe agora aos brasileiros entenderem que a comemoração apressada da extrema-esquerda pode ser o prenúncio de sua maior derrota.
Enquanto isso, nos bastidores, Trump observa, anota e aguarda o momento certo de agir. Para a extrema-esquerda brasileira, a festa pode já ter começado. Mas, como a história ensina, quem comemora cedo demais geralmente descobre, tarde demais, que foi apenas figurante de um jogo maior.
















