“Impasses jurídicos e medo do STF retardam divulgação de provas de Tagliaferro sobre Moraes”, doz Gazeta do Povo

A cena política brasileira tem se transformado em um espetáculo grotesco de medo, silêncio e submissão. O que antes era o

Por Notas & Informações

A cena política brasileira tem se transformado em um espetáculo grotesco de medo, silêncio e submissão. O que antes era o palco natural da democracia, com parlamentares debatendo, fiscalizando e legislando, agora se assemelha a um teatro de sombras, em que cada passo é dado sob a ameaça de retaliação do Supremo Tribunal Federal. Os últimos acontecimentos, expostos pela jornalista Ana Carolina Curvello na Gazeta do Povo, não deixam dúvidas: ministros do STF transformaram o Congresso em refém de seus poderes arbitrários, instalando um regime de intimidação que fere o coração da República.

A história que envolve as denúncias do perito Eduardo Tagliaferro, ex-assessor de Alexandre de Moraes, é um retrato cruel dessa realidade. Ao entregar 149 documentos ao Senado, relatando perseguições políticas e até manipulação de processos, esperava-se que a verdade viesse à tona com a força de um raio. Mas não. O que se viu foi um Senado acovardado, escondendo-se atrás de pareceres jurídicos que mais parecem muros de contenção, temendo despertar a fúria de ministros que, na prática, se colocaram acima da lei. Parlamentares eleitos pelo povo, agora, agem como servos de uma Corte que insiste em expandir suas próprias fronteiras de poder.

A Advocacia do Senado, em um parecer tímido e calculado, alegou que não poderia divulgar as provas porque envolvem dados sigilosos de inquéritos conduzidos pelo próprio STF. O detalhe é que essa justificativa reforça a armadilha: se o Supremo é o investigado e, ao mesmo tempo, o guardião do sigilo, não há saída possível. É o mesmo que entregar a chave da cela ao carcereiro. E o mais grave é ver senadores admitindo, ainda que nos bastidores, que temem ser arrastados para investigações pessoais caso ousem desafiar os donos da toga. Eis a democracia brasileira reduzida a pó: o Legislativo, em silêncio, por medo de represálias.

Esse clima de intimidação chegou ao ponto de transformar um relatório preliminar em símbolo de submissão. Sem coragem de expor os documentos integralmente, a Comissão de Segurança Pública preferiu enviar um resumo das denúncias a órgãos nacionais e até a embaixadas estrangeiras. Sim, o Senado brasileiro precisa recorrer a autoridades internacionais para dar alguma credibilidade ao que aqui é silenciado. Um retrato vergonhoso de um país que, diante do autoritarismo de sua Suprema Corte, clama por socorro além de suas fronteiras.

As denúncias de Tagliaferro são gravíssimas: direcionamento político de investigações, manipulação de provas, monitoramento de redes sociais e até uso da Polícia Federal como instrumento de perseguição. Tudo isso relatado por quem esteve dentro do gabinete de Alexandre de Moraes. São acusações que, em qualquer democracia madura, teriam desencadeado um terremoto institucional, com investigações abertas de imediato e ministros sendo chamados a prestar contas. Aqui, no entanto, a regra é o silêncio conveniente, enquanto parlamentares se retraem e cidadãos percebem, cada vez mais, que a Constituição já não é o limite para aqueles que deveriam defendê-la.

A imagem que emerge é a de um Brasil sob tutela de uma elite togada que se comporta como detentora de um poder ilimitado. Um poder que já não se contenta em julgar, mas que quer legislar, investigar, acusar e, quando necessário, intimidar. Os papéis se inverteram: senadores, que deveriam representar a vontade popular, agora atuam com cautela para não irritar seus novos senhores. E o povo, que deveria ser soberano, assiste a esse teatro em silêncio, anestesiado por uma narrativa que tenta normalizar o absurdo.

Ao ler os relatos detalhados por Ana Carolina Curvello, fica claro que a democracia brasileira não está apenas ferida, mas sequestrada. A cada documento engavetado, a cada relatório mutilado pelo medo, reforça-se a ideia de que os ministros do STF transformaram a liberdade em concessão. Não se trata mais de interpretações jurídicas, mas de um regime de exceção travestido de legalidade. E é justamente essa combinação de aparência democrática com práticas autoritárias que torna o momento ainda mais perigoso.

O Brasil está diante de uma encruzilhada histórica. Ou o Congresso encontra coragem para enfrentar o poder desmedido de ministros que se julgam intocáveis, ou teremos de admitir que a República já não passa de um ornamento vazio, um símbolo sem substância. Quando o Legislativo se curva por medo, o Judiciário se torna ditadura. E quando a palavra livre é condicionada ao crivo de poucos, o povo deixa de ser soberano. A pergunta que resta é: até quando aceitaremos viver como reféns?

Com informações Gazeta do Povo

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