
Luiz Inácio Lula da Silva, presidente do Brasil e eterno porta-voz da retórica esquerdista, mais uma vez se contradiz de forma gritante diante do mundo. Em suas redes sociais, afirmou que “Brasil e Estados Unidos são as duas maiores democracias e as duas maiores economias do continente” e que espera construir com Donald Trump uma “pauta positiva”. A frase poderia soar como diplomática, se não viesse justamente daquele que, apenas meses atrás, chamou o mesmo Trump de nazista. Isso não é fruto de equívoco ou de linguagem mal interpretada, mas parte de uma tática política conhecida: jogar para a plateia interna, alimentar a narrativa ideológica e, depois, posar como estadista equilibrado. É a velha prática do discurso duplo, marca registrada do petismo.
O contraste entre as palavras recentes e as declarações de novembro de 2024, registradas pela jornalista Marianna Holanda no jornal Folha de S.Paulo, expõe a incoerência de Lula. Na ocasião, ele afirmou que a vitória de Trump significaria “nazismo com outra cara” ao declarar abertamente torcida por Kamala Harris, candidata democrata. A fala ocorreu em entrevista à TV francesa TF1, onde Lula tentou se colocar como guardião da democracia, enquanto classificava Trump como símbolo de ódio, mentira e fascismo. Agora, diante da realidade incontornável do peso político e econômico dos Estados Unidos, o mesmo Lula tenta se reaproximar daquele a quem demonizou.
Não se trata apenas de um deslize retórico. Trata-se de um método que acompanha a trajetória do presidente brasileiro: o uso seletivo da palavra “democracia”. Quando convém, democracia é bandeira. Quando atrapalha, democracia vira obstáculo. Lula defende eleições livres na América quando o resultado lhe agrada, mas silencia diante da repressão em Cuba, na Nicarágua e na Venezuela. Enquanto critica Trump por um episódio de contestação eleitoral em 2021, estende tapete vermelho a ditadores que perseguem opositores, fecham jornais e prendem religiosos. A contradição é tão evidente que beira o cinismo.
É nesse ponto que o discurso sobre “democracias irmãs” perde qualquer credibilidade. O presidente brasileiro quer transparecer grandeza institucional, mas o histórico não perdoa. Quando lhe interessa, ele insulta líderes de direita ao redor do mundo, como fez com Javier Milei na Argentina, ou interfere em eleições estrangeiras, como quando declarou torcida por Kamala Harris. No entanto, quando percebe que precisa negociar acordos comerciais, tecnológicos ou energéticos, muda o tom e se apresenta como conciliador. É o populismo em sua forma mais pura: moldar o discurso ao sabor do vento, sem compromisso com princípios.
Os Estados Unidos sabem muito bem quem é Lula. A memória diplomática registra não apenas suas falas contra Trump, mas também a constante defesa de regimes que Washington há décadas considera ameaças à liberdade e à estabilidade internacional. É de se perguntar: como um presidente que elogia ditaduras e relativiza violações de direitos humanos pode querer ser tratado como parceiro confiável de uma potência ocidental? A resposta é simples: Lula aposta que a retórica ideológica será esquecida e que os holofotes internacionais se contentarão com sua versão mais polida.
Mas o jogo é arriscado. A política externa americana não ignora insultos, e Donald Trump, caso retorne ao poder, tampouco é homem de memória curta. Lula chamou-o de nazista, acusou-o de destruir a democracia americana e de incitar ódio global. Agora, fala em construir agenda comum. É o típico cálculo do político que não acredita em consequências, mas em conveniências. O problema é que conveniência não sustenta relações internacionais duradouras.
O contraste entre as falas sobre Kamala Harris e a súbita disposição em dialogar com Trump não apenas revela hipocrisia, mas também fragilidade. Lula não fala pelo Brasil com coerência, mas por sua própria sobrevivência política. Ele precisa agradar a militância de esquerda, que idolatra o progressismo global, e ao mesmo tempo tenta não fechar portas com quem realmente detém poder de decisão econômica e diplomática. Esse duplo papel, no entanto, cobra preço alto: a perda de credibilidade internacional.
Não há como esconder: a narrativa lulista sobre democracia é seletiva, parcial e ideológica. Defender Kamala Harris como “opção segura” e Trump como “nazismo com outra cara” pode agradar à imprensa progressista europeia. Mas quando o discurso muda de tom e busca aproximação com o mesmo Trump, resta apenas a percepção de que o presidente brasileiro fala o que convém no momento, sem qualquer firmeza de princípios.
Esse é o verdadeiro risco para o Brasil: estar representado por um líder que usa a democracia como slogan e a incoerência como método. O resultado é um país que oscila entre discursos contraditórios, perde credibilidade internacional e corre o risco de ser visto como parceiro instável. O povo brasileiro merece mais do que narrativas ensaiadas e poses de estadista. Merece coerência, seriedade e compromisso com a verdade. E isso, infelizmente, não é o que Lula entrega.
Brasil e Estados Unidos são as duas maiores democracias e as duas maiores economias do continente. Temos vários interesses em comum na área empresarial, industrial, tecnológica, digital e muitos outros.
— Lula (@LulaOficial) September 25, 2025
Eu espero que eu e o presidente Trump possamos conversar e construir juntos… pic.twitter.com/NHa2fO8Mic
















