
Ah, que espetáculo grotesco! Lá vão os ministros do Supremo Tribunal Federal, nossas majestades de toga, enfrentar a dura realidade: a América finalmente lhes disse “não, obrigado”. Segundo o jornalista Fabio Calsavara, da Gazeta do Povo, os planos de Barroso e seus colegas de desfilar pelos palcos pomposos de Yale, Harvard e Nova York foram atropelados pelas temidas sanções de Washington. E cá entre nós, ninguém vai sentir falta de suas palestras sobre “democracia em tempos de crise” ou sobre o STF como modelo brilhante do constitucionalismo do Sul Global — como se isso fosse um elogio ao Brasil e não uma exibição de vaidade acadêmica.
Luís Roberto Barroso, o habitual globetrotter da toga, agora terá que se contentar com um triste login no Zoom. Não mais aplausos de juristas estrangeiros, não mais fotos espalhadas pelo site do STF ostentando sua presença em seminários e conferências internacionais. A Universidade de Yale, com todo seu prestígio, terá que se virar sem ouvir o pronunciamento inflamado de quem se julga o guru da justiça em solo brasileiro. Calsavara nos lembra que, desde 2024, Barroso colecionava convites e troféus de networking nos EUA: Pacto Global da ONU em Nova York, Summit of the Future, Stanford, Brazilian Week… um verdadeiro tour de estrelismo judicial. Agora, o visto de Alexandre de Moraes, suspenso pelos americanos, pode ser só o começo de uma avalanche de constrangimentos para toda a corte.
A ironia, é claro, não passa despercebida. Em eventos anteriores, Barroso se gabava de como o STF seria referência internacional, regulando mídias sociais, inteligência artificial e desinformação, enquanto se apresentava como guardião do meio ambiente e dos direitos sociais. Tudo isso enquanto aplicava penas políticas contra adversários escolhidos a dedo. Mas vejam só, o mundo real, aquele sem filtros de Instagram ou notas oficiais do STF, decidiu dar uma resposta concreta: “Vocês não são bem-vindos”. E não é uma crítica acadêmica; é um veto prático, que deixa claro que o prestígio teórico não se traduz em respeito internacional quando as ações parecem mais políticas do que jurídicas.
Não é só Barroso que enfrenta o frio da exclusão. Gilmar Mendes, outro frequentador assíduo das conferências americanas, agora terá que rever sua agenda. Ele, que se gabava de ensinar aos gringos sobre o controle de constitucionalidade brasileiro e de como aplicamos punições “muito efetivas” aos atos de 8 de janeiro, deve perceber que suas lições de virtude cívica soam um tanto quanto suspeitas quando vindas de quem participou ativamente da judicialização política que abalou a própria democracia. Harvard, Yale e Princeton agora serão lembradas como palcos que decidiram virar as costas para os ministros que tanto se acham modelos de excelência.
O mais interessante é observar como essa vaidade internacional se choca com a realidade doméstica. Enquanto Barroso e Mendes desfilavam em eventos com Ana Maria Braga, Jorge Paulo Lemman e Tabata Amaral, alegando compartilhar experiências com gigantes globais, o Brasil assistia a um espetáculo triste de poderes desequilibrados, decisões arbitrárias e julgamentos de conveniência. A sensação é de que a corte se preocupa mais em aparecer no exterior do que em respeitar limites constitucionais e manter a imparcialidade no país. E agora, as sanções americanas são o espelho mais cruel desse show: não se trata apenas de restrições de viagem, mas de uma humilhação silenciosa e, para alguns, merecida.
No fim das contas, a lição é clara: por mais que o STF se considere um “modelo brilhante do constitucionalismo”, o mundo olha de fora e enxerga outro espetáculo — o de ministros que confundem política com justiça, vaidade com competência e exibicionismo com autoridade. E Fabio Calsavara nos oferece esse retrato sem filtros, mostrando que a imagem internacional que Barroso e seus pares tentavam construir se desfaz diante de uma realidade que não se curva à pompa da toga. Para os ministros do STF, talvez seja hora de aprender que nem todo palco está disposto a aplaudir quem insiste em transformar a Justiça em espetáculo de vaidades.
Com informações Gazeta do Povo
















