Ministros do STF: do deboche às lágrimas, a queda da ilusão de intocabilidade após Lei Magnitsky

Você já parou para refletir sobre o que pode transformar o riso debochado de quem se julga intocável em lágrimas derramadas

Por Notas & Informações

Você já parou para refletir sobre o que pode transformar o riso debochado de quem se julga intocável em lágrimas derramadas diante das câmeras? O que vimos nos últimos meses no Supremo Tribunal Federal não é apenas um detalhe na crônica política do Brasil, mas um retrato claro da queda de uma ilusão. O que parecia uma fortaleza de arrogância e impunidade começou a se dissolver diante da realidade, e quem antes zombava agora tenta justificar-se entre soluços e discursos emocionados. A cena é tão simbólica que dispensa adjetivos: ministros que gargalhavam em rodinhas privadas, hoje expostos ao mundo como figuras vulneráveis.

Essa trajetória foi lembrada pela ex-juíza Ludmila Lins Grilo em um vídeo publicado no canal “Tv Injustiça” no YouTube. O relato dela é direto, incisivo e perturbador. Em novembro de 2024, após a vitória de Donald Trump nos Estados Unidos, ministros do STF foram flagrados ironizando a situação política e até rindo sobre quem teria vistos cancelados. Entre eles, nomes conhecidos como Luís Roberto Barroso, Gilmar Mendes, Alexandre de Moraes e Flávio Dino. O clima era de deboche, como se nada pudesse atingi-los. Aquilo que parecia apenas um momento isolado de arrogância acabou se repetindo em março de 2025, quando um jantar na casa de Moraes virou palco de chacotas contra Eduardo Bolsonaro, então em exílio voluntário nos Estados Unidos. Para eles, tudo era motivo de piada, porque a crença na própria impunidade ainda parecia sólida como aço.

Mas a roda da história não perdoa. Com a posse de Trump e o endurecimento das medidas contra autoridades brasileiras, aquele riso começou a dar lugar a silêncios incômodos. Primeiro vieram as tarifas de 50% para produtos nacionais, depois o cancelamento de vistos de ministros e familiares. Em seguida, as sanções Magnitsky atingindo nomes centrais da cúpula jurídica, incluindo Moraes e até mesmo instituições ligadas à sua família. De repente, o manto da intocabilidade começou a se rasgar. Os que antes se reuniam em jantares regados a ironia passaram a exibir feições carregadas, discursos defensivos e até mesmo olhos marejados.

Não se trata apenas de episódios isolados de emoção, mas de uma mudança drástica de postura. Barroso, que em entrevista ao Roda Viva tentou justificar as ações da Corte, deixou escapar lágrimas ao falar sobre imigrantes venezuelanos. Gilmar Mendes, que outrora exibia uma autoconfiança quase inabalável, passou a demonstrar incômodos claros diante das câmeras. E para coroar esse espetáculo de vulnerabilidade, a sessão de despedida de Barroso como presidente do STF transformou-se em um festival de lágrimas. Ali, a retórica grandiosa deu lugar a um discurso trêmulo, em que ele se definiu como um equilibrista numa corda bamba. Talvez sem perceber, confessou ao país o que realmente está acontecendo: a queda de quem acreditava estar voando alto demais.

A psicologia explica esse fenômeno como deslocamento: quando sentimentos de arrependimento, vergonha ou frustração não podem ser expressos diretamente, eles escapam por meio de manifestações emocionais em outros contextos. O choro dos ministros pode ser exatamente isso — a expressão de uma culpa que não ousam confessar, de uma tristeza que não admitem em palavras. Se antes se mostravam como guerreiros da democracia, agora parecem carregar o peso de decisões que os perseguem.

O mais simbólico dessa jornada é a inversão completa do papel. O tribunal que antes se permitia rir dos opositores agora enfrenta o peso de sanções internacionais, críticas internas e a desconfiança crescente da sociedade. O deboche deu lugar ao desconforto, e a certeza da impunidade se transformou em lágrimas que não escondem mais a fragilidade. É como se a couraça de arrogância finalmente tivesse rachado, revelando não heróis, mas homens comuns acuados diante das consequências.

Ludmila Lins Grilo não narra apenas fatos, mas aponta para um sintoma mais profundo: a politização extrema do STF atingiu um ponto de saturação. Quando juízes se afastam de sua função essencial para mergulhar em disputas de poder, inevitavelmente acabam colhendo o fruto amargo dessa escolha. O choro, nesse caso, não comove, mas escancara o colapso de uma ilusão.

Talvez seja a hora de alguns desses ministros buscarem algo que não se encontra em gabinetes luxuosos ou jantares regados a vinho caro: humildade. Quem sabe até um bom terapeuta, capaz de ajudá-los a lidar com a vergonha, o arrependimento e a consciência de que não são, nunca foram e jamais serão intocáveis.

Com informações Ex-juíza, Ludmila Lins Grilo

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