
A recente iniciativa de deputados do Partido dos Trabalhadores, solicitando que o governo Lula declare o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, como “persona non grata” no Brasil, revela, de forma cristalina, o alinhamento ideológico radical e a tentativa de intimidação política que caracterizam a atual gestão petista. Conforme detalha o jornalista Vinícius Sales, em seu artigo “Deputados do PT pedem que governo Lula declare Trump ‘persona non grata’” publicado na Gazeta do Povo, a proposta foi formalizada pelos parlamentares Luiz Couto e Alexandre Lindenmeyer e recebeu apoio de outros 20 deputados da legenda. A justificativa apresentada inclui supostas “agressões” de Trump, como aumento de tarifas sobre produtos brasileiros e a cassação de vistos de autoridades nacionais, incluindo o ministro do Supremo Tribunal Federal, Alexandre de Moraes.
Sob a roupagem de defesa da soberania e da dignidade das instituições, o PT tenta enquadrar uma postura de legítima reciprocidade diplomática como um ato de proteção ao Estado Democrático de Direito. Contudo, para qualquer observador atento, trata-se de um gesto de escalada retórica e de instrumentalização política que ultrapassa os limites da diplomacia. Declarações de “persona non grata” são medidas severas, normalmente reservadas a casos de real afronta diplomática, e não a divergências políticas ou críticas de líderes estrangeiros a decisões judiciais. Ao mesmo tempo em que o PT invoca a defesa da autonomia do Judiciário, ignora o fato de que a pressão internacional, em particular de Washington, tem se baseado em sanções e medidas econômicas aplicadas de acordo com legislações vigentes, como a Lei Magnitsky.
O episódio também evidencia a contínua perseguição política ao ex-presidente Jair Bolsonaro. Trump, em declarações públicas, classificou a condenação de Bolsonaro por suposta tentativa de golpe como um erro grave, enfatizando que o ex-presidente foi injustamente alvo de uma “caça às bruxas” semelhante à que ele mesmo enfrentou nos Estados Unidos. A crítica direta de Trump à decisão da Primeira Turma do STF e o elogio a Bolsonaro como “um líder exemplar” expõem a tentativa do PT de transformar uma avaliação externa em pretexto para ataques diplomáticos desproporcionais, prejudicando a imagem internacional do Brasil e fomentando divisões internas.
Adicionalmente, a própria história recente mostra que medidas de “persona non grata” não são isentas de repercussões. Em fevereiro do ano passado, o presidente Lula enfrentou retaliação semelhante de Israel, quando foi declarado “persona non grata” pelo governo de Benjamin Netanyahu, após comparação de ações militares israelenses com o Holocausto. O episódio deixou evidente que tais declarações geram desgaste internacional e tensão diplomática, prejudicando a credibilidade do país no cenário global. Portanto, a tentativa do PT de aplicar o mesmo instrumento contra Trump não apenas carece de fundamento real, como também corre o risco de isolar o Brasil de aliados estratégicos e potenciais investidores, em um momento em que a estabilidade econômica deveria ser prioridade.
O governo americano, por sua vez, mantém uma postura firme, aplicando sanções econômicas e medidas legais, mas de forma transparente e baseada em princípios internacionais. O aumento de tarifas sobre produtos brasileiros e a aplicação da Lei Magnitsky não configuram ataques pessoais, mas sim instrumentos de política externa previstos na legislação. A resposta exacerbada do PT, no entanto, visa mais ao espetáculo político interno do que à proteção da soberania nacional.
Em última análise, a proposta de declarar Donald Trump “persona non grata” no Brasil não é apenas um gesto simbólico; trata-se de um reflexo do viés ideológico que permeia o PT e sua forma de conduzir a política externa. Ao mesmo tempo em que o país enfrenta desafios econômicos e sociais significativos, a gestão atual demonstra prioridade em confrontos políticos internacionais, colocando em risco relações estratégicas e a imagem do Brasil no mundo. A repercussão dessa medida, caso aprovada, será intensa e provavelmente negativa, reforçando a percepção de um governo mais preocupado com posturas ideológicas do que com resultados concretos para a população.
O Brasil, que deveria se posicionar como um ator sério e estável na diplomacia global, corre o risco de se tornar palco de disputas políticas internas transpostas para o plano internacional, em um momento crítico de sua história recente, colocando em xeque sua credibilidade e capacidade de negociação perante aliados tradicionais e mercados internacionais.
Com informações Gazeta do Povo
















