
Na tarde de ontem, quarta-feira, 24, a jornalista Ana Carolina Curvello trouxe à tona, em artigo publicado pela Gazeta do Povo, declarações que expuseram de maneira contundente o que muitos já suspeitavam nos bastidores de Brasília. O perito Eduardo Tagliaferro, ex-assessor de Alexandre de Moraes no Tribunal Superior Eleitoral, afirmou sem hesitar que houve um verdadeiro “mutirão de perseguição à direita” conduzido pelo ministro durante o período em que presidiu a Corte entre 2022 e 2024. Não se trata de uma afirmação isolada, mas de um testemunho que, mais uma vez, coloca sob suspeita o equilíbrio e a imparcialidade das instituições brasileiras no trato político e jurídico dos últimos anos.
Tagliaferro descreveu em detalhes como perfis conservadores eram monitorados e derrubados em redes sociais, sempre a partir de ordens internas e sob constante pressão do TSE. Empresas de tecnologia, plataformas de comunicação e até gigantes das redes sociais eram chamadas a responder com rapidez a essas determinações, sob ameaça de represálias, que incluíam até a possibilidade de bloqueio de suas atividades no país. O relato, feito na Subcomissão Especial sobre o Combate à Censura da Câmara dos Deputados, revela um esquema no qual o Estado, em vez de proteger a pluralidade, teria usado seu peso institucional para silenciar vozes dissidentes.
As acusações não se limitaram a generalidades. Tagliaferro citou nomes, cargos e funções de colaboradores próximos de Moraes que teriam participado dessas práticas. Ao mesmo tempo, poupou poucos, como no caso do delegado da Polícia Federal Disney Rosseti, descrito como “ovelha negra” por não compactuar com os supostos abusos. O impacto das declarações foi imediato entre os parlamentares presentes, que viram nas denúncias não apenas um ataque a lideranças políticas de direita, mas um risco sistêmico à própria democracia representativa.
O ex-assessor, que já havia comparecido ao Senado no início de setembro e relatado perseguições semelhantes, reafirmou que todo o material entregue – incluindo ordens internas e conversas em aplicativos – foi periciado e certificado pela Polícia Federal. Isso dá maior peso às alegações, mesmo diante do fato de que, paralelamente, a Procuradoria-Geral da República o denunciou por violação de sigilo e outros crimes. Tagliaferro, hoje exilado na Itália, insiste que é alvo de perseguição justamente por ter exposto os bastidores de um sistema que teria manipulado processos e intimidado opositores.
Durante seu depoimento, ele foi enfático ao afirmar que apenas enfrentando diretamente figuras como Moraes e Barroso será possível reverter o quadro atual. Relatou que cidadãos comuns foram punidos por simplesmente compartilharem conteúdos da oposição, em especial da família Bolsonaro e de parlamentares conservadores. Acrescentou ainda que está preparado para as consequências pessoais de suas denúncias, incluindo prisão ou até mesmo ameaças mais graves. Um discurso que, por si só, revela o clima de intimidação vivido por quem ousa desafiar a atual cúpula do Judiciário.
A denúncia não se restringe a episódios de censura. Tagliaferro acusou diretamente Moraes de fraudar ritos processuais e manipular documentos, práticas que classificou como criminosas. Citou, como exemplo, o inquérito que investigou empresários acusados de articular golpe, apontando que o ministro teria extrapolado suas funções ao agir como se fosse a própria polícia. Parlamentares como Zucco e Gustavo Gayer defenderam que as provas sob sigilo passem por uma análise pericial independente e até sejam enviadas a instâncias internacionais, diante da dificuldade de garantir transparência no Brasil.
A resistência encontrada por essas denúncias na grande mídia foi outro ponto levantado. Segundo os deputados, veículos tradicionais se recusaram a publicar o conteúdo por medo de retaliações. A sugestão de criar uma comissão conjunta entre Câmara e Senado para examinar as provas reflete a gravidade das acusações e a necessidade de romper com o silêncio que cerca o caso. Até mesmo a suspensão de processos ligados ao 8 de janeiro foi cogitada, diante da possibilidade de que tenham sido contaminados por vícios.
Em resposta, Alexandre de Moraes alegou que todas as medidas foram legais, documentadas e respaldadas pelo poder de polícia do TSE. Contudo, o contraste entre a versão oficial e as revelações de quem esteve dentro da máquina administrativa gera um impasse inevitável. De um lado, a narrativa institucional que justifica cada ação como defesa da democracia; do outro, um ex-colaborador que insiste em revelar uma engrenagem voltada para perseguir adversários políticos.
É neste choque de versões que se desenha um dos maiores embates políticos e jurídicos da atualidade. A sociedade brasileira, já marcada por divisões profundas, é mais uma vez convocada a refletir sobre o peso das instituições e a verdadeira face da democracia que se pratica no país. Para os leitores atentos, fica a sensação de que este ainda é apenas o começo de uma história que pode mudar os rumos da política nacional.
Com informações Gazeta do Povo
















