Temer, Aécio e João Paulo Cunha: a velha política corrupta tenta subverter a anistia

No Brasil, onde a política muitas vezes parece uma roda que gira sem sair do lugar, as mesmas figuras do passado

Por Notas & Informações

No Brasil, onde a política muitas vezes parece uma roda que gira sem sair do lugar, as mesmas figuras do passado voltam ao centro das atenções sempre que um impasse exige negociação. O artigo assinado por Luísa Marzullo, publicado nesta segunda-feira, 29, em O Globo, revelou um movimento que causa indignação: Michel Temer, Aécio Neves e João Paulo Cunha, símbolos da velha e corrupta política, ressurgem agora como protagonistas na tentativa de definir os rumos da anistia aos condenados pelos atos de 8 de janeiro. A cena política mais uma vez escancara a contradição: aqueles que carregam em suas trajetórias o peso da desconfiança e de escândalos de corrupção querem agora ditar o que é justo e moral para a nação.

É impossível não lembrar que Michel Temer, outrora criticado até por vozes progressistas, foi apontado em inúmeros casos de corrupção que caíram no esquecimento, como registrou o jornalista João Filho em 2016 no Intercept Brasil. A lista de acusações envolvendo propinas da Odebrecht, da OAS, do Porto de Santos e de outros esquemas ainda ecoa na memória de quem se recusa a aceitar a narrativa conveniente de que tudo ficou no passado. Temer, que um dia se definiu como vice “decorativo” no ex-governo da petista Dilma Rousseff, que dispensa comentário, agora reaparece como peça-chave nos bastidores de uma proposta que, ironicamente, mexe diretamente com a confiança nas instituições que ele próprio ajudou a corroer.

Aécio Neves, por sua vez, encarna o retrato perfeito do político que insiste em retornar, mesmo depois de ter sido símbolo de um sistema desgastado. Agora, absolvido em processos da Lava-Jato, busca reposicionar-se como alguém distante tanto do lulismo quanto do bolsonarismo. Mas como acreditar nessa suposta neutralidade quando a sua trajetória política está marcada por denúncias, gravações comprometedoras e articulações que minaram a credibilidade de seu partido? Aécio aproveita o debate sobre a anistia como trampolim eleitoral, articulando-se para reassumir protagonismo. O oportunismo político, mais uma vez, fala mais alto.

Já João Paulo Cunha é talvez o símbolo mais explícito da ironia que marca esse debate. Condenado no escândalo do mensalão, preso e depois indultado, ele agora aparece como conselheiro jurídico para parlamentares que discutem justamente a dosimetria das penas impostas pelo Supremo. É como se a experiência de ter sido condenado desse a ele autoridade moral para questionar a proporcionalidade das sentenças. O país que viu Cunha ser punido agora assiste ao seu retorno como voz respeitada nos bastidores de Brasília. Isso não é apenas contraditório: é um insulto à memória nacional.

Enquanto os defensores da anistia buscam suavizar o termo trocando o nome do projeto para “PL da Dosimetria”, o que se vê é a velha política em sua essência: manipular a narrativa para disfarçar a realidade. Não se trata de um gesto nobre de pacificação nacional, mas de mais uma jogada ensaiada por raposas que conhecem como ninguém as sombras do poder. E a cada movimentação desses personagens, a confiança do povo brasileiro é testada. O eleitor conservador, que tem nas mãos a defesa dos valores de moralidade, justiça e ordem, deve se perguntar: que legitimidade têm esses homens para decidir os rumos da anistia?

O que está em jogo não é apenas um projeto de lei, mas a própria moralidade da política brasileira. Temer, Aécio e João Paulo Cunha, três raposas da velha e corrupta política, não podem ser tratados como árbitros de um debate que exige credibilidade e transparência. O Brasil precisa olhar para frente, e não aceitar que os mesmos personagens, responsáveis por crises e escândalos, retornem como protagonistas travestidos de moderadores. O povo não pode se enganar: quem se apresenta como mediador hoje pode ser, na verdade, o maior interessado em manter a impunidade e a desconfiança como pilares de um sistema que insiste em não mudar.

Com informações O Globo

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