
Ah, o Brasil… esse palco de inovações econômicas surreais e ideias mirabolantes dignas de um roteiro de comédia pastelão. Desta vez, quem assumiu o papel de roteirista foi o vice-presidente Geraldo Alckmin, que, num lampejo de genialidade, sugeriu a retirada dos preços de alimentos e de energia do cálculo da inflação. Afinal, pra quê deixar a realidade atrapalhar a narrativa, não é mesmo?
Na visão do ilustre anestesista, o Banco Central deveria estudar essa medida para aliviar o “sufoco” da economia. Porque, claro, se está doendo, basta tirar o termômetro que a febre desaparece! Genialidade pura. Segundo Alckmin, os Estados Unidos já adotam essa técnica. E quem somos nós para questionar, não é? Não importa que, na prática, o Consumer Price Index (CPI) deles inclui sim alimentos e energia. Vamos apenas fingir que não sabemos disso e seguir o baile!
Para o vice-presidente, o aumento dos juros não resolve nada quando a causa do aumento de preços é climática ou geopolítica. Então, a solução é simples: faça de conta que os preços não estão subindo e pronto, problema resolvido! Afinal, por que se preocupar com o brasileiro que, a cada ida ao supermercado, precisa escolher entre levar a carne ou pagar a conta de luz?
Mas não para por aí! O mesmo Alckmin que quer esconder a inflação debaixo do tapete também reclamou que a taxa básica de juros (Selic) em 14,25% está prejudicando a economia. Claro, porque não basta ignorar a inflação; tem que colocar a culpa em quem tenta controlá-la. Quem sabe, no próximo capítulo dessa novela, ele sugira a abolição da matemática para acabar com o déficit público. Tudo é possível!
A proposta é tão brilhante que até o comentarista Augusto Nunes não conseguiu conter a ironia. Segundo ele, se Alckmin entende de economia tanto quanto de medicina, melhor nem deixar ele receitar um analgésico para resfriado. Imagine confiar a condução do país a um sujeito com ideias tão “inovadoras” assim?
A cereja do bolo vem quando Alckmin diz que, com a melhora das condições climáticas, os preços dos alimentos devem cair ao longo do ano. É quase como se ele estivesse sugerindo que a solução para a crise alimentar fosse uma dancinha da chuva. Quem sabe ele já está preparando o ritual no Palácio do Planalto para garantir uma safrinha mais simpática no próximo trimestre.
Mas não podemos esquecer que, enquanto Alckmin tenta tirar da inflação tudo o que realmente pesa no bolso do trabalhador, a realidade bate na porta sem pedir licença. O brasileiro sabe que, a cada ida ao supermercado, é um novo susto. A carne? Um luxo. O frango? Nem tão barato assim. O ovo? Virou artigo de grife. E a saída sugerida pelo vice-presidente? Faz de conta que nada disso existe!
É quase como se a inflação fosse uma opinião. Se não gostou, é só ignorar. Quem precisa de números precisos quando se tem narrativas criativas, não é verdade? E nós, pobres mortais, tentando entender o que se passa na cabeça de um sujeito que já foi governador de São Paulo por mais de uma década e ainda acha que a solução para um problema econômico é apagar os dados que incomodam.
E, para não deixar barato, o histórico de Alckmin tem pérolas inesquecíveis. Quem não se lembra da campanha presidencial de 2006, quando ele conseguiu a proeza de perder votos no segundo turno? Nem os eleitores que votaram nele na primeira rodada quiseram repetir o erro! Talvez a culpa fosse do “alinhamento dos astros” ou, quem sabe, de uma piada ruim que não pegou bem. O fato é que Alckmin sempre encontra uma forma criativa de transformar uma crise em um circo.
Mas, no fim das contas, nós sabemos o que está em jogo. Enquanto as elites políticas inventam maneiras de mascarar a realidade, o cidadão comum enfrenta o carrinho de compras cada vez mais vazio. E, para esses mesmos políticos, a saída é simples: se o dado não agrada, exclua-o do relatório. Assim, o Brasil vai se transformando num experimento surreal onde a verdade é um detalhe incômodo que pode ser facilmente ajustado.
No final, a proposta de Alckmin é mais uma tentativa desesperada de maquiar a crise em vez de enfrentá-la com responsabilidade. Porque, convenhamos, para quem já perdeu votos num segundo turno, negar a realidade parece ser a única estratégia que restou. Mas o brasileiro, ah, esse não se engana tão fácil assim.