Allan dos Santos revela a influência e manipulação de Mourão na direita

Em uma verdadeira aula de memória política e articulação histórica, o jornalista Alan dos Santos apresenta em seu vídeo no YouTube

Por Notas & Informações

Em uma verdadeira aula de memória política e articulação histórica, o jornalista Alan dos Santos apresenta em seu vídeo no YouTube um panorama contundente sobre os bastidores do discurso de intervenção militar no Brasil, revelando como essa narrativa foi implantada gradativamente ao longo dos anos, com personagens cuidadosamente colocados e manipulações sutis — ou nem tão sutis assim. O vídeo não é apenas uma explanação; é uma denúncia precisa, documentada, com nomes, datas, registros e conexões que colocam a versão oficial dos acontecimentos recentes em xeque. E, convenhamos, depois de assistir, fica difícil continuar acreditando na inocência do enredo institucional que foi servido à população brasileira.

Desde o início dos anos 2000, mais precisamente em 2006, segundo Alan, uma engrenagem foi colocada em movimento. O primeiro indício concreto? Um panfleto supostamente militar, defendendo intervenção com argumentos frágeis, focados em aspectos econômicos, que o próprio professor Olavo de Carvalho criticou duramente. Olavo alertava, já naquela época, que havia um movimento para plantar no imaginário coletivo a ideia de que “algo” estava sendo tramado — e que isso justificaria uma reação posterior. Ou, como ele mesmo escreveu, estavam preparando os espíritos para “hostilidade profilática contra um golpe que não estava sendo tramado de maneira alguma”. Profético. E profundamente perturbador.

A análise de Alan conecta os pontos com uma lucidez que poucos têm coragem de sustentar publicamente. Ele mostra como, ainda nas manifestações de 2013, grupos intervencionistas começavam a surgir — sem rosto, sem liderança, apenas com cartazes genéricos pedindo salvação via militares. Enquanto movimentos como o MBL, o Vem Pra Rua, o Nas Ruas de Zambelli e outros se organizavam com estrutura, nomes, rostos e hierarquia, os “intervencionistas” seguiam como uma névoa, sempre presentes, mas nunca identificáveis. Um detalhe aparentemente irrelevante, mas que faz toda a diferença.

E não para por aí. Alan relembra o papel de personagens como Ana Priscila Azevedo e Dom Vernec, que surgiram justamente nos momentos mais tensos, com discursos inflamados, usando a imagem das Forças Armadas como respaldo. E adivinhe quem estava ao lado deles? O então general Hamilton Mourão, aparecendo em fotos, vídeos e declarações públicas, já em 2017, defendendo abertamente a possibilidade de uma intervenção militar. E o que aconteceu com Mourão após isso? Nada. Nenhuma sanção, nenhum rebaixamento, nenhum processo. Ao contrário: foi promovido a candidato a vice-presidente da República.

Esse ponto específico levanta um alerta gravíssimo: se um general da ativa fala publicamente em romper a ordem constitucional e não sofre nenhuma consequência, que tipo de institucionalidade estamos, de fato, vivendo?

Alan também aborda o episódio simbólico do tweet do general Villas Bôas, às vésperas do julgamento de Lula. Na época, o tuíte foi visto como uma “mensagem velada”, uma advertência que, nas entrelinhas, dizia: “ou o STF faz o que esperamos, ou as Forças Armadas agirão”. De novo, nada aconteceu. Tudo passou como se fosse algo normal. Uma simples manifestação “democrática” de um militar. Mas a população, especialmente os que estavam em campo nas manifestações, entendeu a mensagem.

A partir de então, foi apenas uma questão de tempo até que os grupos intervencionistas, que até aquele momento pareciam marginais e sem coordenação, se tornassem o centro das atenções. Em 2022, com a aproximação das eleições, o Ministério da Defesa solta um pronunciamento categórico: “As eleições são questão de soberania e segurança nacional.” Uma frase que parece institucional, mas que, dentro do contexto, assume um peso de ameaça. O que antes eram sussurros em panfletos se tornava agora um pronunciamento oficial.

E então vem a cereja do bolo. Alan apresenta o relatório da fiscalização técnica feita pelas Forças Armadas sobre o sistema eleitoral, em que se afirma claramente que não é possível auditar as urnas eletrônicas em linguagem técnica. Ou seja, a partir de uma fiscalização oficial, o Ministério da Defesa admite que não é possível confirmar nem refutar a integridade do sistema de votação eletrônico. Em ano eleitoral. Durante o governo Bolsonaro. Com o país polarizado ao extremo.

Você entendeu o que isso significa? Significa que, mesmo após décadas de uso das urnas eletrônicas, o próprio Estado reconhece que não há garantias técnicas sobre sua confiabilidade — e isso em um contexto onde qualquer menção à dúvida é tratada como “ataque à democracia”.

O vídeo de Alan não acusa — ele revela. E revela com provas, documentos, trechos de pronunciamentos, entrevistas, vídeos de arquivo e a memória viva de quem esteve dentro dos bastidores. A narrativa construída por ele não é fantasiosa, tampouco conspiratória. É factual. É incômoda. E por isso mesmo, urgente.

Diante de tudo isso, fica uma pergunta que nenhum veículo da grande imprensa quer responder: por que todos os alertas e movimentos intervencionistas que vinham sendo feitos desde 2006 só ganharam relevância quando convenientemente interessava aos que queriam rotular o 8 de janeiro como tentativa de golpe? Porque é exatamente isso que Alan expõe: o golpe não estava sendo dado, ele estava sendo preparado como narrativa. E a manipulação da opinião pública foi o instrumento mais eficaz para transformar manifestantes patriotas em criminosos de segurança nacional.

Se você ainda acredita que os eventos de 2022 e 2023 foram espontâneos, assista ao vídeo. Você sairá transformado — e assustadoramente mais consciente. Alan dos Santos oferece não apenas uma versão alternativa da história. Ele oferece um espelho. E, ao olhar para ele, muitos preferirão quebrá-lo a encarar o reflexo.

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