Após elogiar regime chinês, Gilmar Mendes ataca Trump em nome da “resistência democrática”

Gilmar Mendes, o ministro das frases de impacto — ou melhor, dos tropeços épicos —, resolveu mais uma vez se apresentar

Por Notas & Informações

Gilmar Mendes, o ministro das frases de impacto — ou melhor, dos tropeços épicos —, resolveu mais uma vez se apresentar como o arauto da resistência democrática. Não citou nomes, mas o alvo era óbvio: Donald Trump. O motivo? O presidente americano, em um gesto ousado, impôs uma sobretaxa de 50% aos produtos brasileiros e ainda teve a ousadia de defender publicamente Jair Bolsonaro, o eterno pesadelo da toga progressista. Claro, Gilmar, como todo bom entusiasta do autoritarismo com verniz jurídico, sentiu-se chamado a defender a “democracia brasileira” — aquela mesma que precisa de censura, tribunal eleitoral armado e ministros que admiram o regime chinês. Sim, você leu certo.

Aliás, essa última frase merece uma pausa para reflexão: “Somos admiradores do regime chinês”, disse Gilmar Mendes em plena sessão do STF. E a repórter Ana Pompeu, da Folha de S.Paulo, reportou isso com a naturalidade de quem relata a previsão do tempo. Sem sequer franzir o cenho, a jornalista deixou passar que um ministro da mais alta Corte do Brasil está encantado com um regime comunista ditatorial, famoso por sua repressão brutal à liberdade religiosa, de imprensa e expressão. E ainda confundiu Deng Xiaoping com Xi Jinping, sendo corrigido por Barroso. É muita sapiência jurídica condensada em uma frase só.

Mas voltando ao epicentro da tragédia cômica: a tal “resistência democrática”. Gilmar diz que o Brasil enfrenta “um capítulo inédito” na defesa da Constituição. Claro, tudo isso enquanto ele próprio e seus colegas da toga decidem o que pode ou não ser dito nas redes sociais, o que pode ou não ser investigado, e o que é ou não é verdade. Censura é liberdade, já diria o manual orwelliano da nova esquerda tupiniquim.

É neste cenário que Trump surge com seu porrete comercial, mirando nos produtos brasileiros, como uma resposta à forma vergonhosa com que o Brasil, sob o governo de Lula, trata Bolsonaro. Para o americano, há uma “caça às bruxas” sendo feita contra o ex-presidente. E, sinceramente, como discordar? Quando um ministro da Suprema Corte brasileira gasta mais tempo lendo postagens no X (ex-Twitter) do que julgando conforme a Constituição, fica difícil não dar razão a Trump.

Mas Gilmar, claro, não citou Trump. Preferiu manter o tom de indignação serena, aquele mesmo usado por quem acabou de descobrir que seu vinho tinto foi trocado por um suco de uva integral. “Tentativa de golpe de Estado em plena luz do dia”, disse ele, referindo-se ao 8 de janeiro de 2023, como se os vândalos desorganizados que invadiram os prédios públicos tivessem mesmo poder para derrubar a República. O problema não é a narrativa: é o cinismo de repetir isso em público, com ares de salvador da pátria, quando o que se presencia é uma inversão escancarada da realidade.

E a cereja da hipocrisia vem logo depois, com a crítica às big techs. Gilmar acusa as plataformas digitais de “sabotarem o debate democrático” ao se oporem ao PL das Fake News. Veja o nível de ironia: um homem que admira o regime chinês — onde o Google é proibido, o YouTube é bloqueado e as redes sociais são controladas pelo governo — reclama da liberdade das empresas tecnológicas. O STF quer regulamentar, controlar, monitorar, punir — mas chama isso de “modernização dos marcos regulatórios”. É a revolução dos eufemismos. A nova esquerda não mente, apenas redefine conceitos.

A jornalista Ana Pompeu, por sua vez, faz o papel típico da imprensa militante: registra a fala de Gilmar como se fosse uma citação de Aristóteles, sem questionar a aberração institucional por trás da afirmação. Fala em “resistência democrática” como se fosse um slogan da Revolução Francesa e não uma desculpa esfarrapada para justificar o poder absoluto de um punhado de ministros que se acham acima da lei. A Folha, como sempre, sorri para o autoritarismo quando ele veste toga progressista. Se Gilmar dissesse que a liberdade de imprensa deve ser filtrada pelo bom gosto jurídico do STF, é bem provável que a redação inteira aplaudisse de pé — com lágrimas nos olhos e emojis de coração no rodapé da matéria.

É aí que entra a ironia suprema: Gilmar, o mesmo que diz defender a “resistência democrática”, se emociona com a China, onde a Constituição é um adereço decorativo, e o partido é o Estado. Talvez seja isso que ele queira importar para o Brasil: uma democracia com “características chinesas”. Uma democracia onde discordar do Supremo é golpe, onde questionar eleições é crime, e onde publicar memes pode levar à prisão preventiva com base em “flagrante contínuo”. Sim, tudo isso em nome da Constituição.

Enquanto isso, Trump, com todos os seus defeitos, fez algo que poucos líderes internacionais têm coragem de fazer: confrontar a hipocrisia brasileira. Ao defender Bolsonaro e impor tarifas, deixou claro que não aceita ver um aliado político ser perseguido por uma máquina estatal travestida de defensora da legalidade. E claro, os togados surtaram. “Como ousa um presidente estrangeiro questionar nossas decisões soberanas?” — gritam os defensores da Constituição que vivem elogiando regimes totalitários.

No fim das contas, o Brasil virou um espetáculo tragicômico, onde ministros da Suprema Corte fazem citações equivocadas de líderes comunistas, jornalistas relatam isso como se fosse poesia, e a esquerda aplaude enquanto a liberdade vai sendo lentamente sufocada. Tudo isso com o selo de qualidade da resistência democrática — aquela onde só pode resistir quem pensa igual.

E se você discorda? Cuidado. O gato do Gilmar pode estar te vigiando.

Com informações Folha de S.Paulo/Estadão

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