
As engrenagens do poder global não descansam, e quando se fala da elite política de Washington, cada movimento é meticulosamente calculado. O anúncio do secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, revogando os vistos do ministro Alexandre de Moraes, seus aliados no STF e até de seus familiares, não é uma ação isolada. Trata-se de um alerta direto e frontal: os Estados Unidos não irão tolerar a transformação do Brasil em um Estado autoritário disfarçado de democracia.
A alegação de Rubio é cristalina. O inquérito das fake news, conduzido por Moraes, se transformou em uma cruzada ideológica que rasga a Constituição brasileira e esmaga, sem qualquer pudor, direitos fundamentais como a liberdade de expressão. Quando essa perseguição atinge cidadãos americanos — muitos dos quais residem legalmente em território norte-americano —, a questão deixa de ser “interna do Brasil” e adquire proporções geopolíticas. O império americano não assiste passivamente à intimidação de seus cidadãos, ainda que a ameaça venha disfarçada de toga.
E a reação dos Estados Unidos foi apenas o primeiro passo. Sanções limitadas hoje podem se tornar uma avalanche amanhã. Se o governo Lula decidir confrontar abertamente Washington, como se cogita com a imposição de tarifas retaliatórias e até eventuais sanções a membros do governo Trump, estará riscando um fósforo em um barril de pólvora. E o Brasil, que insiste em se posicionar como um ator geopolítico independente, mas ao mesmo tempo flerta com regimes autoritários, corre o risco de ser atropelado pelas consequências.
O histórico americano é claro: quando desafiado, o Tio Sam responde com força. A Venezuela, a Rússia e o Irã são exemplos que não deixam dúvidas. A lógica é simples — se o Brasil ousar mirar no coração diplomático e comercial dos EUA, a resposta será contundente, abrangente e devastadora.
No campo econômico, os danos seriam severos. Em 2024, o Brasil movimentou 88 bilhões de dólares em trocas comerciais com os EUA, o segundo maior parceiro do país. Sanções mais duras poderiam congelar ativos brasileiros, bloquear investimentos e cortar o acesso ao dólar — moeda que ancora toda a nossa estabilidade macroeconômica. O real desvalorizaria vertiginosamente, a inflação dispararia e setores estratégicos como a agroindústria e a manufatura veriam suas margens evaporarem. Empresas como a Embraer, que dependem de tecnologia americana, estariam à beira do colapso. E, com isso, o desemprego explodiria.
Diplomaticamente, a ruptura seria irreversível. Embaixadores expulsos, cooperações suspensas e o Brasil se tornaria persona non grata em qualquer fórum liderado por Washington. Culturalmente, intercâmbios, turismo e acordos científicos ruiriam como castelos de areia. Estudantes e pesquisadores seriam os primeiros a pagar a conta, mas a verdadeira fatura recairia sobre o povo, aquele que trabalha, paga impostos e vê seus sonhos irem para o ralo da incompetência ideológica.
No plano militar, o cenário é catastrófico. O Brasil não possui autonomia tecnológica. Nossos caças Gripen usam motores da americana GE. Os Super Tucanos, apesar de fabricados no Canadá, pertencem a conglomerados sob o controle dos EUA. Sistemas de artilharia, munições, peças de reposição — tudo isso depende de acordos e permissões dos americanos. A quebra dessa cadeia significaria a paralisação de uma Força Armada já sucateada e maltratada por sucessivos governos de esquerda.

Até o sistema de satélites seria afetado. O GPS, ferramenta vital para logística militar e civil, é controlado pelos EUA. Em situação de conflito ou sanção, o sinal poderia ser degradado ou bloqueado. Sem isso, perdemos precisão em mísseis, drones, e até na simples entrega de encomendas. A Starlink, essencial para áreas remotas, também corre risco — e vale lembrar que o próprio Alexandre de Moraes ousou incluir Elon Musk no infame inquérito, tratando o empresário americano como inimigo do Estado brasileiro.
O que resta ao Brasil, nesse cenário? Se render à chantagem de regimes como China e Rússia. Trocar a hegemonia americana pela dependência tecnológica do Glonass russo e por armas fabricadas na Coreia do Norte. Uma escolha geopolítica de consequências desastrosas e irreversíveis. E não, isso não é ser “independente”. Isso é se ajoelhar diante do autoritarismo, enquanto despreza a ordem ocidental que garantiu ao Brasil, por décadas, acesso a mercados, tecnologia e estabilidade.
O mais trágico de tudo é que essa tempestade é inteiramente evitável. Mas não para um governo que insiste em reescrever a história com tinta vermelha. Não para um presidente que vê nos Estados Unidos um adversário, enquanto estende tapete vermelho para ditadores genocidas. Lula e sua diplomacia terceiro-mundista brincam com fogo. E, ao contrário do que pensam os assessores do Itamaraty, esse fogo não será contido com discursos em fóruns internacionais ou com viagens pagas com dinheiro público para regimes opressores.
O Brasil caminha para o abismo. E a culpa não será dos Estados Unidos, nem da extrema-direita, nem das fake news. Será de um governo que escolheu o confronto em nome da narrativa, em detrimento da prudência. Em nome do projeto de poder, em vez da soberania nacional. É hora de parar de brincar de ideologia e começar a governar com responsabilidade. O tempo está se esgotando. E o preço da soberba pode ser mais alto do que o povo brasileiro está disposto a pagar.
















