
O cerco contra Jair Bolsonaro se intensifica, e a cada novo movimento do Supremo Tribunal Federal (STF), a imparcialidade do Judiciário brasileiro se torna cada vez mais questionável. Desta vez, a Primeira Turma do STF decidiu, por unanimidade, tornar o ex-presidente réu em um processo por suposta tentativa de golpe de Estado em 2022. Mas, sejamos francos, qual é a verdadeira intenção por trás desse julgamento relâmpago?
Em uma coletiva de imprensa, Bolsonaro não hesitou em classificar as acusações como graves e infundadas, questionando a velocidade e a maneira com que Alexandre de Moraes conduz as investigações. “Parece que tem algo pessoal contra mim”, declarou o ex-presidente, levantando uma dúvida mais do que pertinente: é justiça ou perseguição política?
Não é novidade para ninguém que o ministro Alexandre de Moraes conduz seus inquéritos sob sigilo absoluto. Por quê tanto segredo? Bolsonaro ironizou o fato de que, em uma tentativa de golpe real, haveria envolvimento de mídia, parlamento, setores do Judiciário e das Forças Armadas. Ora, não há qualquer evidência concreta de que isso tenha ocorrido. O que existe, de fato, é uma narrativa costurada para criminalizar a oposição e silenciar qualquer voz conservadora.
Em meio a esse festival de arbitrariedades, Bolsonaro voltou a tocar em um tema que incomoda a velha “elite do atraso”: a anistia aos presos pelos eventos de 8 de janeiro de 2023. Ele destacou, em tom de indignação, a absurda pena de 14 anos de prisão aplicada à cabeleireira Débora Rodrigues, acusada de vandalizar com batom a estátua “A Justiça”. Realmente, a democracia está muito ameaçada por batons perigosos!
A anistia não é um pedido de impunidade, mas de justiça. Bolsonaro questionou: “Eu duvido que uma mãe não se coloque no lugar da Débora e não queira anistia”. Onde está a proporcionalidade? Por que o peso da lei é sempre mais severo quando se trata de simpatizantes do conservadorismo?
Enquanto isso, a PGR não poupou esforços para envolver figuras de peso do governo Bolsonaro no mesmo processo. Os ex-ministros Walter Braga Netto, Augusto Heleno, Paulo Sérgio Nogueira e Anderson Torres também foram denunciados. A inclusão do deputado federal Alexandre Ramagem (PL-RJ) não surpreende: um político que ousou questionar os abusos do Judiciário torna-se automaticamente um alvo.
A pergunta que não quer calar é: se há tantas “provas” contra Bolsonaro, por que não tornar essas evidências públicas? Dois anos de investigação e não se encontrou nenhuma prova concreta de que Bolsonaro ou seus aliados tenham organizado um golpe. E o ex-presidente foi ainda mais longe em sua defesa: “Se tivesse qualquer ideia de força, não deixaria os comandantes do Lula assumirem”.
É importante lembrar que Bolsonaro sempre defendeu manifestações pacíficas e chegou a gravar um vídeo pedindo que os caminhoneiros desmobilizassem os bloqueios nas rodovias após a derrota eleitoral em 2022. Mas, curiosamente, esses fatos foram convenientemente ignorados pelo STF. Não seria isso uma tentativa escancarada de reescrever a história?
Bolsonaro também reforçou uma pauta que tem sido um verdadeiro tabu para a esquerda: a segurança do sistema de votação eletrônica. Não é difícil entender por que questionar as urnas é tratado como crime de lesa-pátria. Afinal, um sistema transparente e auditável é uma ameaça direta a quem deseja manter o controle absoluto do poder.
E não é só Bolsonaro que levanta questionamentos. Flávio Dino e Carlos Lupi, ambos aliados do governo Lula, também já expressaram dúvidas sobre a segurança do sistema eleitoral em outros momentos. Mas, como de costume, quando a crítica parte da esquerda, a preocupação é com a democracia; quando vem da direita, é tratada como subversão.
Diante desse teatro autoritário, é fundamental perguntar: onde está o limite para o ativismo judicial? Até quando as instituições vão tolerar que o STF concentre poderes jamais previstos na Constituição?
A verdade é que a caça implacável a Bolsonaro e seus aliados não é só uma tentativa de criminalizar a oposição, mas de destruir qualquer possibilidade de retorno do conservadorismo ao poder. E se você pensa que essa perseguição vai parar por aqui, talvez seja hora de repensar. Hoje, é Bolsonaro. Amanhã, pode ser qualquer um de nós que ouse desafiar a narrativa dominante.
O que está em jogo não é apenas o destino de um ex-presidente, mas a própria liberdade de expressão e a soberania popular. Quando um país permite que a Justiça se torne um instrumento de vingança política, toda a sociedade está em risco.
Por isso, o apelo por anistia não é apenas um clamor por justiça, mas um grito em defesa da democracia verdadeira, aquela que respeita o contraditório e protege o direito fundamental de cada cidadão. E a pergunta que fica é: até quando o Brasil suportará esse estado de exceção disfarçado de legalidade?
Com informações Gazeta do Povo