
Se você ainda acredita que o jornalismo brasileiro é um farol de imparcialidade e compromisso com a verdade, basta abrir uma matéria do Estadão assinada por Juliano Galisi para voltar rapidinho à realidade. O espetáculo mais recente da redação é transformar uma suposta minuta de pedido de asilo de Jair Bolsonaro na Argentina em um capítulo digno de seriado da Globo Play, onde até o erro de grafia no nome de Javier Milei vira evidência incontestável de que o “plano de fuga” do ex-presidente Bolsonaro estava em plena execução. Afinal, quem precisa de provas sólidas quando se tem a imaginação fértil de repórteres e a conveniência de Alexandre de Moraes disposto a pedir explicações até sobre piadas de WhatsApp?
O enredo é simples e repetitivo: Polícia Federal aparece com um documento digital de 33 páginas, supostamente ligado a uma parente distante de Bolsonaro, e pronto — a imprensa corre para escrever a manchete como se tivesse encontrado os Manuscritos do Mar Morto. A defesa do ex-presidente, claro, nega qualquer intenção de fuga. Mas negar, para a turma do Estadão, não passa de mais uma “prova” de que o plano existia. É o famoso raciocínio circular: se você admite, é culpado; se nega, é culpado também. Conveniente, não? A esquerda adora esses truques, principalmente quando encontra eco em jornalistas ansiosos por manter viva a narrativa do “golpe” eterno.
E o mais curioso é que enquanto Juliano Galisi brinca de ficção política no Estadão, outros colegas de profissão, como Tácio Lorran e Manuel Marçal, do Metrópoles, mostram o tamanho da hipocrisia desse circo midiático. Sim, porque quando se trata do extremo-esquerdista, presidente Lula abrir os cofres da FAB para buscar a ex-primeira-dama do Peru, Nadine Heredia, condenada por corrupção no seu país, aí não há clima de escândalo nem cobrança urgente de explicações ao STF. Muito pelo contrário: o governo decreta sigilo de cinco anos sobre os gastos da operação e tudo é justificado como um “ato humanitário”. É claro, trazer uma condenada por corrupção em jatinho da FAB é humanidade pura. Mas cogitar, ainda que em teoria, a palavra “asilo” em relação a Bolsonaro é a maior ameaça ao Estado Democrático de Direito desde a queda de Roma.
Perceba a diferença: para Nadine Heredia, a FAB é disponibilizada sem dó, sem limites, sem transparência e com direito a escolta. Para uma jovem brasileira morta na Indonésia, o mesmo governo simplesmente diz “não”. Humanitário, mas só para aliados ideológicos. Lula e sua turma mostram o que sempre foram: seletivos, oportunistas e movidos por conveniência política. E a imprensa, que deveria denunciar esses absurdos, prefere fechar os olhos. Talvez porque expor esse escândalo atrapalhe a pauta oficial de demonização da direita e canonização do petismo.
A narrativa do Estadão sobre Bolsonaro é tão forçada que beira a comédia. Alguém acredita de fato que um ex-presidente da República, alvo da maior perseguição judicial-midiática da história recente, escreveria uma carta de asilo cheia de erros de digitação e deixaria o documento dando sopa no computador de um parente? Isso não é jornalismo, é roteiro de comédia pastelão, daqueles que até a TV Pirata teria vergonha de produzir. Mas como a matéria é contra Bolsonaro, não importa se o argumento é ridículo. Importa apenas alimentar a fogueira da criminalização da direita.
E o que dizer da cobertura? Galisi repete como um papagaio as falas da Polícia Federal e do ministro Moraes, sem nunca se dar ao trabalho de questionar o óbvio: qual a validade real de um documento não assinado, não protocolado, não reconhecido e, convenhamos, sem nenhuma utilidade prática? O jornalista age como se tivesse em mãos o contrato social do PCC, quando, no fundo, está apenas diante de mais um rabisco jogado em um arquivo de Word. A seriedade com que isso é tratado só prova que o jornalismo de esquerda perdeu completamente o senso do ridículo.

Enquanto isso, a incoerência segue reinando. Quando a PF e Moraes miram Bolsonaro, cada vírgula vira manchete, cada rumor é tratado como verdade absoluta. Quando o governo Lula traz uma condenada de corrupção para o Brasil em avião da FAB, tudo se resolve com uma desculpa protocolar do Itamaraty: “razões humanitárias”. A mídia compra a justificativa sem pestanejar e ainda ajuda a encobrir o sigilo de cinco anos decretado pela Aeronáutica. É ou não é para rir? Ou melhor, para chorar?
A pergunta que fica é: até quando a imprensa vai acreditar que o brasileiro médio é burro o suficiente para engolir essa seletividade escancarada? O povo percebe. O cidadão comum olha para a perseguição contra Bolsonaro e enxerga um Judiciário que já não se preocupa com aparência de imparcialidade. Ao mesmo tempo, vê um governo que usa as Forças Armadas como táxi particular para aliados condenados, enquanto nega auxílio a brasileiros que realmente precisavam. O contraste é gritante demais para ser ignorado.

Juliano Galisi e seus colegas talvez acreditem que ainda controlam a narrativa, mas a verdade é que cada linha escrita com esse tom de superioridade moral só reforça a sensação de que a imprensa virou assessoria de imprensa do PT. Não há mais pudor em distorcer, omitir ou exagerar, contanto que o alvo seja Bolsonaro e o herói seja Lula. Só que, como toda farsa, essa também tem prazo de validade. O brasileiro está cansado, saturado de tanta manipulação, e a cada manchete caricata, a confiança no jornalismo despenca um pouco mais.
No fim das contas, a história é simples: para a esquerda, perseguir Bolsonaro é questão de sobrevivência; para a imprensa militante, manter essa narrativa é questão de sobrevivência financeira. Mas para o povo, cada injustiça cometida, cada escândalo abafado e cada manchete tendenciosa é mais um lembrete de que o “jornalismo profissional” morreu — e foi substituído por um panfleto travestido de notícia.
Com informações Estadão/Metrópoles
















