Braga Netto desmente Cid em acareação e expõe farsa do “golpe de Estado”

No coração da capital da República, mais uma vez, o Supremo Tribunal Federal se transforma em palco de um espetáculo que,

Por Notas & Informações

No coração da capital da República, mais uma vez, o Supremo Tribunal Federal se transforma em palco de um espetáculo que, ao invés de revelar a verdade, expõe a tragédia da politização extrema das instituições. A acareação entre Mauro Cid e o general Walter Braga Netto, ocorrida a portas fechadas no STF, mais parece um roteiro kafkiano do que um processo jurídico sério. O que se vê é o uso estratégico de uma delação que já mudou de versão mais vezes do que os ministros mudaram de toga ao longo dos últimos anos.

A figura de Mauro Cid tornou-se o símbolo da instabilidade narrativa que domina o processo do suposto “golpe de Estado”. Trata-se de um personagem central cujos depoimentos já se contradisseram em tantos momentos que sua credibilidade deveria estar enterrada em definitivo. Desta vez, o próprio advogado de Braga Netto, José Luis Oliveira Lima, fez questão de evidenciar a terceira mudança de versão quanto ao local de entrega de um suposto pacote com R$ 100 mil. Não bastassem duas garagens e uma sala de ajudância, agora surge uma “terceira garagem”, como se o Palácio da Alvorada tivesse se tornado um labirinto mitológico.

A acusação, por si só, beira o delírio. Supostamente, o dinheiro seria usado para prender ou assassinar o ministro Alexandre de Moraes. Uma narrativa dramática, digna de filmes de conspiração, mas vazia de provas materiais. Nenhuma imagem. Nenhuma gravação. Nenhum elemento objetivo que corrobore a versão do delator. A Justiça — ou ao menos aquilo que um dia chamamos de Justiça — parece agora se contentar com intenções subjetivas e insinuações de um ex-ajudante de ordens pressionado por um sistema que premia quem delata aquilo que desejam ouvir.

Durante a acareação, o general Braga Netto não hesitou: chamou Cid de mentiroso — não uma, mas duas vezes. Diante disso, o delator silenciou, abaixou a cabeça e permaneceu imóvel, como alguém que perdeu o roteiro no meio da encenação. Essa cena, embora oculta do público, foi narrada por seu advogado, e diz mais do que mil páginas de um processo contaminado desde o início.

A suposta sacola com dinheiro, que Cid diz ter visto com seus próprios olhos, teria estado lacrada. Como é possível visualizar maços de notas em um objeto lacrado? A pergunta, que deveria encerrar qualquer credibilidade da versão do delator, parece não encontrar eco entre os magistrados do Supremo, mais interessados em sustentar uma narrativa do que em buscar a verdade.

Tudo isso acontece enquanto o general Braga Netto, herói condecorado das Forças Armadas, continua preso no Rio de Janeiro. Uma prisão que, à luz da fragilidade das provas, soa como um escárnio contra o Estado de Direito. Não há risco à ordem pública. Não há provas contundentes. Há apenas a insistência em manter um símbolo militar privado de sua liberdade, como recado político àqueles que ainda ousam contestar os rumos tomados por Brasília.

Enquanto isso, outros protagonistas surgem na mesma encenação. A acareação entre Anderson Torres e o general Freire Gomes, por exemplo, revelou uma diferença de interpretações, mas nenhuma confirmação de crime. Freire Gomes diz que Torres assessorava juridicamente o ex-presidente Jair Bolsonaro. Torres nega. A defesa, por sua vez, afirma que os registros de entrada e saída do Palácio do Alvorada desmentem a possibilidade de encontros entre os dois.

Esse ponto, embora técnico, é ignorado em nome da versão conveniente. Há uma busca obsessiva por sustentar a tese de uma tentativa de golpe, mesmo que as peças não se encaixem. O próprio uso dos instrumentos legais — como a GLO (Garantia da Lei e da Ordem), o estado de defesa ou o estado de sítio — não constitui crime. São previsões constitucionais, mecanismos que qualquer presidente tem direito de considerar diante de cenários de instabilidade.

O que se vê, na verdade, é o assassinato da reputação pública de membros das Forças Armadas e do governo anterior por meio de narrativas frágeis e delações premiadas instáveis. Uma estratégia eficaz, porém desonesta, que atende aos interesses de um poder que se fortalece à sombra do arbítrio. Trata-se de um sistema que não hesita em inverter a lógica: presume-se a culpa e cobra-se do acusado o ônus de provar sua inocência.

A figura do general Braga Netto sintetiza esse absurdo. Um homem que serviu ao país com honra, agora tratado como criminoso com base em palavras soltas e contradições grotescas. O silêncio de Mauro Cid diante da acusação de mentiroso revela mais do que sua incapacidade de sustentar a própria mentira — revela o vazio moral de um sistema que usa delações como instrumento de coerção.

Ao final, o que se tem não é um julgamento de fatos, mas uma encenação para consolidar a narrativa oficial. E aqueles que ousam questionar esse processo são automaticamente rotulados como “golpistas” ou “antidemocráticos”. A ironia é que, em nome da democracia, estão destruindo seus fundamentos.

Na conclusão de mais este capítulo farsesco da política nacional, é impossível não lembrar as palavras registradas pela jornalista Aline Rechmann, da Gazeta do Povo, que destacou com precisão a contradição de Mauro Cid e o silêncio constrangedor diante da acusação de Braga Netto. Sua reportagem, embora discreta, prestou um serviço à verdade ao registrar os bastidores de uma acareação que, se fosse transmitida ao vivo, derrubaria boa parte da credibilidade do processo em curso.

E é aqui que devemos insistir, como conservadores liberais: o império da lei deve ser maior que o império da narrativa. Quando a justiça se transforma em espetáculo, e a prisão preventiva em punição antecipada, já não estamos mais diante de um estado democrático de direito — estamos diante de um regime onde a verdade não importa, desde que o roteiro continue servindo aos interesses dos donos do poder.

Com informações Gazeta do Povo

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