
Ah, mais um daqueles anúncios grandiosos, recheados de palavras bonitas e promessas mirabolantes. Desta vez, a turminha iluminada resolveu desembolsar a bagatela de US$ 247 milhões para “restaurar florestas” e fomentar as tais “soluções baseadas na natureza”. Parece até coisa de ficção científica, não é mesmo? Só que a realidade, como sempre, insiste em ser bem diferente da narrativa oficial.
Para começo de conversa, quem é que está por trás dessa operação toda? O Banco Mundial, o BNDES, o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) e, claro, o nosso querido e sempre presente Ministério da Fazenda. Todos unidos para salvar o Brasil da catástrofe climática e ainda garantir que a “sustentabilidade” continue rendendo cifras bilionárias para os espertalhões de sempre. E o que você, cidadão comum, ganha com isso? Bom, talvez um panfleto colorido e um vídeo emocionante com cenas de drones sobrevoando a Amazônia.
O plano prevê que US$ 47 milhões virão do CIF (Climate Investment Funds) e serão combinados com US$ 100 milhões do Fundo Clima, administrado pelo BNDES, e mais US$ 100 milhões do Banco Mundial. O destino? Projetos de “restauração” na Amazônia e no Cerrado. Sim, a mesma Amazônia onde o governo não consegue sequer conter o desmatamento ilegal, mas agora diz que vai transformar a região em um “Arco da Restauração”. Dá para acreditar?
E o mais impressionante é que, segundo a matemática mágica dos ambientalistas de gabinete, essa montanha de dinheiro vai recuperar 54 mil hectares de floresta, reduzir as emissões de carbono em 7,75 milhões de toneladas e ainda criar 21 mil empregos diretos e indiretos. Parece um milagre econômico, não acha? Só tem um detalhe: alguém se lembra de algum outro “projeto revolucionário” do governo que realmente tenha funcionado? Pois é.
Quem coordena essa maravilha? O Ministério da Fazenda, que está mais preocupado em arrecadar do que em preservar qualquer coisa. O plano foi elaborado pelo Serviço Florestal Brasileiro (SFB), com o apoio da Ministra do Meio Ambiente e Mudança do Clima e sua trupe de burocratas. Todos reunidos para garantir que a floresta vire um grande laboratório de experiências sustentáveis. Só faltou combinar com os grileiros, madeireiros e narcotraficantes que dominam a região.
A cereja do bolo é a consulta pública que, segundo os idealizadores do plano, garantiu um “processo inclusivo e colaborativo”. Ou seja, enfiaram um monte de ONGs e acadêmicos progressistas numa sala, distribuíram alguns lanchinhos veganos, ouviram meia dúzia de sugestões e, no final, assinaram um relatório dizendo que “o povo participou”. Alguém viu a população da Amazônia sendo ouvida? Algum produtor rural foi chamado para opinar? Pois é, também não.
E, para garantir que tudo fique sob controle, o BNDES será o responsável por administrar os recursos e “conceder crédito ao setor privado”. Agora imagine só: quem serão as empresas beneficiadas por esses financiamentos? Pequenos produtores que realmente vivem da terra e conhecem o bioma ou as grandes corporações, cheias de conexões políticas, que vão faturar milhões enquanto vendem a imagem de “salvadoras do meio ambiente”?
Se você acha que o governo está realmente preocupado com a restauração da floresta, vale lembrar que os mesmos gestores que hoje falam em sustentabilidade são os que, há pouco tempo, defendiam o desmonte do agronegócio e a criminalização de quem produz alimentos. Agora, de uma hora para outra, descobriram que é possível ganhar dinheiro vendendo a narrativa de “recuperação ambiental”. Interessante, não?
E, claro, há o detalhe nada surpreendente de que, pela primeira vez, o CIF está destinando dinheiro especificamente para a Amazônia brasileira. Uma decisão estratégica, é claro, já que o Brasil virou o queridinho das políticas ambientais globais. O plano está alinhado com o Plano Nacional de Recuperação da Vegetação Nativa (Planaveg), mais um daqueles projetos cheios de boas intenções que acabam beneficiando apenas a elite ambientalista e os amigos do poder.
Agora, o país tem 18 meses para desenvolver um plano de implementação e detalhar os projetos que serão financiados. Traduzindo: 18 meses para reuniões, eventos, viagens internacionais, relatórios, powerpoints e absolutamente nenhum resultado concreto para a população brasileira. Mas não se preocupe, pois quando os recursos forem finalmente liberados, haverá novas promessas, novos planos e, claro, novas oportunidades para que os mesmos de sempre continuem lucrando com a farsa da “sustentabilidade”.
Então, caro leitor, da próxima vez que você ouvir que “milhões serão investidos na recuperação ambiental”, pergunte-se: quem realmente está ganhando com isso? Porque, se tem uma coisa que essa turma sabe fazer, é vender narrativas que beneficiam apenas eles mesmos. E o meio ambiente? Ah, esse continua sendo apenas uma desculpa conveniente para encher os cofres das ONGs e dos burocratas de plantão.
Com informações EBC