
Em mais um capítulo da tragicomédia diplomática brasileira, o governo Lula, através do Ministério da Fazenda comandado por Fernando Haddad, anunciou a abertura de um escritório de consultoria tributária e aduaneira na China. A medida, revelada pelo jornalista Daniel Weterman no Estadão, é justificada como “estratégica” e “sem motivação política”, mesmo ocorrendo poucos dias após o presidente Donald Trump anunciar uma tarifa de 50% sobre produtos brasileiros.
Segundo o texto, a proposta começou a ser elaborada no dia 6 de janeiro de 2025. Justo. E a terra é plana também. O governo afirma que a criação da chamada “adidância” tributária está alinhada à “complexidade das relações comerciais bilaterais” com a China e ao “combate ao contrabando e evasão fiscal”. É quase cômico imaginar que o Brasil enviará auditores fiscais à Pequim, como se o Partido Comunista Chinês estivesse à espera de orientações brasileiras para moralizar o comércio internacional.
A realidade é outra: o governo Lula aproveitou a tensão diplomática com os Estados Unidos para sinalizar submissão à China, seu parceiro ideológico e comercial. E fez isso disfarçado de cooperação tributária. O momento da decisão, aliado à reação de Trump contra os países do BRICS, denuncia o caráter político da medida. É uma jogada de alinhamento geoestratégico com o bloco que pretende substituir o dólar por moedas locais — um plano que, para os EUA, é inaceitável.
Em vez de dialogar com Washington, o governo brasileiro escolheu dobrar os joelhos para Pequim. Ao invés de buscar reformas internas, reduzir impostos ou facilitar o comércio com democracias ocidentais, prefere enviar funcionários da Receita Federal à China, país conhecido por não respeitar propriedade intelectual, nem regras de mercado, e por manipular dados e tarifas conforme interesses do Partido.
A desculpa de “combater o comércio ilegal” soa vazia. O contrabando entra por fronteiras escancaradas com o Paraguai, não por container da China. Se o objetivo fosse realmente fiscalizar ilegalidades, o foco deveria ser nos portos brasileiros e na vigilância de fronteiras — não numa parceria com o país mais fechado do planeta.
Vale lembrar que, atualmente, o Brasil mantém adidâncias similares em Assunção, Buenos Aires, Montevidéu e Washington. A inclusão de Pequim na lista rompe com o padrão democrático dos outros países e insere o Brasil num jogo geopolítico liderado por regimes autoritários. Enquanto a China persegue dissidentes, censura a imprensa e financia projetos imperialistas na África e América Latina, o Brasil resolve “aprofundar laços fiscais”.
Mais irônico ainda é o governo cogitar retaliações aos EUA, como o fim de patentes de medicamentos. Um gesto suicida. Atacar a indústria farmacêutica internacional por vingança não protege a soberania nacional — só afugenta investimentos, derruba a confiança externa e ameaça a saúde pública com o colapso do acesso a inovações médicas.
A verdade nua e crua: o governo Lula usa o pretexto técnico para justificar uma aproximação com a China e se afastar dos EUA, numa tentativa mal disfarçada de consolidar o Brasil como aliado do bloco antiocidental. Tudo isso, sob o manto de “cooperação tributária”. Mas não se engane: isso não é diplomacia — é servilismo ideológico.
Enquanto Trump protege o dólar, combate a influência dos BRICS e pressiona o Brasil com tarifas, o governo brasileiro responde com obediência e subserviência a Xi Jinping. É o típico comportamento de um governo que não tem coragem de proteger seus interesses e prefere fazer pose de “potência global” servindo bandeja para potências de verdade.
Quem perde com isso? O brasileiro. Que pagará caro pelas tarifas americanas, verá o país afastar-se de mercados importantes, e assistirá, mais uma vez, a diplomacia sendo conduzida por amadores com viés ideológico. A abertura do escritório tributário na China não é um movimento estratégico — é a declaração simbólica de que o Brasil prefere seguir o modelo autoritário chinês a fortalecer sua relação com as democracias ocidentais.
E quando o Ministério da Fazenda diz que essa decisão “não tem qualquer razão política”, só há duas opções: ou mentem com cinismo, ou acreditam na própria ilusão. Ambas são perigosas. Mas pelo menos agora está claro: o Brasil, sob a batuta de Haddad e Lula, não está construindo pontes — está cavando um buraco geopolítico do qual será difícil sair.
Com informações Estadão
















