
Você acorda cedo, liga a TV e lá está ele: Celso Amorim, o eterno diplomata do ressentimento, agora promovido a “consciência internacional” do governo Lula — um título, aliás, tão ridiculamente pomposo quanto sua postura nas relações exteriores. O ex-ministro que parece ter saído de um sarcófago ideológico da Guerra Fria surge com suas gravatas vermelhas e seus devaneios geopolíticos típicos de quem acredita que a Venezuela é uma democracia vibrante e que a Coreia do Norte só precisa de um abraço.
Pois é. Na matéria da Folha de S.Paulo, assinada por Patrícia Campos Mello e Ricardo Della Coletta, somos brindados com mais uma aula de revisionismo moral. Amorim, em tom de severo paladino da justiça internacional, decreta que o Brasil não deve aceitar o novo embaixador de Israel e que é preciso aderir formalmente à ação da África do Sul contra o Estado judeu na Corte Internacional de Justiça, acusando o país de “genocídio”.
Sim, você leu certo. O senhor que serviu alegremente aos governos mais corruptos da história brasileira agora quer ditar os termos da moralidade global. O mesmo que bajulou ditaduras socialistas do tipo “família Castro & Associados” e se derretia por Mahmoud Ahmadinejad com um brilho nos olhos. A esse tipo de personagem, a esquerda brasileira chama de “diplomata experiente”. Nós, com alguma lucidez, chamamos de fóssil ideológico.
Enquanto Israel tenta, com todas as limitações de um país sob constante ameaça terrorista, defender sua população do Hamas — grupo reconhecido internacionalmente como terrorista — Amorim prefere acusar de genocídio justamente a única democracia funcional do Oriente Médio. Claro, na cartilha da esquerda, terrorismo é resistência, genocida é quem se defende, e paz só existe se for mediada por Cuba, Irã ou China.
Falando em China, Amorim lamenta que o ditador Xi Jinping não venha à cúpula do BRICS no Rio. Ai, que saudade do camarada Xi!, pensa o assessor presidencial, que parece mais ofendido com a ausência do presidente chinês do que com os baldes de sangue derramados pelas ruas de Gaza por obra e graça do Hamas. Prioridades revolucionárias, sabe como é.
Mas o melhor ainda está por vir. Amorim afirma, com aquele tom professoral digno de uma reunião de DCE dos anos 70, que o Brasil deveria ser “muito severo” com Israel no acordo de livre comércio e que talvez fosse o caso até de suspendê-lo. Ah, claro! Porque o Brasil, esse farol diplomático do Sul Global, pode se dar ao luxo de virar as costas para uma das economias mais dinâmicas em tecnologia e inovação do planeta. Tudo isso para agradar… Xi Jinping e Mahmoud Abbas.
Você acha que acabou? Não. Nosso diplomata lunático ainda faz questão de relativizar os ataques do Hamas, mas condena, com a fúria de um inquisidor progressista, a reação de Israel. Segundo Amorim, “é ruim matar 2.000 pessoas, mas 70.000 é genocídio”. Ah tá! Então temos agora um genocidômetro? Uma régua moral baseada em estatísticas militantes, onde o Hamas pode decapitar bebês, mas Israel precisa pedir desculpas por se defender?
E como todo bom militante travestido de diplomata, Amorim não perde a chance de alfinetar os Estados Unidos. Segundo ele, o multilateralismo está sendo “atacado” por Washington — leia-se: Trump está no poder e, portanto, é preciso transformar qualquer acordo bilateral que não passe por Pequim ou Moscou em “ameaça à ordem mundial”.
Sim, a mesma ONU que fecha os olhos para os campos de concentração da China e para os horrores do regime iraniano, essa mesma ONU que acolhe ditadores com tapete vermelho, é, na cabeça de Amorim, o guardião da moralidade internacional. Dá para levar a sério? Só se você também acha que Nicolás Maduro é um estadista democrático.
Mas é preciso reconhecer: a habilidade de Celso Amorim em inverter a realidade é quase poética. Ele transforma o genocida em vítima, o terrorista em oprimido e o aliado democrático em inimigo. E tudo isso com uma cara tão séria que chega a dar medo. Ele poderia facilmente passar por um vilão de novela venezuelana: elegante, articulado e completamente alheio ao senso comum.
No fundo, o que Amorim representa é a alma da extrema-esquerda brasileira: autoritária no conteúdo, dissimulada na forma e profundamente apaixonada pelos inimigos da liberdade. Não se trata de diplomacia, mas de um projeto ideológico. A intenção nunca foi promover a paz, mas destruir o Ocidente por dentro, minar Israel, corroer os EUA, e endeusar os tiranos do eixo anti-imperialista.
E enquanto Amorim joga suas bombas retóricas em Israel e afaga ditadores de plantão, os brasileiros no Oriente Médio ficam mais vulneráveis, as oportunidades comerciais são jogadas fora, e o nome do Brasil vai sendo enterrado lentamente sob toneladas de hipocrisia diplomática. Um vexame em escala internacional, com selo de aprovação do Planalto.
O que a entrevista da Folha revela, por fim, não é um “debate sobre geopolítica”, mas uma ode ao delírio progressista. Um festival de contradições onde Amorim posa de defensor da paz, mas aplaude o Hamas. Onde fala em justiça, mas idolatra ditadores. Onde defende o multilateralismo, desde que ele seja comandado por Pequim, Caracas ou Teerã.
É a diplomacia da vergonha. É o Brasil sendo guiado por um assessor que, se tivesse um pingo de coerência, pediria asilo em Havana e deixaria a política internacional em paz.
Porque enquanto Celso Amorim estiver sussurrando ao ouvido de Lula, o Brasil continuará tropeçando no palco global — de mãos dadas com os piores regimes do planeta e chutando os próprios aliados.
E depois ainda querem nos convencer de que o extremista é o outro lado…
Com informações Folha de S.Paulo
















