
O jornalista Tácio Lorran, do portal Metrópoles, expôs mais uma ferida aberta do sistema político brasileiro, uma história que carrega em si o retrato de um poder corrompido, que insiste em zombar do povo. Trata-se da denúncia envolvendo Hugo Motta, atual presidente da Câmara dos Deputados, e sua chefe de gabinete, Ivanadja Velloso Meira Lima, ré em ação de improbidade administrativa por participar de um esquema de rachadinha. A investigação revelou que nada menos que dez funcionários e ex-funcionários do parlamentar assinaram procurações que concediam a ela poderes ilimitados para movimentar salários e realizar transações bancárias. Ou seja, o dinheiro público, fruto do suor do povo brasileiro, estava nas mãos de uma única pessoa, como se fosse propriedade privada, escancarando um sistema que se sustenta à base do aparelhamento, da troca de favores e da destruição da moralidade política.
Segundo o levantamento, essas procurações foram registradas desde 2011, ano em que Hugo Motta assumiu o cargo de deputado federal. Estamos falando de um mecanismo antigo, contínuo e que, ao que tudo indica, foi cuidadosamente mantido e expandido ao longo dos anos. Apenas nesse período, os salários movimentados pelos funcionários chegaram a mais de quatro milhões de reais. Enquanto isso, o cidadão comum luta para pagar suas contas, para sustentar sua família e sobreviver diante de uma máquina pública que consome impostos altíssimos e devolve corrupção, desonra e desprezo pela lei. O jornal Metrópoles, por meio da apuração de Tácio Lorran, mostra ainda que Ivanadja Velloso já havia sido ré por improbidade em outro gabinete, o do deputado Wilson Santiago, também do Republicanos da Paraíba, aliado direto de Hugo Motta. Lá, o esquema envolvia até mesmo um funcionário fantasma que sequer conhecia o número da própria conta bancária. E o mais impressionante é que a mesma personagem que operava no gabinete de um aliado, no dia seguinte ao desligamento, assumiu função central com Hugo Motta, mantendo os mesmos privilégios e as mesmas procurações que davam a ela total controle sobre os salários de terceiros.

O Ministério Público Federal, segundo a denúncia, usou como prova esses documentos para demonstrar a prática criminosa. Mas, como sempre acontece na elite política brasileira, a defesa insiste em afirmar que não há provas de enriquecimento ilícito. É sempre a mesma narrativa: enquanto o povo testemunha os fatos, enquanto documentos surgem, enquanto gravações e registros são expostos, a resposta é o silêncio ou a negação. Hugo Motta não se manifestou. Ivanadja Velloso preferiu o silêncio. Funcionários desligaram o telefone quando foram questionados se ficavam com o salário integral. Esse comportamento revela muito mais do que mil palavras: mostra o medo, a vergonha e, principalmente, a certeza de que o esquema não era uma exceção, mas uma regra dentro de gabinetes que deveriam servir ao povo.
Casos de funcionários fantasmas, como o do motorista e caseiro Ary Gustavo Xavier Guedes Soares, são um insulto à inteligência do cidadão brasileiro. Esse homem, responsável por cuidar da fazenda particular do deputado, recebeu mais de um milhão de reais em remunerações da Câmara, ao mesmo tempo em que assinava procurações permitindo que sua chefe de gabinete movimentasse o dinheiro. Outro exemplo gritante é o de Maria Socorro de Oliveira, nomeada no gabinete de Hugo Motta enquanto trabalhava em cargo no governo da Paraíba, algo proibido pela Constituição. Em ambos os casos, fica claro que o dinheiro público foi tratado como se fosse um cofre privado, uma mesada garantida por procurações registradas em cartório.

E o escândalo não para por aí. Como destacou Tácio Lorran, familiares inteiros chegaram a ser empregados no gabinete de Hugo Motta, recebendo juntos mais de 2,8 milhões de reais. A fisioterapeuta Gabriela Pagidis, por exemplo, recebeu mais de oitocentos mil reais, mesmo sendo flagrada em atividades pessoais, frequentando academia e zoológico, no horário em que deveria trabalhar. Enquanto isso, a mãe, a irmã, a tia e o primo também integraram a folha de pagamento. Isso não é apenas imoral, é um deboche contra os trabalhadores brasileiros que sustentam, com impostos extorsivos, um esquema de privilégios que parece nunca acabar.
O jornal Metrópoles, pela voz de Tácio Lorran, cumpre o papel de mostrar o que muitos preferem esconder. Mas a questão que permanece é: até quando? Até quando veremos parlamentares envolvidos em esquemas de rachadinha, improbidade administrativa, funcionários fantasmas e nepotismo, sem que nada seja feito de concreto? Até quando o cidadão será obrigado a sustentar um sistema que, em vez de servir à nação, serve apenas a projetos pessoais de poder e enriquecimento?

O caso de Hugo Motta e sua chefe de gabinete não é um episódio isolado, mas sim parte de um padrão que se repete em diferentes partidos, em diferentes estados e em diferentes mandatos. Trata-se de uma prática entranhada na cultura política brasileira, que despreza a moral cristã, a ética conservadora e os valores de responsabilidade com o bem público. Cada vez que uma denúncia como essa vem à tona, o brasileiro honesto sente o peso da injustiça e percebe que precisa lutar, mais do que nunca, pela mudança real, pela responsabilização e pela moralização da política.
O povo precisa estar atento, vigilante e não se calar. É preciso resgatar o espírito conservador de ordem, disciplina e respeito à lei. O Brasil não aguenta mais a farra dos funcionários fantasmas, das rachadinhas e das famílias inteiras que vivem às custas da miséria popular. O caso revelado por Tácio Lorran não pode ser apenas mais uma manchete esquecida. Ele deve servir como alerta, como prova de que precisamos exigir, de forma firme, que a política brasileira seja depurada, que os corruptos sejam punidos e que o dinheiro público volte a cumprir sua função: servir à nação, e não enriquecer gabinetes e chefes de gabinete.
Com informações Metrópoles
















