
A COP 30 no Brasil, anunciada com pompa e circunstância pelo governo, se transformou exatamente no que qualquer brasileiro atento poderia prever: um espetáculo de escândalos, desperdício de dinheiro público e uma vitrine mundial da incompetência e da corrupção endêmica. A promessa de mostrar a Amazônia ao mundo não passou de um pretexto para reeditar os velhos esquemas que marcaram as administrações petistas, enquanto a população segue pagando a conta. É a mesma fórmula vista na Copa do Mundo e nas Olimpíadas: obras faraônicas, superfaturamento, prazos estourados e benefícios inexistentes para o cidadão comum. Ao escolher Belém como sede, o governo não buscou praticidade, infraestrutura ou capacidade de receber delegações internacionais. Buscou sim o ambiente perfeito para contratos obscuros, licitações direcionadas e acordos de bastidores que enchem os bolsos de poucos às custas de muitos.
A Procuradoria-Geral da República já aponta para indícios gritantes de fraude milionária. O caso de Francisco Galhardo, policial militar que movimentou dezenas de milhões de reais em espécie às vésperas da eleição, é apenas a ponta do iceberg. Empresas ligadas a ele e a seus comparsas venceram centenas de milhões em licitações relacionadas à COP 30. O cenário é o mesmo de sempre: um grupo organizado para desviar recursos, manipular processos e explorar o Estado em benefício próprio, tudo sob o olhar complacente do governo. Enquanto isso, o discurso ambientalista é rasgado e jogado fora, como se não passasse de peça publicitária para enganar ingênuos.
A ironia chega a ser grotesca. Para receber um evento sobre mudanças climáticas, desmataram o equivalente a 107 campos de futebol. Nenhum eco de indignação veio dos famosos “defensores da natureza” que, em outras circunstâncias, se acorrentam a árvores por muito menos. Nem Greta, nem Leonardo DiCaprio, nem qualquer celebridade verde ousou enfrentar o constrangimento de denunciar o que estava acontecendo. A imprensa, que adora posar de guardiã da moral, preferiu o silêncio. É a hipocrisia no seu estado mais puro: vale defender a floresta desde que não prejudique o governo que se apoia ideologicamente.
A crise de hospedagem é outro capítulo vergonhoso. A cidade precisava de 53 mil vagas, mas tinha pouco mais da metade disso. Resultado: hotéis multiplicaram preços de forma abusiva, com diárias que saltaram de 300 reais para absurdos 7 mil. A situação gerou revolta internacional, com mais de 25 países pedindo formalmente a mudança da sede para outra cidade. Mas, claro, mudar para São Paulo, Belo Horizonte ou Florianópolis, onde a infraestrutura existe e o custo seria menor, não é interessante para quem lucra com a precariedade. O planejamento foi substituído pela improvisação típica do “jeitinho brasileiro”, e a solução encontrada foi alugar transatlânticos para servir de hospedagem, ao custo milionário. Um vexame que reforça a imagem do Brasil como um país onde improviso, desperdício e desorganização andam de mãos dadas.
O fiasco da COP 30 não se limita ao aspecto logístico ou financeiro; ele expõe a total falta de preparo e de visão de estadista do atual presidente. Entre gafes internacionais e convites constrangedores a líderes como Donald Trump, que evidentemente não têm interesse em participar de um evento desorganizado, Lula mostra que seu foco está mais em aparecer no noticiário global do que em efetivamente contribuir para o debate climático. Sua postura de bar de esquina, marcada por declarações improvisadas e decisões erráticas, apenas reforça a percepção de que o Brasil está à deriva no cenário internacional.
O episódio também revela algo mais profundo: a incapacidade crônica de separar discurso e prática. Enquanto se vende uma imagem de defensor da Amazônia, o governo patrocina ações que a destroem. Enquanto se fala em combater as mudanças climáticas, cria-se um evento que multiplica emissões, destrói ecossistemas e consome recursos públicos que poderiam estar investidos em saneamento, saúde ou segurança. É a política transformada em espetáculo vazio, onde cada decisão serve a interesses de grupo, não ao bem comum.
Os aliados ideológicos se calam porque sabem que este é o preço da lealdade política. ONGs beneficiadas por verbas internacionais não vão denunciar quem lhes garante recursos. Celebridades “ambientalistas” não vão atacar um governo que compartilha de suas pautas identitárias. E a grande imprensa, cúmplice ou submissa, evita manchetes que possam desgastar o presidente. O resultado é um círculo vicioso de corrupção, silêncio e impunidade, que mina a credibilidade do país e afasta investimentos.
No fim, a COP 30 será lembrada não por debates climáticos ou avanços ambientais, mas como um retrato fiel do Brasil sob gestão petista: um país que desperdiça oportunidades, queimar recursos e que insiste em trocar eficiência por ideologia. A escolha de Belém, com sua infraestrutura limitada e seus desafios logísticos, jamais teve como objetivo mostrar a Amazônia ao mundo de forma positiva. Serviu, isso sim, para criar um terreno fértil para irregularidades e contratos duvidosos, que se multiplicam à sombra da floresta.
O mais trágico é que essa realidade já é conhecida e repetida à exaustão na história recente. O Brasil parece condenado a reviver o mesmo roteiro: governo populista, promessas grandiosas, eventos internacionais usados como vitrine e, no final, escândalos e prejuízo para a nação. Enquanto a população paga caro por cada erro, os responsáveis seguem impunes, protegidos por um sistema que recompensa a mediocridade e pune a competência. A COP 30, longe de ser um marco de progresso, será apenas mais um capítulo na longa novela da corrupção brasileira. E, assim, o mundo inteiro assistirá, mais uma vez, ao espetáculo deprimente de um país que poderia ser potência, mas que se contenta em ser piada.
















