
Você, leitor do Conservadores Online, sabe muito bem que a política no Brasil nunca foi para amadores — e muito menos para ingênuos. Pois é, nesta semana, a jornalista Nathalia Garcia, da Folha de S.Paulo, trouxe à tona mais um capítulo do teatro monetário encenado por nossos gestores da economia: a expectativa de que o Copom, o famoso Comitê de Política Monetária do Banco Central, deve elevar a Selic para nada menos que 14,75% ao ano. Isso mesmo, amigo: a maior taxa em quase 20 anos. E nós, os brasileiros que ainda produzem, investem e geram emprego, seremos mais uma vez chamados para pagar a conta.
E aí, eu te pergunto: até quando essa comédia será tratada como ciência? Até quando vamos aceitar o teatro tecnocrático que disfarça decisões políticas com roupagem de neutralidade técnica? A desculpa da vez é velha conhecida: controlar a inflação. Mas será mesmo?
A matéria da Folha, publicada às 23h do dia 6 de maio de 2025, desenha com todas as letras o cenário que já conhecemos de cor e salteado. Trinta e uma das 32 instituições consultadas pela Bloomberg projetam uma alta de 0,5 ponto percentual, e só uma — talvez por compaixão ou delírio — acredita em uma elevação mais modesta de 0,25. A justificativa? A velha ladainha de “incerteza, cautela e flexibilidade”. Termos pomposos que, traduzidos para o português claro e honesto, significam: “não sabemos o que estamos fazendo, mas faremos parecer que sim”.
E nesse cenário, onde a inflação está distante da meta, o dólar oscila e os preços continuam salgados, o Banco Central vem sinalizando que o ciclo de alta de juros está “quase” no fim. Quase. Porque como toda boa novela institucional brasileira, o final é sempre adiado com o “vai que dá ruim”. E o problema, claro, nunca é da gestão pública desastrosa, dos gastos insustentáveis ou da instabilidade legislativa. O problema, dizem eles, é do “mercado”, da “guerra comercial dos EUA”, da “volatilidade global”.
Mas você, caro leitor, já entendeu o jogo. A elevação da Selic, embora justificada por modelos econômicos e gráficos coloridos, não é apenas uma medida técnica — é um ato político. Um ato que transfere para você, cidadão comum, os custos da incompetência de Brasília. E não falo apenas do Planalto. Falo do Congresso, do STF, dos ministérios inchados e das estatais parasitárias que sugam o Brasil produtivo.
Enquanto o Federal Reserve dos Estados Unidos mantém a taxa de juros no intervalo entre 4,25% e 4,50% — mesmo sob pressão do presidente Donald —, o Brasil se prepara para subir os juros a um patamar surreal de quase 15%. O que isso diz sobre a nossa condução econômica? Que estamos no caminho certo? Não. Que estamos tentando sobreviver ao caos que nós mesmos criamos.
E ainda há quem trate essas decisões com reverência acadêmica, como se fossem dogmas econômicos esculpidos nas tábuas de Moisés. Quando, na verdade, o que vemos é uma tentativa desesperada de estancar a hemorragia de credibilidade de um governo fraco, refém do populismo e sem rumo fiscal.
O economista Alexandre Schwartsman não esconde a gravidade da situação: a inflação está longe da meta, o crescimento é medíocre e a economia opera acima do seu “potencial” — o que é um jeito sofisticado de dizer que o consumo está artificialmente aquecido por programas eleitoreiros e crédito irresponsável. E quando a inflação sobe, qual é a solução da cartilha? Mais juros. Sempre mais juros.
Já o economista Marco Antonio Caruso, do Santander, tenta ser um pouco mais otimista. Fala sobre o “efeito desinflacionário” do tarifaço americano, a valorização cambial e a possibilidade de flexibilizar os juros no final do ano. Mas veja bem: tudo isso se houver responsabilidade fiscal. Vê vocêCom a inflação colaborar. Ou seja: se o milagre acontecer.
Mas não se engane. Nenhum milagre virá sem reformas sérias, sem corte de gastos, sem desinchar a máquina pública e sem retomar o protagonismo do setor privado. E disso, este governo — qualquer governo — foge como o diabo da cruz.
A economista Tatiana Pinheiro, da Galapagos Capital, coloca o dedo na ferida: não há sinalização real de que o Banco Central está prestes a parar de apertar os juros. O discurso oficial segue duro, e com razão. Porque não há como baixar os juros sem uma política fiscal minimamente responsável. E convenhamos: esperar responsabilidade fiscal de Brasília é como esperar honestidade em licitação de obra pública. Pode até acontecer, mas não com frequência.
E enquanto os tecnocratas se reúnem em suas salas refrigeradas para “avaliar o cenário”, você, empreendedor, autônomo, assalariado, comerciante, é quem sentirá o impacto direto dessa decisão.
E aí está o ponto que precisa ser repetido mil vezes: juros altos não são solução. São confissão de fracasso.
Fracasso de um Estado que gasta demais.
Fracasso de uma elite política que não entrega reformas.
Fracasso de um sistema tributário hostil à produção.
Fracasso de uma justiça que pune quem empreende e recompensa quem parasita.
A jornalista Nathalia Garcia captou com precisão o espírito da “superquarta” — como chamam o dia em que Brasil e Estados Unidos decidem suas taxas de juros. Mas enquanto os americanos mantêm a racionalidade, aqui seguimos subindo os degraus da taxa Selic como quem foge de um incêndio que nós mesmos ateamos.
E quem paga essa conta?
Você, leitor. Você que não tem blindagem cambial, nem fundo em dólar.
Você que não vive de especulação, mas de trabalho honesto.
Você que ainda acredita no Brasil — apesar dos brasileiros que o governam.
Não há como dourar a pílula. Estamos diante de uma escolha entre o suicídio fiscal ou o colapso inflacionário. E até agora, o que temos visto é o governo tentando fazer mágica com palavras, enquanto o povo faz malabarismo para fechar as contas do mês.
Querem combater a inflação? Comecem com o fim das desonerações irresponsáveis, com a revisão do funcionalismo improdutivo, com privatizações reais e não cosméticas. Mas isso, claro, não interessa a quem vive do Estado — apenas a quem vive para sustentar o Estado.
Então, da próxima vez que alguém te disser que o Copom vai subir os juros para “proteger a economia”, pergunte: de qual economia estamos falando? Porque a minha — e talvez a sua — está sendo asfixiada por decisões que protegem apenas os números da planilha e os interesses dos mesmos de sempre.
A alta da Selic para 14,75% ao ano, como prevêem os analistas, não é um passo técnico. É um passo ideológico. É a escolha consciente de transferir o peso da irresponsabilidade estatal para os ombros de quem produz.
Mas você, leitor do Conservadores Online, não será enganado. Você já entendeu o jogo. E já sabe: o Brasil só será livre quando o Estado deixar de ser o maior inimigo da sua liberdade econômica.
Com informações Folha de S.Paulo
















