
O palco estava montado para mais um espetáculo de ilusões geopolíticas: a tão esperada cúpula do BRICS, programada para acontecer no Rio de Janeiro, entre os dias 4 e 7 de julho. Lula, com sua costumeira pose de estadista incompreendido, parecia acreditar que o mundo ainda orbitava em torno das fantasias do “Brasil que voltou”. No entanto, à medida que os dias se aproximam, o que se desenha não é uma cúpula — mas sim um velório simbólico da relevância diplomática lulopetista. Uma após a outra, as lideranças de peso vão declinando o convite: Vladimir Putin, Xi Jinping, Mohammed bin Salman, Ebrahim Raisi, Abdel Fattah al-Sisi. O Oriente Médio? Nenhum chefe de Estado virá. O Ocidente? Ri de longe. E o único que ousa pisar em solo brasileiro com algum prestígio internacional é Narendra Modi, o primeiro-ministro da Índia — um conservador convicto, religioso, nacionalista e pró-mercado. O contraste com Lula não poderia ser mais gritante.
O desfalque de lideranças no BRICS é mais do que uma coincidência logística. É um recado velado — e ensurdecedor — da nova ordem mundial que se desenha. A Rússia, atolada na guerra que iniciou contra a Ucrânia e cuja presença internacional está reduzida à resistência dos que ainda flertam com autoritarismo, não ousa enviar Putin, que teme ser detido por um mandado do Tribunal Penal Internacional. Xi Jinping, cada vez mais fechado em sua redoma ideológica e pragmática, simplesmente não vê utilidade em se associar a um evento vazio liderado por um Brasil que, sob Lula, voltou a ser irrelevante. Já os líderes árabes, mesmo com toda a retórica pró-palestina que Lula adota como se fosse aluno de um cursinho militante de ciências sociais da USP, optam por não comparecer.
O motivo? Todos eles dependem — em graus variados — do Ocidente, mais especificamente dos Estados Unidos sob eventual retorno de Donald Trump, que deixou claro que sua doutrina é de força, clareza e rejeição a alianças que enfraqueçam a soberania americana. Os países árabes sabem que, por mais que demonstrem alguma simpatia pública pelos palestinos, a realpolitik exige alianças com quem tem poder real. E Lula, na sua bolha revolucionária do início dos anos 2000, ainda acredita que posar ao lado de Nicolás Maduro ou defender ayatolás trará algum respeito internacional. Não traz. Só reforça a imagem de que o Brasil está governado por um líder que parou no tempo e não compreendeu a nova geopolítica global.
É curioso que o único líder a prestigiar o encontro seja justamente aquele que representa tudo o que Lula combate: liberdade econômica, propriedade privada, democracia sólida, soberania nacional e valores civilizacionais milenares. Narendra Modi, diferentemente do socialismo de palanque de Lula, está implementando na Índia uma revolução capitalista: privatizações reais, fim da terra comunal, fomento ao empreendedorismo e investimento em infraestrutura. Resultado? A Índia ultrapassa o Brasil em saneamento básico — algo impensável há 20 anos. Enquanto o Brasil entrega o SUS aos cupins ideológicos e oferece picanha subsidiada como símbolo de progresso, a Índia entrega crescimento econômico sólido e protagonismo internacional.
E por que Modi viria ao Brasil, afinal? Talvez para marcar posição. Talvez como um sinal diplomático aos aliados estratégicos no Ocidente. Ou talvez — quem sabe — para observar de perto o ocaso da utopia progressista latino-americana encarnada no lulismo. Pode ser que venha como um mensageiro sutil de Trump, ou como representante da nova Ásia, mais afeita a negócios do que a panfletos. De qualquer forma, sua presença escancara o ridículo da solidão do anfitrião.
O episódio do mapinha verde da Palestina, sempre citado por militantes ignorantes como prova irrefutável de um “genocídio”, revela a profundidade do abismo intelectual de quem hoje ocupa o Planalto. Ignoram que a tal “Palestina” nunca foi um Estado, que a área era domínio britânico, e que foi a própria ONU — sim, a ONU que tanto veneram — quem definiu os contornos de Israel e de uma Jordânia hoje esquecida no discurso dos “oprimidos”. Mas quem se importa com história quando se tem ideologia? Lula, fiel ao que há de mais caricato na esquerda latino-americana, insiste em apoiar o errado só porque este diz ser o mais fraco. E acaba, como sempre, isolado até dos seus supostos aliados.
A verdade é simples, crua e incômoda: o BRICS não é uma potência alternativa, é uma ficção ideológica que tenta unir ditaduras fracassadas com democracias cansadas. Uma salada geopolítica indigesta que nunca produzirá resultados reais. E agora, como numa peça em que todos abandonam o palco antes da estreia, restou a Lula carregar o caixão de um sonho que nunca teve lastro. Nem Xi, nem Putin, nem os líderes árabes querem posar ao lado de quem representa o atraso, a confusão e a mediocridade.
E talvez esse seja o maior presente que essa cúpula poderia nos oferecer: a constatação de que o tempo dos truques de palanque está acabando. Que a retórica do “Brasil voltou” não convence nem mesmo os que há décadas cortejam inimigos do Ocidente. Que a diplomacia brasileira precisa parar de servir à vaidade de um homem e voltar a servir os interesses permanentes da nação. E que a liberdade, a propriedade privada, a ordem e o mérito, por mais que tentem calar, continuam sendo os pilares do futuro das nações sérias.
Conclusão conservadora:
No fim das contas, o que se vê não é apenas o isolamento de um presidente, mas a falência de uma visão de mundo. O globalismo de esquerda, o antiamericanismo rastaquera e a política externa baseada em ressentimento e nostalgia sindicalista não resistem ao teste da realidade. O futuro pertence aos que compreendem a força da liberdade, da soberania, da fé e da civilização. E nesse mundo novo, onde a Índia cresce, Israel inova, os EUA se impõem, e o Brasil assiste perplexo ao próprio enfraquecimento, resta ao povo brasileiro escolher: continuar assistindo a esse teatro decadente ou reencontrar a grandeza que só os valores conservadores podem devolver.
















