“Decepção com Lula 3 ameaça hegemonia petista no Nordeste…”, diz O Globo

Durante décadas, o Partido dos Trabalhadores desfrutou de um reinado quase absoluto no imaginário popular do Nordeste brasileiro. Alimentado por discursos

Por Notas & Informações

Durante décadas, o Partido dos Trabalhadores desfrutou de um reinado quase absoluto no imaginário popular do Nordeste brasileiro. Alimentado por discursos carismáticos, programas sociais emblemáticos e um marketing político que tocava os corações mais simples, Lula ergueu-se como um ícone, um “pai dos pobres”, um símbolo da esperança popular. Mas os tempos mudaram. E a realidade — aquela que não perdoa narrativas fantasiosas — bateu à porta com a delicadeza de um furacão.

Hoje, o que se vê nas vielas de Salvador, nos mercados populares, nas praias da Barra e nos subúrbios da capital baiana, é o despertar de um povo que começa a tirar a venda dos olhos. O retrato feito pelo jornalista Eduardo Graça, em reportagem publicada por O Globo, é um documento histórico sobre o colapso da fé popular no terceiro governo Lula. Mais do que estatísticas e gráficos, os relatos ali colhidos são gritos de frustração, decepção e abandono.

Cleber Silva, garçom de 44 anos, exprime em sua fala uma síntese do fracasso lulista: “Tinha a crença de que minha vida iria melhorar, como aconteceu nos outros mandatos dele. Mas, nestes dois anos e meio, foi o contrário.” Não se trata mais de discussões sobre políticas públicas sofisticadas ou debates acadêmicos sobre o papel do Estado. Trata-se de uma percepção visceral de que Lula sumiu, evaporou-se, abandonou o povo que o levou de volta ao Planalto com a promessa de redenção.

A tal “taxa das blusinhas”, o caos do INSS, os preços cada vez mais irreais dos alimentos, a falência da segurança pública e o retorno da sensação de corrupção — todos esses elementos estão presentes na narrativa de um povo que, antes de tudo, queria ser ouvido. E não foi. A retórica empática de outrora deu lugar a um discurso técnico, frio e frequentemente arrogante, como se a máquina pública fosse um fim em si mesma e não um meio para servir o cidadão.

Ainda mais sintomático é ver que a desilusão não vem apenas da classe média descontente, mas dos fiéis lulistas históricos. O Nordeste, que por tanto tempo foi tratado como curral eleitoral do PT, agora se rebela. E não porque virou bolsonarista — longe disso. A maioria nem sequer sabe em quem votará. Mas sabem em quem não votarão mais. O voto em Lula deixou de ser ato de fé para se tornar ato de resistência cega contra o que julgam ser a “extrema-direita”. Mas até essa justificativa já não empolga. Há apenas resignação. Apatia. Cansaço.

“Cadê o Lula? Ele sumiu”, questiona Cleber. E, de fato, o Lula de 2025 não é mais o operário emocionado de 2003. É um político distante, blindado por ministros e técnicos que falam para a imprensa e não para o povo. E mesmo quando tenta se comunicar, foca-se em pautas que não dialogam com as necessidades concretas da população. Inclusão de minorias? Sim. Mas e o arroz, o feijão, o gás, o atendimento médico, o transporte, a segurança? O povo quer dignidade, não doutrinação.

Enquanto isso, personagens como Giselle Improta, ex-trocadora de ônibus, hoje boleira desempregada, expressam um sentimento generalizado: “Não voto mais no Lula nem a pau.” E isso não vem do ódio ideológico. Vem da vida. Da sensação de abandono. Do fracasso da esperança.

O mais curioso é que nem mesmo os lulistas convictos conseguem defender com entusiasmo o atual governo. “Votarei nele de novo para evitar a volta da extrema-direita”, dizem, como quem escolhe o menos pior num cardápio indigesto. Isso não é apoio. É chantagem emocional eleitoral. E esse tipo de estratégia tem prazo de validade.

O Brasil vive um momento dramático. A esquerda perdeu seu discurso de conexão com o povo. A direita ainda não conseguiu produzir um candidato que dialogue além da sua bolha. E a dita “terceira via” nunca se materializou. O resultado é um vácuo político que se transforma em descrença, abstenção e, pior, cinismo eleitoral.

Mas para os conservadores liberais, isso tudo já era esperado. A estrutura de poder petista é, por essência, centralizadora, dependente do assistencialismo e avessa ao mérito individual. Seu projeto não é libertar o cidadão, mas torná-lo dependente do Estado. Quando o dinheiro escasseia, quando a propaganda não dá conta de esconder a realidade, a decepção vem como avalanche. A conta do populismo chegou — e o Nordeste, antes cativo, começa a se rebelar.

A beleza dessa movimentação não está na simples rejeição a um governo. Está na tomada de consciência de que o Brasil precisa, urgentemente, de um novo pacto com a verdade, com a responsabilidade e com a liberdade individual. A resposta a esse momento não será dada por slogans ou por salvadores da pátria. Será construída por cidadãos que recusam ser massa de manobra.

Ao fim e ao cabo, a reportagem de Eduardo Graça, em O Globo, revela mais do que a insatisfação com um governo. Revela a crise de um modelo político que se exauriu. Um modelo baseado em promessas vazias, na manipulação emocional dos pobres, na taxação insana da classe produtiva e na arrogância de quem acha que governar é doutrinar.

O povo quer viver com dignidade. Quer segurança. Quer liberdade para empreender, educar seus filhos e prosperar. E é exatamente por isso que o Brasil precisa reencontrar sua vocação liberal-conservadora: aquela que reconhece a importância da ordem, valoriza a liberdade com responsabilidade e defende a moral como fundamento de qualquer política pública séria.

Porque o problema não é o Lula ter desaparecido do celular de Giselle. É o Estado querer se manter presente até no bolso da vendedora de brigadeiros.

Com informações O Globo

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