Discurso de ‘nós contra eles’ é ruim e não fará o país crescer, diz Campos Neto à Folha de S.Paulo

Num país tomado por narrativas, onde o debate econômico virou palanque para ideologias, a lucidez virou exceção. E, nesse cenário distorcido,

Por Notas & Informações

Num país tomado por narrativas, onde o debate econômico virou palanque para ideologias, a lucidez virou exceção. E, nesse cenário distorcido, surge a entrevista do ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, à Folha de S.Paulo, como um verdadeiro oásis de racionalidade. Em tempos em que a política econômica virou um ringue onde a verdade é nocauteada por slogans populistas, ouvir Campos Neto é como ouvir o sino da realidade ecoando no deserto do negacionismo fiscal.

Sem apelar para o espetáculo, Campos Neto expõe o que o governo Lula — especialmente o ministro Fernando Haddad, ou melhor, “Fernando Taxadi” como já é conhecido nos bastidores do mercado — insiste em esconder: o Brasil está preso em uma espiral de irresponsabilidade fiscal. Enquanto o governo ensaia um discurso de “justiça social”, o que se vê é uma agenda de aumento da carga tributária, penalizando os setores produtivos e afastando o capital que poderia gerar emprego e renda.

Campos Neto escancara a lógica insustentável da atual política econômica: arrecada-se mais, gasta-se ainda mais, e no fim, sobra apenas o déficit. Simples, direto e devastador. A dívida pública cresce entre 3 e 5 pontos percentuais ao ano, e mesmo assim, o governo insiste em enfiar a mão no bolso de quem produz, enquanto mantém uma base assistencialista que, embora necessária em certa medida, está visivelmente fora de controle. Isso não é combate à pobreza — é a institucionalização da dependência.

A entrevista é um tapa na cara da ingenuidade coletiva fomentada pela máquina petista. Quando Campos Neto afirma que o “discurso de nós contra eles” só prejudica o país, ele desmascara o plano de poder do lulismo: dividir para conquistar. Estimular o ressentimento social, colocar empresários como inimigos do povo, enquanto o Estado se agiganta, sufoca a iniciativa privada e venera a igualdade forçada à custa da liberdade.

O mais triste é que tudo isso é maquiado por uma retórica vazia de inclusão, quando na verdade o que está sendo feito é exclusão do futuro. Porque sem credibilidade fiscal, não há juro baixo, não há investimento, não há emprego — só há inflação e estagnação. O Brasil vai ficando mais caro, mais inchado, mais lento. Enquanto isso, Haddad posa de estadista nas coletivas, anunciando pacotes como se fossem milagres, quando não passam de mais burocracia e mais impostos.

Campos Neto não está ali para ser simpático — e nem precisa. Ele fala com números, fatos, lógica. Reconhece que o problema não é monetário, mas fiscal. E mostra, com todas as letras, que o Banco Central tem feito o seu papel técnico, enquanto o governo federal brinca de Robin Hood com o cofre dos outros. Mas o cofre tem fundo, e o rombo fiscal não perdoa.

O diagnóstico é claro: não há mais espaço para aumentar impostos. O governo já torrou a margem de arrecadação. O único caminho é reestruturar o gasto público, reduzir isenções distorcidas sem prejudicar a poupança de longo prazo, e dar sinais concretos de compromisso com o equilíbrio das contas. Mas o que vemos? Aumento do IOF, taxação de bancos digitais, perseguição às empresas e criminalização do lucro. A receita perfeita para a fuga de cérebros, de capitais e de esperança.

Campos Neto ainda vai além ao identificar um movimento claro de virada à direita na América Latina. Não é um acaso: é uma reação natural ao fracasso progressista. As esquerdas latinas, com sua obsessão por igualdade, ignoram a realidade econômica mais básica: a igualdade forçada empobrece todos. Porque ela se constrói com dívida, impostos, interferência estatal e desestímulo à produção. O resultado é um Estado inflado, improdutivo, que distribui miséria em nome de uma utopia que jamais chega.

Talvez o ponto mais brilhante da entrevista — e mais cruel com a narrativa governista — seja a constatação de que o “choque fiscal” virá, goste ou não o Planalto. A conta não fecha, a corda arrebenta, e o governo será forçado, mais cedo ou mais tarde, a abandonar o delírio arrecadatório para encarar a realidade: ou se reestrutura o Estado ou se afunda o país. O único mistério é saber quanto de dano Haddad causará até admitir isso.

E se isso tudo ainda não fosse suficiente para demolir o castelo de areia lulopetista, Campos Neto encerra com uma lição simples, porém poderosa: não é possível manter um ambiente de investimento saudável se o discurso oficial trata o empresário como vilão. O resultado já está aí: milionários saindo do país, empresas abrindo capital no exterior, e o Brasil virando sinônimo de insegurança jurídica e tributária.

A entrevista é, portanto, mais que um alerta — é um diagnóstico clínico do fracasso de um governo que insiste em negar a matemática para agradar militâncias. E nesse diagnóstico, Fernando Haddad, o economista de retórica palatável e conteúdo raso, se revela um personagem que ficará na história como o ministro que tentou reformar o Titanic com fita crepe.

A conclusão inevitável, para quem ainda pensa com lucidez, é que o Brasil precisa urgentemente de um projeto que una responsabilidade fiscal com liberdade econômica, sem cair nas armadilhas ideológicas de um governo que prefere dividir o povo a fazer as reformas que realmente importam. E, por tudo isso, é impossível não parabenizar a jornalista Adriana Fernandes, da Folha de S.Paulo, por conduzir com sobriedade essa entrevista histórica, e ainda mais, prestar nossos sinceros aplausos a Roberto Campos Neto, que, mesmo fora do governo, segue sendo a voz mais racional da economia brasileira.

Enquanto isso, Haddad segue fazendo mágica com números, mas a conta, caro leitor, sempre chega. E chega com juros, correção e dor.

Com informações Folha de S.Paulo

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