
A revelação feita por Glenn Greenwald, jornalista americano notoriamente alinhado à esquerda progressista, sobre a iminente aplicação de mais sete sanções dos Estados Unidos contra cidadãos brasileiros com base na Lei Magnitsky, deveria provocar não apenas manchetes, mas também reflexão profunda sobre o que significa viver em uma sociedade democrática. O que Greenwald vê com receio — e até crítica — é, na verdade, uma demonstração clara de que o mundo civilizado não irá mais tolerar abusos sistemáticos cometidos por aqueles que se julgam intocáveis dentro de seus próprios regimes.
A Lei Magnitsky é, antes de tudo, uma ferramenta legítima para responsabilizar indivíduos — e não nações — por crimes graves contra os direitos humanos e atos de corrupção institucionalizada. Trata-se de uma lei que representa um avanço no direito internacional moderno, pois rompe com o silêncio diplomático histórico que sempre protegeu poderosos em suas zonas de influência. Quando a impunidade se torna regra dentro de certos sistemas, é natural que a comunidade internacional, guiada por princípios éticos universais, atue.
Os Estados Unidos, ao anunciar essas novas sanções, não estão interferindo na soberania do Brasil — estão, sim, dando um recado claro de que a violação de princípios fundamentais da dignidade humana terá consequências. Estamos falando de indivíduos, e não de julgamentos coletivos. Pessoas que, segundo investigações criteriosas e baseadas em padrões internacionais, cruzaram a linha do aceitável ao se envolver em abusos inaceitáveis, sejam eles em nome do poder político, da repressão ideológica ou do uso brutal da máquina estatal contra a população civil.
NOVA MAGNITSKY A CAMINHO
— Rafael Fontana (@RafaelFontana) August 7, 2025
Mais 7 sanções dos EUA contra brasileiros violadores de direitos humanos serão anunciadas, informa o jornalista Glenn Greenwald.pic.twitter.com/Gfe9uvPFgP
Não se trata aqui de uma disputa ideológica. Pelo contrário. É exatamente por reconhecer a seriedade dessas medidas que se deve aplaudir a coragem dos Estados Unidos em enfrentar os violadores de direitos humanos onde quer que estejam. E, diga-se de passagem, não é de hoje que certos personagens políticos no Brasil acreditam estar acima da lei. Vivem blindados por uma rede de apoio institucional, cercados de discursos de impunidade e protegidos por um sistema judicial seletivo e cada vez mais politizado.
As sanções que estão por vir, como bem indicou Greenwald, representam uma continuidade do que já se tornou um padrão de resposta da administração americana: isolar financeiramente e diplomaticamente quem utiliza o Estado para reprimir, perseguir e violar direitos. E se há brasileiros nesta lista, o problema não é a existência da sanção, mas sim o comportamento que os levou até ela. Que tipo de cidadão digno de respeito internacional teme a exposição à luz da justiça?
É revelador que, enquanto Glenn Greenwald alerta com preocupação, justamente por ter simpatia ideológica com muitos dos que se incomodam com essas sanções, a população mais conservadora, patriótica e amante da ordem constitucional receba essa notícia com alívio. Afinal, há anos o Brasil assiste à inversão de valores, à perseguição religiosa, à criminalização do pensamento conservador e à normalização da censura sob pretextos cada vez mais frágeis.
A Lei Magnitsky expõe uma verdade incômoda: há indivíduos no Brasil que agiram — e continuam agindo — como se fossem donos da democracia, usando as instituições para silenciar adversários, manipular processos, intimidar cidadãos e atropelar direitos civis em nome de uma suposta “ordem superior”. Mas essa “ordem” nada mais é do que a tentativa de perpetuar um poder hegemônico, incompatível com os valores da liberdade e da justiça.
Quando os Estados Unidos, maior democracia do mundo, aplicam esse tipo de sanção, estão protegendo não apenas os interesses de sua política externa, mas principalmente dando voz a milhares de vítimas que, em seus países, nunca verão justiça local. E, sim, o Brasil faz parte disso. Há hoje um setor do poder que age sem freios, que se recusa a prestar contas, e que persegue seus oponentes com o peso de instituições capturadas por agendas ideológicas.
Greenwald, mesmo sem intenção, prestou um serviço ao revelar o que está por vir. Talvez ele discorde das sanções por razões ideológicas, talvez tema que elas atinjam aliados políticos de sua visão de mundo. Mas os fatos falam por si. Quando as estruturas internas falham, quando a imprensa se cala e quando o próprio sistema se torna cúmplice, é mais do que justo — é necessário — que o mundo reaja.
Não há soberania verdadeira onde a tirania se esconde atrás de togas, onde o abuso é disfarçado de legalidade, e onde os direitos fundamentais são tratados como obstáculos ao “progresso”. Soberania não é carta branca para a opressão. E se há quem tema essa intervenção internacional, talvez seja hora de refletir sobre o motivo do medo.
O Brasil precisa, mais do que nunca, reaprender o valor da responsabilidade. A responsabilidade individual, legal, moral e institucional. E a Lei Magnitsky é um lembrete claro de que, em um mundo cada vez mais atento, o tempo da impunidade organizada está com os dias contados. Que os culpados sejam responsabilizados — aqui ou lá fora. Porque justiça que se cala diante do poder não é justiça, é cumplicidade.
Se o Brasil quer ser respeitado, precisa mostrar que é capaz de purificar suas estruturas por dentro. Mas até lá, que venham as sanções. Elas não são sinal de fraqueza nacional, mas de um mundo que se recusa a assistir passivamente a ascensão dos usurpadores.
















