
O Brasil vive um momento emblemático de sua história recente. Não se trata apenas de escândalos políticos, inquéritos repletos de narrativas enviesadas ou uma guerra de versões entre poderosos. Estamos diante de algo maior: um conflito direto entre a verdade e a engenharia institucional da mentira. O caso do ex-assessor especial da Presidência da República, Filipe Martins, que agora ganha contornos ainda mais explosivos com a revelação feita por seu novo advogado, Jeffrey Chiquini, é a ponta de um iceberg que ameaça naufragar o que resta de credibilidade no sistema de justiça e no Estado brasileiro.
Chiquini afirmou, em alto e bom som, que autoridades dos Estados Unidos já sabem quem forjou os registros imigratórios que teriam colocado Filipe em uma tentativa de fuga. Ou seja, não apenas o sistema jurídico brasileiro perseguiu o ex-assessor com base em evidências frágeis — agora já desmascaradas — como, possivelmente, se apoiou em documentos fraudulentos plantados para incriminar um cidadão sem provas concretas. O pior: essa farsa tem DNA institucional brasileiro.
Mais do que uma questão jurídica, o caso se converteu num espelho perturbador da nossa democracia. Falsificar dados em sistemas estrangeiros é uma afronta não só ao direito internacional, mas também ao espírito de justiça. Implica que há, dentro das estruturas do Estado brasileiro, agentes públicos dispostos a manipular provas para sustentar narrativas político-ideológicas. E quando isso acontece, o abismo entre governo e tirania torna-se perigosamente estreito.
A trama ganha dramaticidade quando se observa o contexto: Filipe Martins foi acusado de integrar o chamado “núcleo 2” da alegada tentativa de golpe de Estado — uma acusação que sempre pareceu frágil, mas que agora começa a desmoronar. A Polícia Federal afirmava que o ex-assessor teria fugido para os EUA no mesmo voo de Jair Bolsonaro, em 30 de dezembro de 2022. Contudo, a Latam confirmou que Filipe embarcou de Brasília para Curitiba no dia seguinte, 31 de dezembro. Onde está, então, a tentativa de fuga?
Mais uma peça de um enredo repleto de inconsistências começa a se encaixar. A defesa de Martins não apenas desmonta a acusação de fuga, como apresenta indícios de manipulação de dados imigratórios — algo gravíssimo, que extrapola os limites da legalidade e mergulha fundo na perseguição política. A quem interessa essa narrativa? Quem são os agentes públicos brasileiros envolvidos? Que estruturas estatais foram mobilizadas para sustentar essa mentira?
As perguntas se acumulam e, como de praxe, não encontram eco em boa parte da imprensa tradicional. Muitos jornalistas, outrora guardiões da liberdade e da crítica, parecem hoje satisfeitos com sua função de amplificadores oficiais das narrativas de Brasília. Quando uma denúncia tão séria como a feita por Chiquini surge, o silêncio ensurdecedor de certas redações é revelador. O jornalismo brasileiro sofre de uma espécie de cegueira voluntária, aquela que opta por ignorar os fatos que confrontam suas convicções políticas.
Felizmente, ainda restam profissionais como Guilherme Grandi, da Gazeta do Povo, que decidiram relatar os fatos sem maquiagem ideológica. Grandi registrou com clareza a denúncia de Chiquini e deu voz a uma verdade que muitos tentam silenciar. Isso é jornalismo. Isso é coragem. Porque, hoje, informar de forma honesta e imparcial virou ato de resistência.
Enquanto isso, figuras como Alexandre de Moraes seguem estendendo inquéritos, como o que envolve Eduardo Bolsonaro, como se o relógio da justiça estivesse eternamente a serviço de uma única narrativa. A tão falada “defesa da democracia” tem se mostrado, cada vez mais, um instrumento de intimidação. Não é mais o cidadão contra o Estado, mas o cidadão contra uma máquina narrativa blindada por decisões monocráticas, filtrada por uma imprensa militante e apoiada por estruturas internacionais de poder.
É curioso notar que, ao mesmo tempo em que esse cerco institucional se fecha, líderes globais conservadores, como Donald Trump, voltam a defender Bolsonaro. Não se trata apenas de amizade pessoal — é uma sinalização clara de que o mundo está observando os abusos que se cometem em nome da “justiça” no Brasil. O próprio Steve Bannon, ex-estrategista da Casa Branca, já alertou que Alexandre de Moraes pode vir a sofrer “sanções severas”. Os ventos internacionais começam a soprar contra os que usaram o sistema de forma indevida.
Nesse cenário, o que resta à sociedade brasileira é não ceder ao cansaço. Cada denúncia, cada inconsistência, cada prova ignorada é uma fagulha que pode reacender o desejo coletivo de reconstrução. Não se trata de defender indivíduos, mas de preservar os princípios. Sem justiça honesta, não há democracia; há apenas uma paródia institucional que serve a um projeto de poder.
A conclusão que se impõe não é otimista, mas é necessária: o Brasil precisa urgentemente de uma faxina ética e institucional. As estruturas do Estado foram contaminadas por um espírito persecutório e ideologicamente orientado. E quando os mecanismos da justiça deixam de servir à verdade e passam a perseguir seus alvos políticos, estamos diante de um novo tipo de golpe — o golpe da toga.
Como conservadores liberais, não podemos relativizar isso. Devemos sempre desconfiar de um Estado que se diz moralizador mas se apoia em mentiras para perseguir seus inimigos. O caso de Filipe Martins não é um episódio isolado — é um alerta. E, como bem nos lembra Guilherme Grandi, da Gazeta do Povo, ao registrar com seriedade e isenção os fatos dessa denúncia, a verdade pode ser adiada, mas não será enterrada para sempre. Um dia, as máscaras caem — e quem riu primeiro, certamente não rirá por último.
Com informações Gazeta do Povo
















