
O vídeo revelado pelo Metrópoles, resgatando a sabatina do então indicado ao STF, Alexandre de Moraes, ocorrida em 2017, escancara o que há de mais abjeto na política brasileira: o uso da conveniência ideológica como bússola moral. E quem protagoniza essa triste encenação? Ninguém menos que Gleisi Hoffmann, atual ministra de Lula, que, na época, era senadora — e uma crítica feroz de Moraes.
O conteúdo do vídeo é claro, objetivo e incontestável. Gleisi diz com todas as letras que é “extremamente preocupante” termos um ministro do Supremo com vinculações e compromissos partidários. E ainda aponta que Alexandre de Moraes era militante, filiado, e perseguidor político. É isso mesmo. Está registrado. Documentado. Gravado. Não é boato. Não é fake news. É fato.
Mas o que aconteceu depois? Passaram-se oito anos e, de uma hora para outra, o ministro que antes era visto como um “perigo à democracia” virou o queridinho da base governista. A Gleisi de 2017 acusava Moraes de ser parcial e antidemocrático. A Gleisi de 2025 o defende com unhas e dentes — não porque ele mudou, mas porque ela se rendeu ao aparelhamento total do Estado.
Esse tipo de comportamento diz muito sobre a moral flexível da esquerda. Em 2017, a ex-senadora usava como argumento central o fato de Alexandre de Moraes ter sido filiado ao PSDB, partido que, ironicamente, ela mesma debochava como em decadência. Mas, para atacar a direita, tudo serve. A coerência é dispensável, desde que a narrativa seja útil no momento.
Esse tipo de hipocrisia sistemática é marca registrada do projeto de poder petista. Eles acusam a direita de autoritarismo, mas reverenciam um ministro que foi amplamente criticado por perseguição política. Acusam a direita de golpismo, mas foram eles os primeiros a chamar o impeachment de Dilma Rousseff de “golpe”, mesmo com todos os ritos constitucionais cumpridos. Em 2017, Gleisi disse, diante de todos: “não é possível termos um ministro no STF com compromissos partidários”. Hoje, a mesma Gleisi silencia sobre Moraes. Aliás, mais do que silenciar: ela o exalta.
Como bem destacou o jornalista no vídeo da Metrópoles, aquilo que a esquerda chamava de “ameaça à democracia” agora é convenientemente embrulhado em papel de presente institucional. O problema nunca foi o que Moraes fez ou deixou de fazer. O problema sempre foi quem ele julgava. Se era contra o PT, era um perseguidor fascista. Se agora persegue a oposição conservadora, vira guardião da democracia.
O mais grave de tudo é ver como o Supremo Tribunal Federal vem sendo utilizado como arma política — algo que a própria esquerda condenava no passado. Quando é contra eles, é perseguição. Quando é contra os outros, é justiça. E isso é gravíssimo. O STF deveria ser um poder técnico, neutro, imparcial. Mas, ao que parece, virou uma trincheira de militância — com ministros que escolhem alvos, não causas constitucionais.
E o povo? O povo segue pagando a conta da politicagem. O brasileiro conservador, trabalhador, patriota, que quer ordem, progresso e respeito às liberdades, é tratado como inimigo do Estado. E isso acontece porque a esquerda, ao contrário do que prega, não tolera a divergência. Eles querem controle total da narrativa, da mídia, das redes, das instituições — inclusive das Supremas Cortes.
Essa inversão de valores é inadmissível para quem ainda zela por princípios. Não se pode normalizar que um ministro do STF seja exaltado por um lado e temido por outro — não por sua competência técnica, mas por suas ações seletivas. O mesmo Moraes que era combatido por Gleisi em 2017 hoje é celebrado por ela. Isso não é mudança de opinião. Isso é oportunismo descarado.
O Brasil vive um tempo em que os conservadores precisam fazer barulho. Precisam resgatar os registros, os vídeos, os discursos. Precisam lembrar à sociedade quem são os verdadeiros camaleões ideológicos dessa história. Não adianta o PT vir agora posar de democrata, quando no passado foi o primeiro a desacreditar instituições, a atacar adversários e a transformar a política em um projeto de vingança ideológica.
E não se trata de defender ou atacar Alexandre de Moraes. Trata-se de exigir coerência de quem ocupa cargos públicos e representa milhões de brasileiros. Gleisi Hoffmann não pode simplesmente ignorar o que disse no passado. Ela não pode querer que esqueçamos suas palavras em nome da conveniência de governo. O Brasil não é um quintal do PT. O povo não é massa de manobra. E a direita conservadora não ficará calada diante desse teatro.
Hoje, quem denuncia perseguição política, ativismo judicial e censura é chamado de radical. Mas foi a própria Gleisi quem usou esses mesmos argumentos em 2017 — e contra o mesmo ministro. O que mudou foi apenas o lado do balcão. Quando estavam fora do poder, denunciar era heroísmo. Agora, calar é sobrevivência.
A verdade é cristalina: a esquerda brasileira não tem compromisso com princípios. Tem compromisso com o poder. E usará tudo — inclusive o STF — para garantir seu domínio. É por isso que precisamos de uma oposição firme, combativa e sem medo de apontar o dedo para a incoerência. O Brasil não pode ser governado por quem muda de opinião conforme a maré. O país precisa de ordem, respeito às leis e coerência moral — algo que o vídeo da Metrópoles escancarou como ausente na conduta daqueles que hoje ocupam o Planalto.
Não esqueceremos. E não nos calaremos.
















