
A extrema-esquerda brasileira tem uma habilidade rara: transformar obviedades em discursos grandiosos, recheados de indignação seletiva, como se estivessem defendendo o último sopro da democracia. É quase uma arte, uma mistura de teatro político com roteiro de novela barata. Recentemente, a eterna porta-voz do petismo radical, Gleisi Hoffmann, resolveu dar mais uma de suas aulas de patriotismo fictício, publicando em suas redes sociais um texto que só pode ser classificado como uma pérola da hipocrisia política nacional. Nela, a autoproclamada guardiã da soberania, ministra-chefe da Secretaria de Relações Institucionais e deputada federal, resolveu exaltar o ministro Flávio Dino, aquele mesmo que troca o espírito da Justiça por discursos ideológicos. Gleisi, em sua sabedoria peculiar, celebrou as palavras de Dino que, segundo ela, “colocou os pingos nos is” ao afirmar que cidadãos no Brasil estão sujeitos às leis brasileiras e nada mais. Genial, não é? Como se fosse necessário um ministro do STF para esclarecer o que até um estudante de ensino fundamental já sabe.
Esse é o problema quando a esquerda tenta construir narrativas: eles pegam o óbvio, embrulham em papel colorido, colocam um laço vermelho e vendem como se fosse uma descoberta revolucionária. Gleisi chega a dizer que é “preciso reafirmar esse princípio de soberania” porque alguns ministros do STF estariam sendo sancionados ilegalmente pelo governo dos Estados Unidos. Ora, será que alguém avisa a Gleisi que, no mundo real, as ações de um país soberano, como os EUA, não pedem bênção da militância petista? É curioso ver a esquerda se doer tanto quando seus ídolos togados viram alvo da desconfiança internacional. Afinal, para eles, o Supremo é quase uma extensão do partido, um braço ideológico que deve ser blindado de qualquer crítica ou consequência.
E aqui entra um detalhe que Gleisi omite convenientemente: quando alguém é sancionado pela chamada Lei Magnitsky, não se trata de um capricho político, mas de um instrumento jurídico sério que pune violações de direitos humanos, corrupção sistêmica e abusos de poder. Essa lei, aprovada pelos EUA em 2012 e expandida para aplicação global em 2016, permite ao governo americano bloquear bens, congelar contas bancárias, proibir transações financeiras e até restringir viagens de indivíduos ou empresas envolvidas em práticas ilícitas. Em termos práticos, se uma empresa ou pessoa tenta driblar essa lei, corre o risco de simplesmente desaparecer do mercado internacional. Bancos, fornecedores e parceiros comerciais fogem como o diabo da cruz, temendo represálias. Em outras palavras: ignorar a Lei Magnitsky é assinar sua própria sentença de isolamento econômico. É como se o carimbo “persona non grata” fosse gravado na testa, visível em cada operação internacional.
Mas, como não poderia faltar, Gleisi resolveu temperar seu texto com a velha tática da esquerda: apontar o dedo para os “traidores da pátria”. E adivinhem quem são os vilões da vez? Claro, a família Bolsonaro. Segundo a narrativa dela, são os bolsonaristas os culpados pela falta de soberania, pela ingerência externa, pelas sanções e talvez até pelo aquecimento global. É sempre a mesma ladainha: não importa o que aconteça, o inimigo é sempre o mesmo. Para Gleisi, Bolsonaro e sua família são o bode expiatório perfeito, uma obsessão quase doentia que a esquerda alimenta para manter sua militância em constante estado de ódio.
A ironia é gritante. A mesma Gleisi que fala em “soberania nacional” foi aquela que, junto com seu partido, passou anos ajoelhada diante de ditaduras estrangeiras, seja elogiando o regime cubano falido, seja lambendo as botas da Venezuela chavista ou defendendo os caprichos de ditadores de plantão. Essa mesma esquerda que critica as sanções dos Estados Unidos contra figuras do STF jamais se levantou contra os abusos cometidos por regimes autoritários aliados ideológicos. Onde estava esse furor nacionalista quando Nicolás Maduro esmagava a democracia na Venezuela? Onde estavam os discursos inflamados quando cubanos eram presos por simplesmente pedir liberdade? A soberania só vale quando convém ao discurso, nunca como princípio real.
É hilário ver Gleisi usar o termo “traidores”. Se há uma palavra que deveria ser estudada por ela com mais cuidado é justamente essa. Traição é submeter o Brasil a décadas de corrupção sistêmica. Traição é usar o Estado como balcão de negócios partidários, transformando empresas estatais em caixas eletrônicos para políticos e seus comparsas. Traição é colocar ideologia acima do povo, enquanto milhões mergulhavam no desemprego e na pobreza durante os governos de seu partido. Chamar de traidores aqueles que ousam desafiar a cartilha esquerdista é apenas mais um ato desesperado de quem tenta reescrever a história a cada tweet.
Ministro Flávio Dino colocou os pingos nos is: cidadãos e cidadãs do Brasil no território nacional estão sujeitos, exclusivamente, à Constituição e às leis do Brasil. Parece óbvio, mas é preciso reafirmar esse princípio de soberania, quando até ministros do STF estão sendo…
— Gleisi Hoffmann (@gleisi) August 18, 2025
O mais curioso é que Gleisi e a esquerda parecem acreditar que o brasileiro médio ainda cai nesse tipo de narrativa. Eles subestimam a inteligência popular, imaginando que basta citar “Constituição” e “soberania” para parecerem estadistas iluminados. Mas o povo já percebeu que a esquerda, quando fala de soberania, na verdade está defendendo apenas seus próprios privilégios. Defender ministros do STF que se sentem acima do bem e do mal não é defender o Brasil. É proteger um sistema que se retroalimenta, onde poucos mandam e muitos obedecem, sem espaço para debate ou contestação.
Enquanto Gleisi tenta vender sua retórica de heroína da pátria, o brasileiro comum enfrenta a realidade que a esquerda prefere ignorar: inflação que castiga famílias, insegurança crescente, crise econômica mascarada por discursos triunfalistas e um governo que gasta mais energia tentando censurar opiniões do que resolvendo problemas concretos. Talvez fosse mais útil para o país se figuras como ela descessem do pedestal ideológico e encarassem os verdadeiros desafios nacionais. Mas pedir isso da extrema-esquerda é o mesmo que esperar que o gato cuide do peixe.
No fim das contas, a fala de Gleisi Hoffmann serve apenas para reforçar o que todos já sabem: a esquerda não sobrevive sem inimigos inventados e narrativas distorcidas. É preciso sempre criar monstros, apontar traidores, inflar discursos de soberania seletiva. É o teatro do absurdo em sua versão tropical, onde atores como Gleisi tentam convencer a plateia de que são defensores da pátria, quando na verdade não passam de propagandistas de uma ideologia fracassada. O brasileiro, cansado de tanta hipocrisia, não precisa de mais discursos como esse. Precisa de líderes verdadeiros, capazes de colocar o país acima de partidos e vaidades. E, definitivamente, Gleisi Hoffmann está longe de ser uma dessas líderes.
















