Governo corre para mudar IOF antes da viagem de Lula à França, diz Haddad

Sim, querido leitor do Conservadores Online, é exatamente isso que você acabou de ler — o futuro do seu dinheiro, do

Por Notas & Informações

Sim, querido leitor do Conservadores Online, é exatamente isso que você acabou de ler — o futuro do seu dinheiro, do seu investimento, da sua previsibilidade como cidadão pagador de impostos, está agora nas mãos de Fernando Haddad, o eterno aspirante a economista da revolução tributária, e será decidido antes da viagem de Lula à França. Porque, é claro, decisões cruciais para a estabilidade econômica de um país sério devem ser tomadas às pressas, entre a escolha do terno para a Torre Eiffel e o brinde com Macron.

Ah, a beleza da urgência governamental brasileira. A semana mal começou, e nosso presidente já está arrumando as malas, enquanto Haddad corre com a papelada do IOF debaixo do braço, tentando dar um ar de seriedade ao que, na prática, mais parece o roteiro de uma sitcom fiscal: “O que podemos mudar no imposto hoje, antes que o chefe embarque para mais uma turnê internacional?”

A ironia dessa tragicomédia foi bem capturada por Luís Batistela, da Revista Oeste, ao noticiar que Haddad pretende apresentar a solução final sobre o Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) até terça-feira, 3 de junho — exatamente o dia da viagem de Lula para Paris. Porque não há nada mais previsível e transparente do que decidir o futuro tributário do país no último segundo. Isso é que é planejamento.

E por falar em transparência, Haddad discursou com a calma de quem não carrega um déficit nas costas:

“Porque aí você faz uma combinação que dá para o investidor, para o cidadão, para o trabalhador um horizonte de regras do jogo daqui para a frente.”

Que fofo. Um horizonte. Só esqueceram de dizer que esse horizonte vive em constante movimento, como se o sol fiscal estivesse num eterno pôr do sol — sempre ali, mas nunca ao alcance. Regras do jogo? A cada semana, o governo inventa uma nova. É como jogar xadrez com um gambá, vendado e sem saber se os peões agora também andam em diagonal.

Claro, tudo isso seria apenas cômico se não fosse trágico. Afinal, o IOF impacta diretamente investimentos, operações de câmbio, crédito pessoal, seguros e até compras no exterior. Mas quem se importa com isso, não é mesmo? O importante é que a decisão seja tomada entre um café e um embarque presidencial. O show não pode parar, especialmente se o palco for em Paris.

Agora, vejamos a justificativa: Haddad diz que é preciso “integrar mudanças de curto e longo prazo” e alinhar tudo isso com as reformas estruturais. Palmas para o ministro, que finalmente descobriu que reformar um único tributo sem mexer no restante do cipoal fiscal brasileiro é o mesmo que tentar secar gelo com secador de cabelo. Mas isso ele só percebeu agora, em 2025. Aplausos atrasados.

E o melhor: ele se diz otimista com o diálogo entre Executivo e Legislativo. Claro que está! Com Hugo Motta (Republicanos-PB) e Davi Alcolumbre (União-AP) no elenco, o script do “acordão” já está escrito. Tudo muito republicano, muito transparente. Afinal, quando políticos de diferentes partidos se unem com urgência para “resolver uma questão fiscal”, podemos dormir tranquilos, certo?

Spoiler: não podemos.

O tal “conforto” da equipe econômica, segundo Haddad, vem justamente desse conluio de última hora, que mais parece aquele mutirão de estudantes que não estudaram nada o semestre inteiro, mas decidem fazer o trabalho final na véspera da entrega, com pizza, café e Ctrl+C/Ctrl+V. E o pior: apresentam como se fosse uma tese de mestrado.

Repare no trecho revelador da reportagem da Oeste:

“Com a retirada de parte da medida, o Ministério da Fazenda prepara uma nova estimativa.”

Uma nova estimativa. Porque a anterior já não serve. E a próxima? Bem, essa só vamos conhecer quando Haddad estiver pronto para embarcar para outro continente. Previsibilidade virou uma palavra mágica no dicionário petista — é dita com tanta frequência quanto “democracia”, mas aplicada com a mesma seriedade de quem promete regime na segunda-feira e já está na feijoada na terça.

Enquanto isso, o cidadão — aquele mesmo que Haddad diz querer proteger com “regras do jogo” — segue pagando IOF em operações rotineiras sem sequer saber para onde vai esse dinheiro. Ah, claro: vai para os cofres públicos. Aqueles mesmos que financiam as viagens presidenciais, os jantares diplomáticos e as embaixadas que vivem de ideologia e pouco resultado.

O mais irônico de tudo é que, no meio desse vendaval fiscal, Lula segue sendo vendido por Haddad como o homem que “traz estabilidade emocional ao Brasil”. Essa frase é real, foi dita por Haddad, e sim, ela merece ser lida com calma:

“Haddad, sobre Lula: ‘Traz estabilidade emocional ao Brasil.’”

Nada como um ex-presidente condenado, recondenado, descondenado e agora viajando o mundo com dinheiro público para trazer estabilidade emocional. Deve ser algum tipo muito avançado de terapia de choque. Enquanto o povo se debate com inflação, juros altos e tributação maluca, o líder máximo dá voltinhas na França e promete que, na volta, tudo vai melhorar.

Claro. Vai melhorar. Assim como o IOF, que será resolvido com a pressa de quem esqueceu de pagar uma conta e tenta evitar o corte da luz antes de viajar. O Brasil, meus caros, não é para amadores. É preciso muito cinismo para levar isso tudo a sério. E é justamente por isso que o sarcasmo é a única lente aceitável para observar essa tragicomédia diária.

E aqui fica a pergunta que não quer calar: se o governo é tão preocupado com previsibilidade, justiça tributária e estabilidade, por que a reforma do IOF não foi feita com debate público, ampla divulgação e tempo hábil para análise técnica?

A resposta é simples: porque transparência, neste governo, é só um palavreado bonito para enfeitar discursos, especialmente quando se está de malas prontas para outro país. Haddad poderia muito bem ter dito que está revisando o IOF “para garantir que o povo entenda cada passo dado e que nada será feito de maneira improvisada”. Mas isso exigiria honestidade — intelectual e administrativa.

No fundo, tudo isso revela a essência do petismo em sua mais pura forma: governar por impulsos, improvisos e narrativas, enquanto o povo trabalha, paga e sofre com a montanha-russa tributária. E se alguém reclamar, basta um discurso sobre “justiça social” e “combate à desigualdade” para acalmar os ânimos. Porque, no fim das contas, quem discorda “não entendeu o projeto”.

Entendeu sim. Entendeu que este país está sendo conduzido como uma carroça sem freio, em que o condutor está mais preocupado com o cenário do próximo discurso internacional do que com o buraco fiscal que se abre sob nossas rodas. E o IOF é só mais um sintoma — sintoma de uma gestão que se alimenta do improviso como método e da urgência como álibi.

Enquanto isso, a viagem a Paris segue firme, com Lula, Motta e Alcolumbre prontos para “representar o Brasil no exterior”. Talvez seja essa a única parte verdadeira de toda essa história: o Brasil, esse que eles representam lá fora, é exatamente o mesmo que assistimos aqui dentro — um circo de decisões apressadas, promessas requentadas e reformas que nunca vêm.

Mas ao menos, agora, temos a certeza de que o IOF será decidido com… previsibilidade. Sim, entre um croissant e uma taça de champanhe.

Com informações Revista Oeste

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