
É de cair o queixo ver a “nobre” iniciativa do governo Lula, capitaneada por aquela tal “Rede Minerva”, montada por foguetão de R$ 54,1 milhões – uma bagatela, claro, para controlar supostas fake news – que já abocanhou R$ 10,5 milhões e, pasmem, não produz nada digno de ser visto pelo público. Mas calma que tem mais: o diretor do Ibict, senhor Tiago Mourinho… opa, Emmanuel Nunes Braga, sequer esperou ser indicado para vestir a faixa de “pesquisador premiado” e acabou se autoindicando a uma bolha mensal de R$ 7 mil – estou brincando, obviamente, mas nada impede o cartório de passarem a registrar chover dinheiro em próprios bolsos.
É tão cínico que quase quero aplaudir de pé: um sujeito que, supostamente, dirige o instituto, vira bolsista do próprio caos que produz. E dizem que a indicação foi formalizada por uma substituta. Francamente. Em que planeta a lógica virou essa piada? Não bastasse isso, ainda financiam uma excursão espetacular a Cuba – sim, a Cuba de imprensa muleta e totalitarismo do século passado – para discutir “parcerias” com acadêmicos da ditadura reverenciada por Lula. Tudo devidamente aberto? Claro que não. Os relatórios que se vê são releases capengas, publicados só depois de pressões da imprensa .
Não há petrolão, mas há verba, e como há. R$ 42 milhões do Fundo de Defesa dos Direitos Difusos (FDD), controlado pelo Ministério da Justiça, mais R$ 12,1 milhões do Ministério da Saúde. E o público? Só dá para ver boletins sem graça: um PDF de seis páginas mostrando um vídeo de canal com 47 inscritos e dois tuítes, uma análise de 98 citações – e alguns especialistas disseram: “pouco”. A rede, segundo o Ibict, trabalha internamente e entrega relatórios só para órgãos públicos.
É hilário que se gaste mais de R$ 150 mil em viagens – incluindo uma para Budapeste – mas nada disso tem transparência: nem no Portal da Transparência, nem no painel oficial de viagens. O tal “Boletim Baobá”, de 49 páginas, sai semanalmente, mas com vários campos “a inserir” – nome, responsável, crédito. Dá vontade de perguntar: cadê os créditos mesmo? Ou já foram para a caixa preta do silêncio estatal?

A tal Secom quer se limpar dizendo que “não participa da governança” nem “aporta recursos” – o famoso “ninguém sabe de nada” do governo. Com esse enredo, a institucionalização do controle estatal sobre redes virou jogo formal. E por que não bloquear plataformas? Sim, senhor: o novo projeto de lei prevê que uma autoridade, ainda obscura, possa simplesmente derrubar plataformas que não “colaborarem” na investigação de crimes digitais, sem ordem judicial. Lembra a famosa “regulação econômica e moderação de conteúdo” elogiada em Cuba e China. E adivinhem quem foi consultar sobre isso? O presidente foi pessoalmente ao próprio Xi Jinping – e quer mandar alguém da confiança dele para ensinar a gente a lidar com o TikTok. Sensacional.
Peça final desse teatro bolivarista: um ex-assessor da Secom, sem sequer curso superior – nada contra bolsos acadêmicos – foi contratado com contrato celetista de R$ 15.060,92 para ser “gerente de mídias sociais”. Mas não para postar nada, claro. O papel é “coletar dados” e “estratégia digital”, desde “2013” – segundo o Ibict, que se escora nos relatos de um painel de controle interno. A pergunta é: precisava tanta grana? Aliás, precisava mesmo existir uma rede que nasceu de conversas dentro da própria Secom?
Agora imaginem: Lula bota a Secom pra falar que não faz parte da Rede, o diretor do instituto se dá bolsa de R$ 7 mil, o ex-integrante da Secom ganha R$ 15 mil para passear nos bastidores – e o governo desembolsa milhões para conter narrativas sobre Bolsa Família, vacinas, PCC, privilégios – com resultados pálidos, relatórios confusos, e mais transparência pros cinegrafistas de Cuba do que para o contribuinte. Sem ofensa, mas essa Missão Fake-News tem tanta objetividade quanto as famosas promessas petistas de “honestidade” e “transparência” que sempre vêm com letra miúda.
E o grand finale? Regulamentar as redes sociais como se fossem concessionárias públicas: “a autoridade reguladora” pode fechar o app inteiro – imagine o pânico. Sem juiz. Sem debate. Aqui se faz, aqui se paga. Mas quem paga mesmo é o cidadão, que vê dinheiro público indo para Cuba, para bolsas polpudas, para contratos para ex-assessores, para relatórios que dizem zilhões de análises sem sentido. E tudo isso com a carinha de “combater desinformação”.
Se essa é a prioridade do governo, convenhamos: melhor seria investir em segurança, educação, obras. Mas preveram que trabalhar com fake news consumiria R$ 54 milhões e serviria de vitrine. Só esqueceram de avisar que, no fim das contas, a rede Minerva virou Minerval – com mais discursos vazios do que conteúdo útil. Se este é o legado da gestão de Lula pra resguardar a “verdade”, estamos bem ferrados. Porque progresso real se faz com inovação, com mérito e com economia, não com dossiês minúsculos filtrando influencers e tuítes com 2 curtidas enquanto enrolam a população.
E viva a liberdade, desde que amordaçada por R$ 54 milhões de controle estatal, bolsas “por indicação própria”, viagens para regimes autoritários e mais gente no plano petista do que trabalhadores. Se o plano era sanear as redes sociais, acabaram por sujar tudo: a imagem do governo, o dinheiro do contribuinte, e a já frágil sanidade pública. A nota final? Rede Minerva: 0 nos resultados, 10 no marketing – um treino de circo estatal com toda pompa petista. Que dramalhão venezuelano, mas com grana brasileira.
Com informações Estadão
















