
Prepare-se, leitor do Conservadores Online, para uma jornada pela surrealidade jornalística que só os estúdios climatizados de O Globo poderiam nos proporcionar. Na edição publicada no dia 16/05/2025, a jornalista Bela Megale, que se diz especializada em “investigações criminais e bastidores do poder”, nos brinda com uma peça que merecia, no mínimo, o prêmio Pulitzer de ficção política progressista com pitadas de delírio institucional.
Segundo o texto da nossa cronista favorita da bolha progressista, uma pesquisa divulgada pela Paraná Pesquisas teria “preocupado” os bolsonaristas ao mostrar o ministro Fernando Haddad empatado tecnicamente com Eduardo Bolsonaro em intenções de voto para o Senado por São Paulo.
Sim, leitor. Você não leu errado. A manchete já entrega o tom dramático: “Haddad surpreende bolsonaristas em pesquisa e causa temor sobre cenário eleitoral em SP”. Temor. Isso mesmo, temor. Porque nada aterroriza mais os conservadores paulistas do que a possibilidade de um ministro da Fazenda que não entende nada de economia, vive em pé de guerra com o mercado, torra dinheiro público com viagens inúteis e tem a popularidade de uma dor de dente em véspera de feriado, se candidatar ao Senado.
A matéria, exclusiva para assinantes — como se alguém fosse pagar por esse tipo de entretenimento — começa com a afirmação de que “os bolsonaristas ficaram surpresos”. Ora, a única surpresa real aqui é que alguém ainda leia Bela Megale e leve a sério.
A jornalista da GloboNews, com aquela objetividade jornalística que só quem escreve para agradar o patrão militante é capaz de oferecer, constrói sua narrativa sobre um “empate técnico” entre Eduardo Bolsonaro, deputado federal, conhecido nacionalmente, e Fernando Haddad, o homem que não conseguiu se reeleger nem como prefeito de São Paulo, foi humilhado em 2018 por um militar aposentado e que hoje vive à sombra do lulismo como um despachante de má notícia na economia.
Mas o melhor ainda estava por vir. Segundo Bela Megale, os aliados do ex-presidente ficaram apreensivos. Ah, sim. Eles teriam entrado em modo pânico porque o ministro das gafes, aquele que cria fundo internacional para salvar floresta enquanto destrói a economia doméstica, agora ameaça conquistar uma cadeira no Senado.
— “Socorro! Haddad vai concorrer! Vamos fechar as portas da direita brasileira!” — disse ninguém nunca, fora da redação de O Globo.
A matéria segue com um drama novelesco ao mencionar que a diferença entre Eduardo e Haddad seria de apenas quatro pontos percentuais, como se isso fosse um sinal de que o jogo virou. Claro, para quem acredita em Datafolha, Mamadeira de Piroca e Queiroz de estimação, quatro pontos é o suficiente para sonhar com a revolução socialista.
A cereja do bolo, no entanto, foi quando Bela — que só falta dizer que é isenta — deu espaço ao velho roteiro da esquerda sobre Eduardo Bolsonaro morar nos EUA. Ora, leitor, Eduardo não largou o Brasil. Ele não fugiu de processo, não está tirando férias de prisão, não deu diploma falso de italiano, nem mentiu o CPF para comprar mansão. Está licenciado, mas segue atuando politicamente — inclusive, como lembra a própria matéria, se reuniu com aliados em Nova York para discutir o xadrez eleitoral. (Ah, sim, porque Haddad nunca saiu do Brasil, claro.)
Mas aí vem o clímax cômico: segundo informações da coleguinha Andréia Sadi, o presidente Lula quer que Haddad seja candidato ao Senado em 2026. Isso mesmo. Aquele que nem consegue manter um diálogo coerente com o mercado financeiro agora é cotado como “peso-pesado” da esquerda paulista.
Será que Haddad sabe disso? Ou foi pego de surpresa lendo a coluna da Bela, entre uma tentativa e outra de explicar por que o déficit primário disparou?
No meio do texto, Bela ainda nos lembra que Haddad está preocupado com o aumento de gastos sociais — enquanto, na prática, o que ele faz é chancelar tudo o que vem da ala mais populista do governo. Mas, claro, isso não entra na pauta da Globo. O que importa é vender a ideia de que Haddad é temido pela direita.
Temido? Haddad? Se há algo que o conservadorismo brasileiro teme, é justamente a insistência do PT em tentar ressuscitar cadáveres eleitorais com cheiro de naftalina.
Bela Megale, com todo respeito, parece confundir “empate técnico” com “empolgação de militância”. Mas nem isso ela sabe fazer direito. Porque, se de fato Eduardo está numericamente na frente, como a própria matéria admite, qual é exatamente a “ameaça” que tanto amedronta os bolsonaristas?
Talvez seja o medo da esquerda colocar mais um poste no Senado, outro nome que não decide nada, mas obedece tudo. A receita petista de sempre: o personagem irrelevante que vira escada para o grande timoneiro, o chefão da conveniência institucional.
E tem mais: Bela ainda arrisca uma análise “profunda” ao dizer que os bolsonaristas querem duas cadeiras de direita no Senado por São Paulo. Nossa, que revelação impactante! Só faltou dizer que o Vaticano tem padres, que a Ferrari é vermelha e que Lula tem problemas com a verdade.
Em seguida, a jornalista cita que outro nome da direita paulista, Guilherme Derrite, planeja se filiar ao PP, e que ele e Eduardo discutem uma dobradinha. Mas, ao invés de ver isso como uma movimentação estratégica comum em qualquer democracia, a matéria tenta pintar o quadro de uma direita desorganizada, desesperada, batendo cabeça com medo da “ameaça Haddad”.
A verdade, caro leitor, é que quem está em pânico é a própria imprensa progressista, que tenta desesperadamente fabricar um herói viável na esquerda paulista. Depois de anos forçando a candidatura de Haddad, depois de vê-lo ser rejeitado em todas as urnas onde apareceu, a militância midiática precisa de um alento.
E por que não uma pesquisa encomendada por um instituto que sempre serviu à narrativa de ocasião?
Mas é preciso entender uma coisa: pesquisa não é eleição. Empate técnico em 2025 não garante nada em 2026. Até lá, o país terá mais um ano de inflação, juros altos, desemprego e promessas quebradas. E quem vai pagar essa conta é justamente o candidato do governo. Ou seja: Fernando Haddad.
Enquanto isso, Bela segue fazendo o seu papel: desinformar com elegância, e sempre que possível, vender esperanças fictícias para uma esquerda em ruínas.
Se dependesse da redação de O Globo, Haddad já teria sido eleito presidente, reeleito prefeito e nomeado herói nacional. Mas, na prática, o homem não consegue nem convencer o próprio partido a tratá-lo como liderança.
No fundo, a matéria de Bela Megale não é uma reportagem. É um desabafo. Um apelo. Um suspiro aflito de quem percebe que o projeto petista não empolga nem com todas as manchetes favoráveis da grande mídia.
Se Haddad tivesse alguma chance real, não precisaria ser empurrado goela abaixo por pesquisas, colunistas e jornalistas de estimação. Bastaria caminhar pelas ruas de São Paulo e sentir o calor do povo. Mas Haddad sabe que, ao fazer isso, ele pode ouvir de perto o que o eleitor realmente pensa sobre sua gestão, sua incompetência, seus delírios econômicos.
Portanto, Bela, com todo carinho: da próxima vez, poupe seus leitores do suspense e vá direto ao ponto. Diga logo que quer Haddad no Senado, que torce por ele, que vibra com cada ponto percentual a mais que ele aparece nas pesquisas. Assim, ao menos, o público saberá que está lendo um artigo de militância, e não uma tentativa de jornalismo sério.
Afinal, até os colunistas têm direito ao seu momento de torcida. Mas, por favor, sem chamar de “temor bolsonarista” aquilo que claramente é apenas fanfic progressista de quinta categoria.
E para concluir: se o Haddad está “assustando” alguém, é só o investidor que viu o Brasil regredir 10 anos com ele no comando da Fazenda. Mas disso, é claro, Bela Megale não vai falar. Afinal, essa parte não entra na narrativa dos “temores bolsonaristas”.
















