
Ah, o Itamaraty… outrora símbolo de diplomacia sofisticada, hoje reduzido a escriba militante da ala mais fanática da esquerda identitária, responsável por tentar convencer o mundo — e pasme, os brasileiros — de que Lula ainda é o xamã da “autoridade moral” no cenário internacional. Tudo isso endossado pela intrépida colunista Mônica Bergamo, que, como sempre, age mais como assessora informal do Planalto do que como jornalista. Sua mais recente pérola? Um texto em defesa da cartinha chorosa que o Itamaraty enviou à The Economist, após a revista britânica ousar fazer o imperdoável: falar a verdade.
Sim, segundo a publicação inglesa — aquela que ainda leva a diplomacia mundial a sério — Lula perdeu influência no exterior. Um escândalo, diria o chanceler Mauro Vieira, que agiu como aquele aluno que, após receber nota baixa, envia cartinha emocionada ao professor alegando que “fez o melhor que pôde”. E a colunista da Folha, claro, fez questão de publicar em tom dramático a indignação verde-amarela (ou melhor, vermelha) que tomou conta dos corredores do Itamaraty.
A tal carta, escrita em tom de manifesto estudantil, afirma que Lula é respeitado por humanistas, empresários e acadêmicos. Só faltou incluir Papai Noel, Gandhi e os Teletubbies. Afirmar que a autoridade moral de Lula é indiscutível soa mais como piada de quinta série do que argumento diplomático. Indiscutível por quem? Por Nicolás Maduro? Por Ali Khamenei? Pela turma do Foro de São Paulo? Ah, agora faz sentido.
O Itamaraty ainda acusa os Estados Unidos e Israel de cometerem “flagrante transgressão” ao bombardearem instalações nucleares do Irã — como se o Irã, esse bastião da paz mundial e defensor da liberdade feminina, fosse uma inocente flor do deserto. Claro, o Brasil lulopetista nunca teve pudor em alinhar-se aos regimes mais questionáveis do planeta, desde que isso soe como “rebeldia geopolítica” contra o “imperialismo ocidental”.
E o que dizer da defesa apaixonada que o chanceler faz do Brics? Segundo ele, o bloco é um farol da “cooperação em prol do desenvolvimento e da sustentabilidade”. Uau. Sustentabilidade, diga-se de passagem, promovida ao lado da China — o país com as maiores emissões de carbono do mundo — e da Rússia, cujo compromisso com a paz se resume a tanques cruzando a Ucrânia. Mas o Brasil de Lula vai salvar o mundo, não é mesmo? Com discurso, claro, nunca com ação concreta.
A cereja do bolo veio com o argumento patético de que Lula não é popular entre negacionistas climáticos. Como se a queda de prestígio internacional do presidente fosse culpa dos cowboys texanos ou de algum blogueiro conservador na Polônia. Não, caro leitor, a verdade é simples e dolorosa (para eles): ninguém mais leva Lula a sério fora do círculo de bajuladores oficiais. O presidente que insiste em defender ditaduras como a de Maduro, que relativiza a guerra da Ucrânia, e que ainda flerta com o Irã e seus aiatolás perdeu a credibilidade entre as nações que prezam por valores democráticos e coerência moral.
Aliás, a tal “preocupação humanitária” de Lula é sempre seletiva. Ele “condena veementemente” os ataques dos EUA ao Irã, mas fecha os olhos para as atrocidades cometidas pelo Hamas em Israel, para os desaparecimentos na Venezuela ou para os fuzilamentos em Cuba. Coerência é um luxo que o socialismo latino-americano nunca pôde bancar.
A The Economist fez o que se espera de um jornalismo sério: analisou os fatos, apontou inconsistências e questionou a retórica. E, como toda criança mimada, o governo brasileiro respondeu com uma crise de birra diplomática, escrevendo textão e botando a Mônica Bergamo para fazer o papel de porta-voz do sentimentalismo geopolítico lulista.
A colunista, como sempre, não decepciona em seu ativismo envergonhado. Sua cobertura mais parece panfleto de diretório acadêmico da UNE do que jornalismo. Nada de análise crítica. Nada de contraponto. Nada de jornalismo. Só fé cega no mito socialista do século XXI, ainda que ele se reúna com ditadores e defenda regimes teocráticos. O importante é ser “contra o imperialismo”, ainda que isso custe qualquer vestígio de racionalidade.
Enquanto o Itamaraty se dedica a rebater colunas da imprensa internacional, o mundo gira, os investidores fogem, a economia emperra e o Brasil se afasta cada vez mais dos fóruns verdadeiramente relevantes. Mas para a bolha da esquerda, isso é “autonomia diplomática”. Na prática, é isolamento voluntário, é subserviência ao Eixo do Caos, é abandono do Ocidente em troca de afagos de tiranos.
No fundo, essa carta do Itamaraty — e sua repercussão tão emocionada na mídia companheira — não passa de um sintoma. O sintoma de um governo que perdeu a narrativa, perdeu o timing, perdeu o rumo. Um governo que ainda acredita que “moral” é sinônimo de discurso bonito, enquanto ignora o cheiro podre da realidade que o cerca. E pior: um governo que ainda paga mico internacional achando que está dando aula de geopolítica.
Mas, claro, para os entusiastas da “nova diplomacia humanista”, Lula continua sendo o guia moral do planeta. Só não avisaram isso ao próprio planeta. Porque lá fora, meu caro, já perceberam o que por aqui muitos ainda fingem não ver: a autoridade moral de Lula é tão indiscutível quanto sua inocência judicial — ou seja, um monumento à narrativa, sustentado apenas pelo aplauso de militantes e jornalistas engajados.
No fim das contas, a única coisa “indiscutível” nesse enredo todo é a capacidade do lulopetismo de transformar o Itamaraty num puxadinho ideológico. E transformar a verdade, mais uma vez, na primeira vítima do “governo da moral internacional”.
Com informações Folha de S.Paulo
















