Lindbergh acusa oposição, esquecendo que PT já invadiu o Senado em 2017

Lindbergh Farias, mais uma vez, se apresenta como o oráculo da democracia, mas revela-se apenas o porta-voz de uma memória seletiva

Por Notas & Informações

Lindbergh Farias, mais uma vez, se apresenta como o oráculo da democracia, mas revela-se apenas o porta-voz de uma memória seletiva e uma narrativa viciada. Em publicação recente nas redes sociais, o ex-líder estudantil que hoje posa de bastião das instituições atacou a oposição por ocupar as mesas do Senado e da Câmara, comparando tal ato com os protestos de 8 de janeiro de 2023. Segundo ele, trata-se de um “AI-5 parlamentar”. No entanto, o próprio histórico do seu partido – e de seus aliados ideológicos – desmoraliza qualquer tentativa de sustentação moral do seu discurso.

A imprensa nacional já documentou, de forma inequívoca, episódios em que a esquerda praticou exatamente o que agora condena. Em 11 de julho de 2017, um dos capítulos mais vergonhosos do Parlamento brasileiro foi protagonizado por senadoras do PT, PCdoB e PSB, que ocuparam a mesa do plenário do Senado por mais de seis horas. O objetivo? Impedir a votação da reforma trabalhista, crucial para modernizar as relações de trabalho no país. Elas interromperam o funcionamento da Casa, recusaram-se a sair da mesa da presidência, cortaram a luz, pediram comida e transformaram o Senado em acampamento ideológico. Foi um verdadeiro sequestro institucional promovido por quem hoje se arroga defensor da ordem democrática.

Enquanto Fátima Bezerra, Gleisi Hoffmann, Vanessa Grazziotin e Regina Souza protagonizavam o ato, figuras como Lindbergh Farias não apenas aplaudiam o vandalismo institucional, mas também o legitimavam sob o pretexto de “resistência democrática”. Nenhuma palavra de censura. Nenhum repúdio. Nenhuma indignação. O silêncio cúmplice naquela ocasião mostra que, para a esquerda, a legalidade é relativa e a democracia, instrumental: só vale quando serve a seus objetivos.

Os registros do Jornal Nacional e do portal G1 daquela data são eloquentes. O próprio presidente do Senado na época, Eunício Oliveira, afirmou: “Nem a ditadura militar ousou ocupar a mesa do Congresso Nacional. Isso não existe num regime democrático”. O ato foi repudiado por senadores de diferentes espectros ideológicos, como Cássio Cunha Lima, Garibaldi Alves Filho, Cristovam Buarque e José Medeiros, que corretamente o qualificaram como antidemocrático, desrespeitoso e vergonhoso. A ironia cruel é que as mesmas pessoas que invadiram fisicamente o centro do poder legislativo, hoje se apresentam como vítimas de um suposto golpe.

A narrativa da esquerda, portanto, é marcada por dois pesos e duas medidas. Quando a obstrução parte da oposição conservadora, é “fascismo”, “golpismo” ou “AI-5 parlamentar”. Mas quando a tática é usada por parlamentares petistas, trata-se de “resistência”, “protesto legítimo” ou “defesa dos trabalhadores”. A contradição é tamanha que salta aos olhos de qualquer cidadão minimamente informado.

Mais grave ainda é que, ao tentar colar o rótulo de “golpistas” aos opositores que utilizam instrumentos regimentais, Lindbergh escancara sua própria ignorância sobre o funcionamento do Parlamento. A obstrução, a ocupação temporária e o uso de discursos no microfone para adiar votações fazem parte das prerrogativas legítimas dos deputados e senadores – algo reconhecido até pelo regimento interno. O que não é legítimo é transformar o plenário em acampamento revolucionário, cortar a luz, fazer transmissões ao vivo e impedir o presidente da Casa de assumir sua função, como fez a esquerda em 2017.

A tentativa de comparar os atos parlamentares recentes a um “AI-5” é mais do que desonesta – é ofensiva à inteligência nacional. O Ato Institucional número 5, editado em 1968 pelo regime militar, suspendeu garantias constitucionais, fechou o Congresso Nacional, cassou mandatos e instaurou um período de repressão política brutal. Nada disso está sendo feito ou sequer sugerido pela oposição. A ocupação simbólica das mesas da Câmara e do Senado é um gesto político – controverso, sim, mas previsto no jogo democrático. Compará-lo a um golpe ditatorial é mais uma tentativa desesperada de criar um clima artificial de crise institucional para alimentar o discurso vitimista da esquerda.

Lindbergh tenta, ainda, associar os atos parlamentares à invasão das sedes dos Três Poderes em janeiro de 2023. Ora, ali houve depredação, destruição de patrimônio público, confronto com forças de segurança e evidente violação da ordem legal. Já no episódio atual, o que se viu foi a pressão legítima de parlamentares que querem impedir votações apressadas, sem o devido debate nacional – algo que a esquerda sempre fez questão de fazer quando estava em minoria.

A desonestidade intelectual do discurso de Lindbergh se revela também na ausência de autocrítica. Nenhuma palavra sobre os crimes de seus aliados, as agressões a jornalistas promovidas por militantes de sua base, os arroubos autoritários de ministros do STF que extrapolam suas funções, ou a blindagem descarada de escândalos como o da compra de votos para a reeleição de Lula na Câmara. Tudo isso é relativizado, quando não silenciado por conveniência.

A verdade que a imprensa nacional e internacional já não consegue mais esconder é que o discurso da esquerda brasileira está em colapso. Acostumada a moldar a realidade conforme seus interesses, ela hoje enfrenta a resistência de uma sociedade mais atenta, mais crítica e mais consciente das manipulações retóricas que se tornaram rotina em Brasília. O brasileiro cansou da hipocrisia.

O que se assiste hoje no Congresso é o embate legítimo entre dois projetos de país: um que defende a liberdade econômica, a soberania individual e o respeito às instituições; e outro que insiste em tutelar o cidadão, aparelhar o Estado e submeter o país a uma agenda ideológica fracassada. Nesse cenário, Lindbergh Farias e seus pares já não convencem ninguém fora de sua própria bolha digital.

O Brasil está, sim, sob ataque – mas não da oposição. Está sob ataque de narrativas que distorcem os fatos, de discursos que criminalizam o debate e de lideranças que se julgam donas exclusivas da democracia. É hora de romper o monopólio da mentira e recolocar a verdade no centro do debate público. E a verdade, neste caso, é que quem agride as instituições são os mesmos que hoje se dizem vítimas.

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