
Se existisse um prêmio internacional para decisões politicamente burras, ideologicamente suicidas e diplomaticamente desastrosas, Lula estaria agora concorrendo com força total. Afinal, cogitar visitar Cristina Kirchner, uma ex-presidente argentina, atualmente condenada e de tornozeleira eletrônica, parece ser a última cartada de um governo que vive de flertar com o vexame. E não, isso não é exagero retórico. É apenas o retrato realista de quem insiste em transformar a política externa do Brasil numa comédia de quinta categoria.
Enquanto Javier Milei, toca o barco argentino rumo a uma guinada liberal que a esquerda latino-americana detesta, Lula prefere gastar seu tempo e seu já escasso capital político tentando posar de amigo solidário da elite condenada da esquerda sul-americana. Que belo retrato: um presidente brasileiro sorrindo ao lado de uma ex-presidente argentina com tornozeleira no tornozelo e condenação na ficha criminal. Um verdadeiro clássico da diplomacia petista: transformar vergonha alheia em bandeira ideológica.
E como bem destacou a jornalista extremista da esquerda Eliane Cantanhêde no Estadão, o problema não é só a repercussão internacional. O verdadeiro circo vai pegar fogo aqui, no Brasil, onde o eleitorado conservador e o público mais atento já está pronto para transformar esse “encontrinho” num prato cheio de memes, hashtags e vídeos virais expondo a hipocrisia escancarada de quem tenta posar de vítima política, mas carrega uma biografia recheada de escândalos, prisões e sentenças judiciais. E vamos combinar: Lula parece ter um talento nato para escolher mal suas amizades internacionais. É só lembrar da epopeia da ex-primeira dama do Peru, que ele fez questão de resgatar com avião da FAB, mesmo sendo também ela condenada por corrupção. Parece uma espécie de fetiche por ficha suja.
A extrema-esquerda, claro, está em êxtase. Já vemos os militantes, com suas camisetas vermelhas e palavras de ordem decoradas desde o tempo de Fidel Castro, gritando “perseguição judicial!” como se fosse um mantra sagrado. O problema é que o público brasileiro de 2025 já não compra mais essa ladainha. O discurso de “presos políticos” envelheceu tão mal quanto os palanques de madeira mofada onde Lula ainda insiste em discursar. Hoje, qualquer um com meia dúzia de neurônios sabe que o que uniu Lula, Kirchner, Dilma e toda essa turma não foi uma conspiração do imperialismo, mas sim a boa e velha corrupção estrutural que assola a América Latina desde os tempos do descobrimento.
A ironia é que, ao tentar enfrentar o “neoliberalismo selvagem” de Milei, Lula só reforça a sua imagem de líder de um condomínio de ex-presidentes condenados. Uma espécie de confraria da tornozeleira eletrônica. Enquanto Milei participa de fóruns conservadores ao lado de Bolsonaro, Lula faz o circuito penitenciário-político em Buenos Aires. Se isso não é um roteiro de filme de comédia política, deveria ser.
E o melhor (ou pior, dependendo do ponto de vista) é que essa visita não muda absolutamente nada nas relações comerciais entre Brasil e Argentina. Como bem pontuou Cantanhêde, os negócios continuarão, os acordos seguirão, e a diplomacia de bastidores vai tratar de fingir que não viu a cena patética de um chefe de Estado brasileiro desfilando ao lado de uma condenada. Afinal, até mesmo os diplomatas brasileiros já aprenderam que, com o PT no poder, o constrangimento é uma constante inevitável.
Mas o que mais chama atenção é a miopia estratégica de quem governa o Brasil atualmente. Lula, ao invés de usar o encontro do Mercosul para reforçar a imagem do Brasil como liderança regional, prefere transformar o evento numa revanche pessoal contra Milei e num espetáculo para sua bolha ideológica decadente. Uma escolha que, ao fim do dia, só tem um resultado: prejuízo político.
É quase poético o nível de autossabotagem. E, para piorar, a lembrança do triplex do Guarujá vai inevitavelmente ressurgir. Porque, por mais que o STF tenha decidido reescrever a história, o povo brasileiro não esquece. E cada foto ao lado de uma condenada revive o fantasma que Lula tanto tenta esconder: sua própria passagem pela cadeia. As redes sociais, sempre implacáveis, já estão afiando os teclados. E dessa vez, nem o algoritmo vai conseguir proteger o petismo da avalanche de deboche que está por vir.
Se a esquerda sonha em transformar a realidade em narrativa, o Brasil conservador segue transformando a narrativa em piada pronta.
Com informações Estadão
















