Lula insiste no aumento do IOF e aposta em demora do STF para validar medida polêmica

Quem acompanha os bastidores da política nacional com lupa e bom senso já entendeu: não há conciliação possível quando o governo

Por Notas & Informações

Quem acompanha os bastidores da política nacional com lupa e bom senso já entendeu: não há conciliação possível quando o governo insiste em esfolar o bolso do cidadão com mais imposto, enquanto vende a narrativa da justiça fiscal. E é exatamente isso que está em curso no enredo farsesco armado por Lula e seus ministros no Supremo Tribunal Federal. No centro da peça, o IOF, aquele imposto temporário criado nos tempos de Collor, que virou permanente por conveniência — e agora, claro, precisa aumentar, afinal a farra precisa ser bancada.

Na coluna publicada pelo jornalista Igor Gadelha, do site Metrópoles, somos informados de que o governo Lula pretende insistir na validade dos decretos que aumentaram o IOF durante a audiência de conciliação marcada por Alexandre de Moraes com o Congresso Nacional para o próximo dia 15. Repare bem: insistir — como quem não negocia, apenas finge dialogar. A tal “audiência de conciliação” já nasce morta, apenas mais um espetáculo jurídico encenado com cinismo institucional e ambição arrecadatória.

Segundo Gadelha, ministros do governo Lula disseram à coluna, em condição de anonimato — como de costume, já que coragem não é exatamente a virtude dominante no Planalto — que o “jogo está favorável” ao governo tanto na política quanto no Judiciário. Sim, leitor, você leu certo: o Executivo acredita que já ganhou antes mesmo de o processo começar. E por que não acreditaria? O STF já se tornou, há tempos, um puxadinho jurídico do poder central, onde certas canetadas valem mais que o debate parlamentar.

Enquanto isso, no Congresso, o deputado Hugo Motta tenta liderar a resistência, mas seu embate é descrito como “empate”. Um empate contra o Leviatã petista, claro, sempre termina em derrota para o povo. E por falar em povo, ninguém foi consultado, obviamente. Afinal, a lógica petista sempre foi a de empurrar medidas tributárias goela abaixo da população, com o discurso embalsamado de “justiça social” — esse eufemismo elegante para “você vai pagar mais”.

O mais pitoresco da história é o governo sustentar que não há razão para abrir mão do aumento do IOF, pois “está coberto de razão” na esfera jurídica. É claro, quando o próprio Alexandre de Moraes articula os encontros, o tabuleiro já está montado. Ninguém marca uma “conciliação” se acredita que pode perder. Essa reunião do dia 15 é, na prática, um ritual de confirmação do que já está decidido nos bastidores: o imposto vai subir, a justificativa será jurídica, e a conta será sua.

O jornalista Igor Gadelha, em sua costumeira elegância factual, entrega o jogo com precisão, ainda que não desenhe as entrelinhas. Cabe a nós, observadores mais experimentados, conectar os pontos: o governo Lula não quer um acordo — quer tempo. Sim, tempo para que a novela se arraste, para que o desgaste político se dilua e, principalmente, para que o STF avalize a manobra com aquele verniz constitucional que já virou papel de parede em Brasília.

E por que tanta pressa em aumentar o IOF agora? Porque o caixa do governo anda curto, o PAC anda frouxo e o lulismo precisa de vitrine. E quando a vitrine está vazia, o jeito é cobrar mais da plateia. O IOF é o alvo ideal: um imposto invisível, que pouca gente entende, e que incide justamente sobre operações financeiras — ou seja, praticamente tudo. Do financiamento do seu carro à compra no cartão de crédito parcelado, lá está ele, sorrateiro, mordendo um pedaço do seu esforço.

E ainda assim, com toda essa engenharia ardilosa, há quem insista em falar em “governo popular”. Popular para quem? Para o funcionalismo? Para os bancos que operam os títulos da dívida? Para os ministros do STF que acumulam poder a cada crise institucional? O povo mesmo, esse está apenas na ponta da lança, sendo espremido, esquecido, e agora, tributado ainda mais.

A ironia máxima, porém, é que o próprio Fernando Haddad, aquele que gosta de posar de técnico em meio à tropa ideológica do governo, foi o maior derrotado com a intervenção de Moraes. O que deveria ser sua pauta — a racionalidade fiscal — virou jogada de poder entre o Planalto e o Congresso. E Haddad, como sempre, ficou a ver navios. Talvez porque, no fundo, até seus colegas de governo já perceberam que quem menos decide neste governo é o ministro da Fazenda.

A audiência do dia 15 será transmitida, registrada, repercutida. Mas seu desfecho já está gravado nos corredores do Planalto e nos gabinetes dos supremos. O IOF vai aumentar, e os contribuintes vão pagar mais uma vez pelo delírio arrecadatório de quem governa sob o manto da “legalidade”, mas com o espírito do absolutismo tributário. Prepare o bolso, leitor. Afinal, como disse um dos ministros — aquele que prefere o anonimato —, “o jogo está bom”. Sim, mas só para eles.

E você ainda acredita que isso é democracia ou já entendeu que virou financiamento compulsório do projeto de poder?

Com informações Metrópoles

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