
O Brasil é um país de dimensões continentais, dono de uma das maiores reservas de petróleo do mundo, mas, sob a genialidade socialista de Luiz Inácio Lula da Silva, a maior conquista para milhões de famílias agora se chama “retirada gratuita de botijões de gás”. A Agência Brasil, sempre pronta para aplaudir o espetáculo populista, publicou em 5 de setembro a pérola intitulada “Saiba como será a retirada de botijões pelo programa Gás do Povo”, descrevendo com entusiasmo a façanha do governo em transformar o básico em espetáculo eleitoral. Como se garantir o direito de cozinhar arroz e feijão não fosse resultado de emprego, renda e dignidade, mas um presente magnânimo distribuído por Brasília. É impressionante como o governo insiste em reduzir a vida do cidadão a uma fila de esmolas, e, claro, com a digitalização da humilhação: aplicativo, QR Code, cartãozinho colorido e uma Caixa Econômica Federal transformada em órgão distribuidor de favores.
A propaganda oficial insiste que o novo programa é mais transparente, eficiente e moderno. A lógica é simples: antes, o beneficiário recebia o valor em dinheiro e podia escolher o que fazer. Agora, Lula entrega o botijão diretamente. É a socialização da cozinha, a coletivização da panela, a estatização do feijão tropeiro. O pobre não tem mais a liberdade de administrar seus recursos. O Estado decide por ele, define onde ele vai retirar o botijão, controla cada centavo e, claro, pinta o programa com identidade visual padronizada, como se fosse um reality show onde o governo é o protagonista e o cidadão, mero figurante.
Segundo a reportagem da Agência Brasil, 15,5 milhões de famílias terão direito ao “benefício”. Palavrinha mágica para a esquerda: benefício. O que deveria ser consequência do esforço produtivo vira dádiva estatal. Famílias com até meio salário mínimo de renda per capita terão acesso à generosidade do Estado. Preferência, claro, para os já inscritos no Bolsa Família, porque nada é mais funcional para o projeto de poder petista do que manter as pessoas na eterna dependência, cercadas por cartões, cadastros e aplicativos que lembram, a cada clique, quem é o benfeitor. É a versão digital da velha política do cabresto, agora com senha e QR Code.
O espetáculo não para por aí. O governo explica que as famílias com dois integrantes terão direito a três botijões por ano. As com três integrantes, a quatro botijões. E as maiores, até seis botijões anuais. Seis botijões por ano! Parece até piada, mas é a política pública da vez. É como se Lula tivesse descoberto o milagre da multiplicação do gás. Em vez de abrir espaço para que famílias conquistem renda suficiente para comprar quantos botijões quiserem, o governo comemora o racionamento planejado, estabelecendo até quanto de fogo uma casa pode acender no ano. É uma matemática de sovietização tropical, uma versão brasileira do plano quinquenal aplicado ao fogão doméstico.
A Agência Brasil, com a sobriedade de sempre, ainda detalha o credenciamento das revendas. Elas deverão passar pelo crivo da Caixa Econômica, adotar identidade visual padronizada e exibir orgulhosamente que fazem parte do programa. Nada mais típico de regimes centralizadores: transformar comerciantes independentes em cabos eleitorais involuntários, forçados a estampar logotipos estatais em seus negócios. É a estetização da pobreza, o branding da miséria. Se o cidadão se emocionar ao ver o selo “Gás do Povo” na portaria da revenda, tanto melhor para a narrativa.
E quando a Agência Brasil pergunta “como identificar uma revenda que participa do programa?”, a resposta é uma ode ao marketing governamental: placas, adesivos, aplicativos e até o botijão com o selo do programa. Não falta nada, só o detalhe de que o botijão continua sendo a mesma mercadoria de sempre, paga pelo contribuinte de sempre, só que agora embrulhada em propaganda estatal.
O programa começa em novembro, estrategicamente próximo ao calendário eleitoral. Coincidência, claro. Porque Lula jamais usaria a necessidade básica de cozinhar como palanque político. O objetivo é “garantir dignidade” às famílias, segundo a retórica oficial. Mas dignidade não é fila para buscar um botijão. Dignidade é emprego, salário digno, liberdade para escolher o que comprar e quando comprar. O que o governo chama de “política social” é, na prática, um enorme cabide eleitoral que transforma necessidades em oportunidades de marketing.
O que impressiona é como a esquerda sempre encontra aplausos para medidas que, no fundo, são a celebração da escassez. O cidadão que comemora o botijão gratuito esquece que paga impostos altíssimos, que financia estatais inchadas e que sustenta um governo que prefere gastar bilhões em propaganda a investir em reformas estruturais. O mesmo Estado que cobra quase metade do preço do gás em impostos agora aparece como salvador ao entregar o botijão grátis para alguns. É como o incendiário que joga gasolina na casa e depois posa de herói por entregar um balde d’água.
O Gás do Povo é apenas mais um capítulo da novela petista, em que a narrativa de inclusão social encobre a realidade da dependência fabricada. Lula quer que o povo lembre dele cada vez que acender o fogão, não por ter construído empregos ou reduzido a carga tributária, mas porque distribuiu botijões como se fossem medalhas de lealdade. É o Estado gigante, paternalista e centralizador transformando a cozinha do brasileiro em palanque eleitoral. E a imprensa oficial, sempre solícita, garante a manchete elogiosa.
No fim, o brasileiro trabalhador sabe que não é o gás que falta, mas a liberdade de prosperar sem precisar agradecer ao governo por cada refeição. O “Gás do Povo” é, em essência, o “Gás do Voto”. A verdadeira faísca que Lula quer acender não é no fogão das famílias, mas na urna eletrônica.
Com informações Agência Brasil
















