Lula se faz de vítima com a revogação de visto de alguns ministros pelo EUA

É impressionante como certos veículos de comunicação insistem em tratar o público como se fosse um bando de ingênuos incapazes de

Por Notas & Informações

É impressionante como certos veículos de comunicação insistem em tratar o público como se fosse um bando de ingênuos incapazes de enxergar além das linhas escritas. A Reuters, por exemplo, decidiu mais uma vez bancar o porta-voz não-oficial da esquerda brasileira e internacional. A matéria que noticiou a revogação do visto norte-americano do ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, é um daqueles clássicos exemplos de como o jornalismo contemporâneo escolhe maquiar a realidade para transformar políticos de estimação em vítimas de um suposto complô internacional. O enredo, claro, é sempre o mesmo: os Estados Unidos aparecem como vilões, e Lula, o eterno sindicalista transformado em chefe de Estado, surge como o paladino que defende os pobres injustiçados.

Mas vamos ser sinceros: desde quando um país soberano precisa pedir desculpas por cancelar um visto? Será que os Estados Unidos, potência mundial, precisam de aprovação de Lula ou de qualquer ministro petista para decidir quem entra ou não em seu território? A lógica é simples: o visto é uma concessão, não um direito adquirido. Mas, na narrativa dourada da Reuters, essa informação parece irrelevante. O que importa é criar uma imagem melodramática de um governo brasileiro supostamente humilhado por Washington.

No palco armado pela agência, Lula aparece usando um boné escrito “O Brasil pertence aos brasileiros”. Nada mais conveniente para a fotografia perfeita, que será replicada mundo afora: o líder populista que se vende como nacionalista, tentando convencer que está indignado com a “ingerência” estrangeira. A imprensa internacional engole o teatro e ainda aplaude de pé. O detalhe curioso é que, quando interesses nacionais são vendidos a preço de banana para ditaduras amigas, como a chinesa, não se vê o mesmo discurso inflamado. Aí o Brasil, aparentemente, já não precisa mais “pertencer aos brasileiros”.

A Reuters faz questão de citar que Lula demonstrou solidariedade a Lewandowski, descrevendo a decisão americana como “irresponsável”. Ora, irresponsável por quê? Porque não seguiu a cartilha ideológica do Planalto? Porque ousou contrariar a imagem intocável do ministro da Justiça, que por sinal é ex-integrante do Supremo Tribunal Federal, esse mesmo que se habituou a extrapolar suas funções com uma desenvoltura assustadora? O que Reuters convenientemente não comenta é que a política externa norte-americana não gira em torno do ego de Lula ou da sensibilidade de ministros indicados a dedo pelo sistema petista.

O mais curioso é observar como a matéria insiste em tratar o caso como se fosse um ataque direto às “instituições brasileiras”. Sim, essa palavra mágica que virou mantra para justificar todo e qualquer absurdo: instituições. Quando interessa, elas são sagradas; quando não interessa, podem ser atropeladas sem dó. Mas a Reuters não vai perder tempo analisando contradições óbvias. O papel dela é outro: oferecer ao público um roteiro mastigado, no qual Lula sempre aparece como a vítima heroica e os Estados Unidos como a potência malvada que não reconhece a grandeza do Brasil lulista.

Outro detalhe que chama atenção é o silêncio conveniente da própria fonte americana. O Departamento de Estado, segundo a reportagem, não comentou o assunto. E por que comentaria? Para entrar no jogo de narrativa do governo brasileiro? Claro que não. O silêncio, nesse caso, fala mais alto que qualquer declaração. É a lembrança de que os Estados Unidos fazem política externa pensando em seus próprios interesses, e não nas carências emocionais de Brasília. Mas Reuters prefere transformar essa ausência de resposta em um mistério dramático, como se o mundo estivesse ansioso por uma explicação pública que nunca virá.

Vale lembrar que Lewandowski, agora erguido ao posto de mártir da diplomacia, sempre foi um nome de confiança do establishment petista. Um ministro que, durante anos no STF, fez questão de blindar figuras do partido em momentos cruciais. A imagem de homem sério e técnico, cuidadosamente vendida à opinião pública, contrasta com sua trajetória recheada de decisões que beneficiaram justamente os companheiros. Agora, ao ter o visto revogado, surge como símbolo de uma suposta afronta internacional. O que não se explica é por que o brasileiro comum deveria se sentir ofendido com isso. O trabalhador que pega ônibus lotado às cinco da manhã terá a vida alterada porque Lewandowski não pode visitar Nova York?

No fundo, essa é a grande jogada: usar a imprensa internacional para inflar a importância de assuntos que não dizem respeito à realidade prática da população. Enquanto milhões de brasileiros enfrentam violência nas ruas, falta de hospitais e desemprego, a narrativa vendida pela Reuters é de que o drama nacional está em Washington, em um carimbo negado no passaporte de um ministro. É a velha cortina de fumaça: distrair o povo com teatrinho internacional enquanto o país continua atolado em problemas muito mais graves.

E o mais irônico é ver como certos jornalistas tratam a questão como se fosse um insulto coletivo à soberania brasileira. A mesma soberania que, diariamente, é colocada em risco por políticas frouxas de fronteira, por acordos obscuros com regimes autoritários e por uma dependência econômica que só aumenta. Mas, para a Reuters, soberania só entra em pauta quando serve para alimentar o melodrama da vez.

É nesse cenário que o jornalismo da extrema-esquerda se mostra previsível e entediante. Não há uma linha de análise crítica, não há questionamento das contradições do governo Lula, não há perspectiva sobre o real impacto do episódio. Só existe a narrativa: o Brasil injustiçado, Lula bravo e os Estados Unidos insensíveis. É como assistir a uma novela repetida pela milésima vez, em que todos já sabem o final. A diferença é que, dessa vez, o público está cansado e começa a mudar de canal.

O episódio da revogação do visto de Lewandowski não é uma ofensa ao Brasil. É apenas um lembrete de que nenhum país, por mais que Lula se ache dono do mundo, tem obrigação de se curvar às vontades de um governo ideologizado. O vexame não é dos Estados Unidos; é de quem insiste em transformar caprichos pessoais em dramas nacionais. E o verdadeiro insulto não vem de fora, mas de dentro, quando veículos como a Reuters acreditam que você, leitor, ainda cai nessa encenação barata.

Com informações Reuters

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