
Se o Brasil fosse um país sério – ou ao menos um país com um mínimo de seriedade – Lula estaria, mais uma vez, sentado no banco dos réus, explicando como conseguiu transformar o governo em um comitê eleitoral permanente. Mas sejamos realistas: problema com a justiça é um conceito que só se aplica aos inimigos do rei. Para Lula, leis são meras sugestões, aplicáveis apenas aos desafetos, enquanto ele desfila impune, sustentado por um STF domesticado e uma imprensa que finge não ver nada de errado.
A última demonstração de como a lei no Brasil tem dono veio com a convocação da televisão brasileira para um festival de autopromoção eleitoral – disfarçado de “prestação de contas”. Sim, você foi obrigado a assistir ao espetáculo grotesco de Lula usando a máquina pública para fazer campanha. Poderia ser um escândalo, poderia render processo, mas no Brasil atual, tudo o que temos é o silêncio cúmplice de quem deveria garantir a ordem. O TSE, que já proibiu opositores até de aparecer em palanque, agora se finge de morto diante da óbvia propaganda ilegal em horário nobre. Afinal, a lei é para os outros.
E o que foi essa “prestação de contas”? Um espetáculo de arrogância, ilegalidade e – claro – mentiras descaradas. O gênio da comunicação petista achou que seria brilhante vender um pacote requentado de esmolas públicas como a grande revolução do século. Sim, Lula agora quer te convencer de que um programa velho de distribuição de bolsas estudantis e a adição de dois medicamentos a uma lista de gratuidade são feitos históricos.
Você sentiu alguma mudança radical na sua vida? Algum impacto real na economia? Claro que não. Mas para os marqueteiros de Lula, vender vento como se fosse progresso virou especialidade. O problema é que, para essa jogada funcionar, é preciso que a audiência seja formada por desinformados – e cada vez menos brasileiros caem nessa armadilha.
O cenário piora quando vemos a tal “reforma ministerial” anunciada como a solução mágica para a crise de popularidade do governo. Mas espere: reforma implica mudança, e mudar nunca esteve nos planos de Lula. O jogo segue o mesmo: incompetência premiada, cargos negociados como se fossem favores e um festival de ministros que não sabem nem gerenciar uma prefeitura de quinta categoria.
Veja o exemplo da ex-ministra da Saúde, que se manteve no cargo tempo suficiente para garantir que o caos imperasse. Quando sua ineficiência se tornou insustentável, o governo simplesmente trocou um desastre por outro. Nenhuma melhora, nenhuma inovação, apenas mais do mesmo, com o único objetivo de manter o jogo do poder funcionando.
E não se engane: Lula sabe que não pode apresentar resultados concretos, então investe tudo na velha tática da propaganda. Mas até isso está saindo pela culatra. Seu novo guru da comunicação conseguiu a proeza de transformar o presidente em um piadista involuntário. A tal “dupla que está mexendo com o Brasil” virou motivo de chacota, uma metáfora perfeita para a incompetência que assola o governo. Afinal, que tipo de líder precisa recorrer a analogias toscas para tentar vender políticas falidas?
Mas o mais cômico – ou trágico – é que, em meio a esse festival de manipulação e estelionato eleitoral, ninguém no alto escalão do governo parece perceber que a população já não engole mais essa ladainha. O desgaste é real, a insatisfação cresce, e os esforços desesperados para reverter a situação soam cada vez mais ridículos.
No final das contas, Lula continua a mesma figura de sempre: um mestre da retórica vazia, um político que promete muito e entrega pouco – ou nada. O que mudou foi a percepção da sociedade, que já não aceita ser tratada como massa de manobra.
E talvez seja isso que mais assusta o governo: a percepção de que o feitiço da narrativa está se desfazendo, e que, pela primeira vez em muito tempo, a realidade está falando mais alto do que a propaganda.
Com informações Estadão
















