Messias exige que Bolsonaro e Eduardo paguem conta de advogados contratados pelo governo Lula nos EUA

Se existe uma arte que o Brasil contemporâneo pratica com maestria, é a de transformar a burocracia em espetáculo cômico. E

Por Notas & Informações

Se existe uma arte que o Brasil contemporâneo pratica com maestria, é a de transformar a burocracia em espetáculo cômico. E ninguém encarna esse papel melhor do que o ministro da Advocacia-Geral da União, Jorge Messias, que parece ter se auto-designado como o xerife das multas políticas seletivas. É impossível não se espantar com o deslumbramento com que o advogado máximo do governo Lula se lançou na nobre missão de cobrar R$ 18,9 milhões do ex-presidente Jair Bolsonaro e do deputado federal Eduardo Bolsonaro por um contrato jurídico firmado nos Estados Unidos. O valor astronômico, equivalente a US$ 3,5 milhões, é justificado, segundo a AGU, pela necessidade de proteger o Brasil contra sanções injustas impostas pelo governo Trump. Um gesto heroico, se não fosse pela óbvia ironia de que o Brasil, a essa altura do campeonato, parece ter precisado pagar tão caro por alguém fazer o que qualquer governo sensato faria naturalmente: defender seus interesses internacionais.

O jornalista Cristiano Maia, da Gazeta do Povo, descreve em seu artigo “Punição: AGU pretende cobrar Bolsonaro e Eduardo em R$ 18,9 milhões por contrato jurídico nos EUA” como essa ação da AGU está sendo conduzida com aquela seriedade peculiar que somente um extremista da esquerda poderia exibir. O texto de Maia é claro: a AGU não pretende medir esforços para ressarcir o erário público, mas, curiosamente, escolheu como alvo justamente aqueles que, à época, se empenharam em proteger o país. É uma inversão de lógica que, se não fosse trágica para o Estado, seria digna de roteiro de comédia política.

O fato de Messias, como ministro da AGU, decidir que o gasto com advocacia internacional precisa ser cobrado de quem buscou resguardar empresas e agentes públicos brasileiros chega a ser surreal. São R$ 18,9 milhões que poderiam, ironicamente, ser empregados em investigações de corrupção de verdade, como aquelas que devoram bilhões dos cofres públicos em escândalos como o do INSS, mas que aqui se transformam em motivo para perseguição política de ponta firme. Eduardo Bolsonaro não deixou passar: nas redes sociais, apontou a discrepância de prioridades da AGU e questionou por que o mesmo zelo não é aplicado aos bilhões desviados de aposentados. A resposta está implícita, e o próprio contexto político ajuda a entendê-la — quando o beneficiário do silêncio seletivo é o irmão do presidente que o ministro serve, a coerência parece perder completamente o rumo.

O espetáculo do qual Messias se tornou maestro tem nuances de cinismo refinado. Enquanto a AGU anuncia em nota oficial sua intenção de ressarcir supostos danos causados ao Brasil, esquecem-se, convenientemente, de que o contrato visava proteger o próprio país. Para qualquer observador minimamente atento, essa é a essência da arbitrariedade: punir quem fez o certo e ignorar escândalos bilionários que atingem a nação diretamente. A burocracia, nesse caso, é uma ferramenta de retaliação política, envolta em um verniz de legalidade que impressiona apenas aqueles que se contentam com discursos pomposos e documentos intermináveis.

O argumento jurídico apresentado pela AGU chega a ser digno de estudo acadêmico sobre como transformar lógica em ilogicidade. O contrato com o escritório Arnold & Porter Kaye Scholer LLP tinha como objetivo a reversão de sanções impostas ao Brasil pelo governo Trump. Em outras palavras, era um investimento na soberania e na proteção de agentes nacionais. Ainda assim, o ministro Messias, que deveria zelar pelo interesse público acima de disputas ideológicas, transforma esse ato em motivo de punição. A leitura mais benevolente seria considerá-lo um excesso burocrático; a leitura realista e conservadora, como a que o público brasileiro percebe, é de perseguição política travestida de justiça administrativa.

Enquanto isso, o contexto do país mostra uma preocupação completamente invertida: políticos de oposição, empresas estatais e burocratas ideologizados se dão ao luxo de perseguir quem defendeu o Estado, enquanto os verdadeiros problemas de gestão e corrupção continuam a avançar sem o menor freio. É a típica postura de quem confunde justiça com vingança: a AGU de Messias poderia ser, em teoria, um baluarte da legalidade, mas na prática se transforma em um tribunal de moralidade seletiva, onde apenas aqueles fora do círculo ideológico do governo se tornam alvo. E tudo isso acontece enquanto o público observa perplexo, entre o riso amargo e a indignação legítima.

A ironia mais dolorosa talvez esteja no timing da ação. Estamos falando de um contrato que surgiu como resposta a medidas externas que ameaçavam o país, e agora, anos depois, se transforma em pretexto para cobrar valores que já cumpriram sua função original. Em outras palavras, o Estado brasileiro está pronto para penalizar quem protegeu seus interesses, enquanto recursos destinados a setores estratégicos ou vítimas de corrupção permanecem à mercê do improviso administrativo. Para Messias, não importa se o ato foi benéfico ou prejudicial: o que importa é a oportunidade de aplicar uma punição midiaticamente conveniente.

E se alguém ainda duvidava da natureza ideológica por trás da decisão, basta observar os efeitos secundários: a ação da AGU tem potencial de intimidar outros defensores do país, mostrando que, no Brasil de 2025, proteger a nação pode ser crime, mas negligenciar bilhões desviados pode ser simplesmente uma formalidade. Jorge Messias, nesse cenário, não atua como ministro da Advocacia-Geral da União, mas como autêntico executor de uma lógica política partidária, capaz de transformar princípios de soberania e responsabilidade em pretexto para atacar adversários. O episódio é um alerta cruel sobre como a burocracia, quando capturada pela ideologia, deixa de servir à população e passa a servir a interesses partidários.

O que se desenha, portanto, é um retrato de como o extremismo ideológico pode transformar instituições antes respeitadas em instrumentos de perseguição e de espetáculo midiático. Messias, com sua postura arrogante e seletiva, confirma aquilo que muitos conservadores já sabiam: no Brasil atual, defender o país exige coragem, paciência e a consciência de que a própria máquina estatal pode, a qualquer momento, voltar-se contra você. O artigo de Cristiano Maia, com clareza jornalística impecável, evidencia isso de forma irrefutável, mostrando que a AGU não está cumprindo seu papel tradicional de proteger o Estado e a lei, mas sim de punir, perseguir e, de quebra, entreter uma plateia sedenta por narrativas políticas.

O resultado é um cenário em que o absurdo se tornou regra e a justiça, um detalhe opcional. Jorge Messias, ao transformar defesa internacional do Brasil em motivo de cobrança milionária, prova que a legalidade pode ser moldada à vontade política, e que o senso comum, a lógica e a razoabilidade se tornaram meros coadjuvantes nesse teatro da burocracia ideológica. Se o público brasileiro não acordar para o que está acontecendo, a tendência é que episódios semelhantes se multipliquem, e a instituição que deveria ser guardiã da lei passe a ser conhecida como a maior fábrica de injustiças seletivas do país.

Com informações Gazeta do Povo

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