
Ah, o Metrópoles mais uma vez nos brinda com a clássica exibição de indignação seletiva. Desta vez, sob a pena do jornalista Andre Shalders, fomos informados com pompa e circunstância sobre os honorários do ministro da Advocacia-Geral da União, Jorge Messias. O artigo nos apresenta um quadro dramático: R$ 307,9 mil em honorários no mês de junho, resultando em um líquido de R$ 225 mil. Para efeitos de comparação, o Metrópoles se apressa em nos lembrar que esse valor equivale a mais de 12 anos de salário mínimo. O leitor comum, sem contexto, é levado a pensar que estamos diante de um escândalo monumental. E é exatamente aí que a narrativa começa a se desdobrar de forma tão… previsível.
O que o artigo de Shalders, com todo o zelo jornalístico que se espera de uma redação alinhada à extrema-esquerda, deliberadamente deixa de mencionar é o funcionamento legal e transparente da AGU. Sim, caros leitores, esses honorários não caem do céu como chuva de dinheiro sobre ministros desprevenidos. São resultados de vitórias da União em processos judiciais, destinados a remunerar advogados que, durante anos, trabalham para defender o erário público. Parece difícil acreditar, mas a maior parte desses recursos nem sequer vem de ações milionárias contra corporações ricas; vêm, na verdade, de encargos sociais da dívida ativa da União — dinheiro que já é da União e que retorna, de maneira regulamentada, aos seus defensores legais.
Mas não espere que o Metrópoles destaque isso. A narrativa que importa é a do espanto moral, o velho truque de jornalismo indignado: “vejam quanto ganha o ministro, vejam o absurdo do sistema, vejam como tudo é injusto”. Nada de informar que essa é a prática padrão da AGU, que se aplica a todos os integrantes da carreira jurídica do órgão, e que, inclusive, o próprio Messias solicitou mudanças para evitar novos retroativos desnecessários. Mas é claro, isso não rende manchete escandalosa, não alimenta a máquina de indignação seletiva que tanto prospera nas redes sociais e nas colunas políticas de esquerda.
Interessante notar como Andre Shalders detalha, com minúcia quase cirúrgica, cada valor recebido, incluindo os retroativos desde 2016, como se cada centavo fosse fruto de um privilégio pessoal ou de uma falcatrua inventada. R$ 193 mil em janeiro, R$ 307 mil em junho — números lançados com a intenção de chocar, sem o devido contexto. O leitor mais atento, no entanto, perceberá que esse aumento se deve a complementações de férias e a um modelo de governança que, pasmem, preza por transparência e integridade. Sim, o mesmo órgão que o Metrópoles tenta demonizar publicou um painel eletrônico detalhando os honorários, tornando visíveis os pagamentos de forma clara e acessível, algo que a própria imprensa poderia ter explorado com imparcialidade, se quisesse.
Mas não, o foco é outro: transformar um sistema regular e legal em espetáculo midiático. É curioso como o artigo de Shalders, que não perde a oportunidade de enfatizar cifras exorbitantes de outros servidores — R$ 613 mil para Anísio Feliciano, R$ 421 mil para José Newton —, ignora que esses valores também refletem anos de dedicação e cálculos complexos de direito público. Não há aqui, claro, menção à eficiência ou à competência desses profissionais, apenas a narrativa de privilégios que, segundo a ótica do Metrópoles, deveriam provocar escândalo.
E a cereja do bolo é a sugestão de que o ministro, mesmo após receber tais valores, teria interesse em mudar o sistema. Ora, se há algo que desmonta a narrativa sensacionalista é justamente o fato de que Jorge Messias pediu ao Conselho Superior da AGU que novos retroativos ou indenizações só sejam concedidos mediante decisão judicial e com consulta prévia. Mas enfatizar iniciativa de governança, responsabilidade e zelo pelo dinheiro público não rende cliques, não é mesmo? Prefere-se pintar a figura do “ministro milionário” e deixar que a indignação coletiva faça o resto do trabalho.
O Metrópoles, e Shalders em particular, repetem assim um padrão cansativo: focar em valores absolutos sem contextualizar, omitir a legalidade e a transparência do processo, e criar uma narrativa que apenas reforça a percepção negativa do funcionalismo público bem remunerado. Tudo isso enquanto se ignora o impacto positivo de um sistema que recompensa quem protege a União de perdas financeiras milionárias, preservando recursos que pertencem ao povo brasileiro.
No fundo, o que se percebe é um jornalismo de espetáculo, onde o leitor é conduzido a sentir raiva e inveja, em vez de compreensão. A crítica seria legítima se focasse em melhorar a governança ou em questionar o modelo de distribuição de honorários de forma técnica, mas não, a escolha é sempre pelo moralismo barato. E, ironicamente, é exatamente a falta de contexto e a visão enviesada que reforçam a necessidade de jornalistas e leitores conservadores questionarem narrativas, não aceitando a primeira versão sensacionalista de um fato legal e transparente.
Portanto, ao ler Shalders e suas cifras mirabolantes, lembre-se: o escândalo que ele quer vender existe apenas na narrativa construída para gerar cliques e indignação. O que se oculta são os detalhes essenciais: legalidade, transparência, governança e, sobretudo, o fato de que esses valores representam recompensa por trabalho e eficiência em defesa do erário público. Mas convenhamos, isso não dá manchete, não rende choque moral instantâneo, e certamente não atende ao algoritmo das redes sociais. Que conveniente para o Metrópoles, não é mesmo?
Enquanto o jornal insiste em pintar o ministro como um exemplo de excessos, a realidade é que Jorge Messias atua com responsabilidade, dentro da lei e da ética, e ainda busca melhorar o sistema que ele mesmo integra. E isso, caros leitores, é o que realmente assusta certos veículos: competência, transparência e boa governança. Mas para o Metrópoles, a verdadeira notícia é sempre outra, e ela nunca tem a ver com fatos, apenas com o espetáculo que eles conseguem criar.
Com informações Metrópoles
















