Ministro de Lula que bancou ‘carnaval fora de época’ com verba pública ataca anistia na Câmara

Em mais um episódio digno do teatro político brasileiro, Márcio Macêdo, o homem que ocupa a Secretaria-Geral da Presidência da República

Por Notas & Informações

Em mais um episódio digno do teatro político brasileiro, Márcio Macêdo, o homem que ocupa a Secretaria-Geral da Presidência da República como se fosse um trono hereditário, resolveu dar lições sobre democracia. Sim, ele mesmo, que entre carnavais fora de época, fotógrafos pagos com dinheiro público e assessores transformados em foliões oficiais do Estado, agora posa de guardião da Constituição. É quase poético: o ministro que usou os cofres públicos para bancar uma farra em Aracaju tem a ousadia de dizer que o projeto de anistia “atenta contra os Poderes”. Poderes, no plural, como se o dele fosse um quarto não escrito na Constituição.

Segundo Macêdo, a anistia aos condenados de 8 de janeiro seria um “atentado contra a harmonia dos Poderes”. A mesma harmonia que ele cultiva em blocos de carnaval, escoltado por servidores pagos para fotografar sua alegria em meio ao suor e à espuma das ruas. E, claro, tudo às custas do contribuinte. Afinal, nada soa mais harmônico do que diárias gordas e passagens aéreas bancadas pelo erário, para que um fotógrafo oficial registrasse cada sorriso do ministro no meio da folia. Um espetáculo democrático, sem dúvida.

O discurso inflamado do ministro não surpreende. Quando questionado sobre o devido processo legal, ele jurou que tudo foi respeitado, como se a palavra dele fosse suficiente para apagar as críticas a julgamentos apressados, penas desproporcionais e a clara politização de processos no Supremo. Para Macêdo, todos tiveram contraditório, ampla defesa e direito de falar. O detalhe é que, nesse teatro, os acusados falaram – mas ninguém ouviu. O veredito já estava pronto, embalado e entregue. Democracia de vitrine, pronta para consumo externo.

Mais curioso ainda é ouvir o ministro citar pesquisas de opinião. Sim, pesquisas. Aquele recurso científico seletivo que só é lembrado quando convém. Segundo ele, a maioria dos brasileiros não apoia a anistia e confia cegamente no STF. É claro, as mesmas pesquisas que juraram que Lula nunca voltaria a ser presidente, que Bolsonaro perderia já no primeiro turno, e que a credibilidade da imprensa continua intacta. Se é para falar em pesquisas, talvez Macêdo pudesse encomendar uma sobre a opinião pública a respeito do seu carnaval de Aracaju, bancado com R$ 18.559,27 de dinheiro público. Imaginem o resultado.

O caso, exposto pelo Estadão em janeiro de 2024, revelou que três servidores foram deslocados, com direito a diárias e passagens, para acompanhar o ministro em uma “agenda oficial” em uma ONG vizinha a Aracaju. Coincidentemente, a agenda desapareceu como mágica, mas as 28 fotos e um vídeo do ministro se divertindo na folia permaneceram como registro imortal da transparência lulista. E quando a número 2 da pasta, Maria Fernanda Ramos Coelho, ousou negar a farra, perdeu o cargo. Afinal, a harmonia entre Poderes, segundo Macêdo, inclui a harmonia dentro do próprio gabinete: quem não dança conforme a música do ministro é exonerado.

Agora, este mesmo personagem vem a público posar de defensor da moralidade constitucional. Ele acusa opositores de conspirarem contra a democracia, quando ele próprio conspirou contra a moralidade administrativa. O Ministério Público junto ao TCU pediu investigação de improbidade administrativa, mas, no Brasil de Macêdo, a culpa nunca é de quem gasta o dinheiro público em benefício próprio – a culpa é sempre de quem ousa contestar a narrativa oficial.

O mais irônico é ver Márcio Macêdo falar em recado ao povo brasileiro. Porque, convenhamos, o recado já foi dado em Aracaju, entre confetes, serpentinas e assessores pagos para segui-lo como fotógrafos de celebridade. O recado é simples: o poder público existe para servir a quem está no poder, não ao povo. O ministro sabe bem disso, tanto que não postou nenhuma imagem da tal agenda oficial na ONG, mas fez questão de publicar 28 fotos da sua própria folia. Recado recebido.

E quando o ministro insiste que a anistia seria inconstitucional, só resta rir. A mesma Constituição que é ignorada diariamente por decisões monocráticas, que é dobrada ao sabor de interesses políticos, agora vira escudo moral de um ministro que já provou tratar o erário como extensão da sua conta bancária. De repente, a lei serve – mas apenas quando convém ao governo.

Em suma, Márcio Macêdo é a perfeita personificação do lulismo em 2025: um ministro que se apresenta como paladino da democracia enquanto dança sobre os ombros do contribuinte. Que condena a anistia em nome da harmonia dos Poderes, mas que entende harmonia como a liberdade de transformar servidores públicos em foliões particulares. Que invoca pesquisas como se fossem dogmas, mas ignora o óbvio: a sociedade já percebeu o cinismo, o deboche e a seletividade de um governo que fala em democracia enquanto pisa nela diariamente.

E assim, enquanto a Câmara discute a anistia e o povo acompanha perplexo, o ministro segue intocado, blindado pelo mesmo sistema que ele defende com unhas e dentes. No fim, não há surpresa: em Brasília, quem tem amigos certos nunca é condenado, nunca precisa de anistia, e nunca perde a pose de moralista. Afinal, como diria o próprio Macêdo, a democracia brasileira foi fortalecida. Fortalecida para quem? Bem, as fotos em Aracaju respondem melhor do que qualquer discurso.

Com informações Metrópoles/Estadão

COMPARTILHE

NEWSLETTER

Conservadores Conectado

Comece o dia com as principais notícias, além de colunas e links selecionados, de segunda a sexta.

Mundo

Destaques