
O vídeo do senador Magno Malta é um verdadeiro grito de alerta e indignação. Em meio ao teatro jurídico armado pela Suprema Corte, o parlamentar retorna do recesso com a coragem de poucos para denunciar, com todas as letras, a ruína institucional promovida por Alexandre de Moraes e seus pares. Enquanto muitos se escondem atrás das togas e da retórica vazia, Malta escancara o que milhões de brasileiros já sabem, mas têm medo de dizer: não vivemos mais sob um Estado de Direito, e sim sob o jugo de um sistema autoritário disfarçado de democracia.
Malta começa pontuando a expectativa de uma bomba institucional nesta primeira reunião do STF pós-recesso. Contudo, o que se viu foi um espetáculo pífio, um silêncio constrangedor daqueles que, até pouco tempo, se perfilavam como aliados de Moraes. A “montanha pariu um rato”, diz o senador, com uma metáfora que, se não fosse tão trágica, beiraria o cômico. Até os mais alinhados, como Barroso e Gilmar Mendes, hesitaram. As expressões corporais, conforme destacado por Malta, denunciaram o temor, o receio e, quem sabe, até um certo arrependimento por terem embarcado em um projeto tão antijurídico e antinacional.
O senador ainda observa com precisão que Alexandre de Moraes queimou todas as canoas. Não há mais volta. Rasgou a Constituição, atropelou os códigos, e destruiu pilares como o juízo natural, a primeira e a segunda instância. Hoje, o Brasil virou um tribunal de exceção, onde um único homem decide, julga, condena e executa. Tudo sob a complacência, ou omissão, dos demais ministros da Suprema Corte. Alexandre de Moraes tornou-se a encarnação do poder absoluto – algo que a Constituição de 1988 jamais autorizou.
Quando o próprio Moraes afirma que suas decisões são sempre acompanhadas por seus pares, Malta entende — e nos alerta — que ele está mandando um recado interno: “não vou afundar sozinho”. Isso é gravíssimo. Denota uma tentativa de amarrar a Corte a seus próprios abusos, como se a solidariedade institucional devesse se sobrepor à legalidade. A Corte virou uma confraria, onde o acerto político substitui a jurisprudência, e onde o medo de cair sozinho leva à conivência generalizada.
A crítica mais pungente surge quando Magno Malta desmonta a fala cínica de Moraes sobre família, filhos e empatia. Um juiz que perseguiu adversários políticos sem piedade, que manteve homens idosos e doentes encarcerados sem provas — como Clezão — agora tenta posar de vítima sensível? É um escárnio. Alexandre, que jamais demonstrou humanidade diante das famílias destruídas por suas decisões arbitrárias, agora se diz preocupado com sua própria prole? O senador acerta na veia ao chamar isso de puro cinismo. A tentativa de humanizar-se diante do inevitável julgamento histórico não convence. Quem planta tirania, colhe repulsa.
A denúncia de Magno Malta vai além do plano moral ou emocional. Ele lembra com precisão que os Estados Unidos já isolaram Alexandre de Moraes. Isso não é pouca coisa. O Brasil começa a perder credibilidade internacional porque sua Suprema Corte passou a agir como um braço ideológico do Executivo. Não há mais independência entre os poderes. Há um consórcio, como bem afirmou o senador, entre o Judiciário e o governo Lula — uma aliança para esmagar adversários, criminalizar opiniões e reescrever a história recente do país com base em narrativas fantasiosas.
E o ápice do absurdo jurídico se dá quando Alexandre de Moraes anuncia que julgará Jair Bolsonaro. Mesmo sabendo que não há crime, que não há golpe, que não há sequer denúncia coerente. Mesmo sabendo que o ex-presidente não usou força, não tentou tomar o poder, e que as “provas” contra ele são prints de celular e conversas manipuladas, Moraes insiste no espetáculo. Isso não é justiça, é vingança. É perseguição ideológica. É a instrumentalização do Judiciário para fins políticos, algo que nenhum país civilizado tolera.
Magno Malta encerra seu discurso conclamando o povo às ruas, não por revolta cega, mas por legítima defesa. É a sociedade civil se levantando contra um sistema que não a representa mais, que não respeita suas liberdades, nem sua Constituição. A ditadura da toga — como corretamente nomeia o senador — precisa ser enfrentada de frente, com coragem e com união.
O dia 3 será um marco. Não apenas um protesto, mas uma declaração de inconformidade nacional. Um povo que aceita calado o autoritarismo, torna-se cúmplice dele. Mas o povo brasileiro, apesar das ameaças, censuras e prisões, ainda tem voz. Ainda tem fé. Ainda tem esperança. E essa esperança se traduz nas palavras firmes de Magno Malta, que nos lembram que a verdade, cedo ou tarde, prevalece.
É hora de acordar. É hora de resistir. Porque um país onde um só homem decide tudo, não é uma democracia. É uma tirania. E tiranias não se sustentam eternamente. Como bem advertiu o senador, as muralhas do medo estão começando a rachar. E quando elas caírem, cairão com o peso da indignação de milhões. O povo vai vencer.
















