
Você acorda, toma seu café, liga a TV e vê o governo comemorando mais uma “vitória econômica”. A inflação está “controlada”, o PIB está “crescendo”, e claro, o “Brasil voltou”. Mas aí vem uma tal de Moody’s, essa instituição chata que insiste em estragar a festa socialista com números, fatos e uma dose de realidade — e diz: “Meus caros, o show de ilusionismo acabou.”
Na última sexta-feira (30), a agência de classificação de risco Moody’s — uma daquelas que observa países com a mesma paciência que um professor do primário assistindo a um aluno tentando colar na prova — resolveu atualizar sua perspectiva sobre o Brasil. Antes, havia um “otimismo moderado” com essa turma de Brasília. Agora? Esfriaram o champanhe. O país saiu de uma perspectiva positiva para estável. Em outras palavras: não esperamos que piore (tanto), mas melhorar? Só com reza forte.
Ah, sim. A nota continuou em Ba1, a um passo do tão sonhado grau de investimento, que é aquele selo que países sérios ganham quando mostram compromisso com responsabilidade fiscal, previsibilidade e, pasme, limitar gastos. Mas o Brasil, sob o comando de um governo que trata o Tesouro como se fosse o cofre do Tio Patinhas, não conseguiu entregar o básico.
Segundo a reportagem da Reuters (essa sim, ainda tenta escrever com certo pudor), a Moody’s culpou a “lentidão em enfrentar a rigidez dos gastos” e a falta de credibilidade fiscal. Nossa, que surpresa, não? Quem poderia imaginar que aprovar aumento de salários, desonerar combustíveis de forma populista e prometer bilhões em emendas parlamentares resultaria em desconfiança internacional?
A cereja do bolo vem quando a agência menciona a “deterioração pronunciada da capacidade de pagamento da dívida”. Isso é o tipo de linguagem educada que as agências usam para não escrever “o governo está torrando dinheiro como se não houvesse amanhã, e quando a conta chegar, fingirá surpresa”.
Mas calma, leitor. Não precisamos nos preocupar! Afinal, o Ministério da Fazenda, numa demonstração de sua impressionante capacidade de ignorar a realidade, respondeu com uma nota padrão: “reafirmamos nosso compromisso com a melhoria dos resultados fiscais.” É quase fofo: parece aquelas promessas de Ano Novo de parar de comer açúcar ou começar a academia — sinceras na intenção, esquecidas em fevereiro.
Se fosse só a Moody’s, poderíamos dizer que estão sendo exigentes demais. Mas não. O Brasil já está duas casas abaixo do grau de investimento na S&P e na Fitch. E mesmo assim, a trupe governista continua sorrindo para as câmeras e postando vídeos sobre como o Brasil está “no caminho certo”. Se isso for “certo”, eu prefiro me perder no mato com uma bússola quebrada.
Veja bem: quando a Moody’s elevou o Brasil para Ba1 em outubro passado, havia um mínimo de expectativa de que a gestão petista, com sua ladainha de “responsabilidade social e fiscal”, ao menos tentasse entregar algo que convencesse o mercado. Mas não. Em vez disso, o que se viu foi uma verdadeira orgia de gastos públicos, com promessas generosas para sindicatos, universidades públicas e estatais — tudo bancado com o cartão corporativo do contribuinte.
A confiança se constrói com ações, não com discursos. E a Moody’s, diferente da militância que lota auditórios para gritar “Fora mercado!”, entende muito bem que palavras não pagam dívida, nem mantêm o câmbio sob controle. A deterioração da credibilidade fiscal mencionada pela agência não é invenção de um “complô neoliberal”, mas sim reflexo de um governo que confunde caridade com gestão e acha que crescimento se imprime com dinheiro novo na Casa da Moeda.
Ah, e como não mencionar a trágica ironia de que, enquanto o Brasil perde confiança internacional, o governo ainda insiste em discursar em fóruns globais como se fosse exemplo de “justiça social”? Sim, o mesmo Brasil que quer gastar mais do que arrecada, sem ter coragem de cortar privilégios da elite do funcionalismo público. O nome disso não é justiça — é hipocrisia com orçamento secreto.
Mas calma, dizem os otimistas: “o país continua com potencial de crescimento”. De fato, tem mesmo. Rico em recursos naturais, com uma população criativa e resiliente, o Brasil poderia ser uma potência. Mas, como bem pontuou a Moody’s com toda sua elegância cruel, esse potencial está sendo ofuscado pela irresponsabilidade fiscal. É como um aluno inteligente que cola na prova porque prefere fazer gracinha na sala em vez de estudar.
E não pense que a crítica da Moody’s ficou só nisso. A agência deixou claro que, enquanto o Brasil não resolver a rigidez dos gastos — ou seja, despesas obrigatórias que só crescem, como se fossem um filho mimado que exige mesada em dólar —, o país continuará longe do tão sonhado selo de credibilidade global. E sabe o que isso significa? Juros mais altos, menos investimentos, e mais impostos para você pagar a farra de Brasília.
Vamos recapitular?
- O governo ignora avisos de especialistas.
- Gasta mais do que arrecada.
- Se recusa a fazer reformas sérias.
- E ainda quer convencer o mundo de que está “no rumo certo”.
Isso não é gestão pública. É teatro de vanguarda, com roteiro de tragédia e figurino de palhaçada.
Enquanto isso, a imprensa militante corre para suavizar a notícia. Alguns sites já tentam vender o rebaixamento da Moody’s como “mera formalidade técnica”. Claro! E o Titanic só fez uma “revisão de rota” antes de afundar.
O brasileiro de bem — aquele que acorda cedo, paga impostos, emprega pessoas e sonha com um país sério — precisa entender que esse tipo de notícia não é apenas “coisa de economista”. Ela impacta diretamente no seu bolso. Quando o Brasil perde credibilidade, o custo da dívida sobe. Quando a dívida sobe, o governo aperta a arrecadação. E quando a arrecadação aperta, você — sim, você mesmo — paga a conta. Com menos crescimento, menos crédito, e claro, mais inflação.
E enquanto isso acontece, o governo federal se diverte no Twitter, defende “nova matriz econômica” em palanques improvisados e anuncia medidas paliativas com nomes pomposos como “Plano de Transformação Ecológica” ou “Desenvolvimento Inclusivo Sustentável”. Parece até que compraram um gerador de palavras da ONU para nomear os próprios fracassos.
O recado da Moody’s, embora dito em tom educado, foi mais direto do que qualquer manchete gritada: “acordem”. O mundo está de olho, e o romantismo ideológico não paga contas. Não há “narrativa” capaz de esconder déficits crônicos, descontrole orçamentário e a incapacidade do governo de tomar decisões impopulares — como cortar gastos, enxugar estatais e limitar os poderes de corporações públicas que vivem como aristocratas sustentadas por plebeus.
Se o Brasil quiser mesmo conquistar o grau de investimento — e deixar de ser visto como um adolescente rebelde no baile dos adultos — vai precisar mais do que discursos bonitos e promessas genéricas. Vai ter que governar. E isso, infelizmente, parece algo que o atual governo ainda não aprendeu a fazer.
Enquanto isso, caro leitor, prepare-se: mais inflação, mais juros e mais impostos vêm aí. Porque, como diz a Moody’s, a perspectiva é “estável”. Ou seja, o buraco continua no mesmo lugar — e o governo, firme e forte, cavando com uma pá de ouro.
Se você achou que a Moody’s foi dura demais, é porque ainda não viu o que o mercado pode fazer quando perde a paciência. E aí, meu amigo, nem a militância digital, nem o circo midiático, nem os discursos apaixonados vão segurar o tombo. Mas vá lá, continue acreditando que “o Brasil voltou”. Só não esqueça de guardar dinheiro para a conta que está vindo.
Com informações Reuters
















