
Ah, Alexandre de Moraes, o paladino do Supremo, o cavaleiro da soberania nacional, o mestre das “vacinas” contra críticas inconvenientes. Quem poderia imaginar que a história brasileira, tão rica em episódios de corrupção e incompetência estatal, ganharia um capítulo novo, estrelado pelo nosso herói de toga, relator do processo da chamada trama golpista, com direito a uma cobertura honesta da Folha de S.Paulo, no artigo “STF inicia julgamento de Bolsonaro por trama golpista nesta terça (2); acompanhe ao vivo”? Um título que já começa a pavimentar o terreno para a narrativa que Moraes tão diligentemente cultiva: o ex-presidente Jair Bolsonaro, potencialmente encarcerado por mais de 40 anos, um verdadeiro “vilão” da democracia brasileira, e ele, Moraes, o guardião da pátria, firme e inflexível.
É preciso apreciar a grandiosidade da cena: pouco depois das nove da manhã, o ministro abre a sessão e já se lança em seu épico de defesa do Judiciário, citando soberania, independência e direitos fundamentais como se fossem feitiços mágicos capazes de silenciar qualquer dúvida. Ah, a soberania! Moraes não cansa de repetir que ela jamais será vilipendiada ou extorquida, como se estivéssemos todos prestes a assistir a um ataque estrangeiro, quando na realidade o único ataque é sua própria tentativa de transformar um julgamento judicial em espetáculo midiático de autopromoção.
O relatório, que deveria ser apenas um resumo frio e técnico do processo, é rapidamente substituído por um show de bravata retórica. O ministro, com uma elegância digna de Hollywood, denuncia que houve “condutas dolosas e conscientes com a finalidade de tentar coagir o Judiciário”. Ah, sim, coagir o STF! Imagine só: pessoas expressando opiniões políticas, e lá está Moraes, prontíssimo para soar o alarme, como se fosse o último bastião contra a anarquia. E claro, ele ainda faz questão de mencionar o fantasma internacional, Donald Trump, numa referência quase cinematográfica à tentativa de “influência” estrangeira, enquanto ignora convenientemente que seus próprios atos de intimidação política domesticamente podem ser igualmente problemáticos.
E que espetáculo de autocomplacência! Moraes repete, para deleite próprio, que “jamais faltará coragem” à corte, reforçando a narrativa de que qualquer questionamento a ele ou ao STF é automaticamente um ataque à nação. Não é apenas um julgamento; é um teatro de grandiosidade, uma performance de poder que mistura política, direito e ego em doses homéricas. A Folha, como sempre preocupada em informar, descreve com precisão cada passo, cada frase, cada reverência à própria autoridade. Parece até que estamos diante de um presidente encapotado de magistrado, onde a toga se transforma em armadura contra qualquer semblante de crítica.
O ministro Alexandre de Moraes, relator da ação penal 2668, fez inúmeras alusões às tentativas do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de influenciar no julgamento que pode levar à prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro. Tentativas de "coagir" o STF e "submeter o… pic.twitter.com/xHQzR6UdRS
— Folha de S.Paulo (@folha) September 2, 2025
E não podemos deixar de mencionar o episódio do 7 de setembro de 2021, citado pelo próprio Moraes, como se fosse um trauma pessoal gravado em pedra. Ah, o ex-presidente falando com firmeza contra decisões do STF, e o ministro, em sua santa indignação, guardou cada palavra, cada gesto, cada entonação, para agora transformar aquilo em prova de uma “trama golpista”. Não é incrível como o poder absoluto consegue ressignificar fatos banais em delitos monumentais? Uma aula de interpretação criativa, digna de nota acadêmica: transformar um discurso crítico em tentativa de subversão do Estado.
O mais hilário, ou trágico, dependendo do ponto de vista, é a insistência de Moraes em chamar atenção do público internacional. Ele quer que o mundo veja a seriedade do STF, enquanto o mundo observa perplexo o quanto um julgamento político pode ser maquiado como um processo judicial rigoroso. The Economist dá tapinhas nas costas do tribunal; o New York Times solta críticas tímidas. E entre um eco e outro, Moraes continua a narrar sua própria epopeia, de relator heroico, defensor da democracia, juiz que não teme inimigos imaginários e que, como bônus, consegue transformar qualquer processo em espetáculo de moralidade pública.
A pacificação do país, segundo nosso ministro, depende da aplicação rigorosa das leis e do respeito à Constituição. Mas é curioso: o país parece pacificar-se muito bem quando ele está quieto, mas no momento em que questionamos sua conduta, a pacificação desaparece e surge a “coragem” infalível do STF. A ironia aqui é deliciosa: transformar qualquer resistência política em crime, enquanto ele se apresenta como bastião da legalidade.
E enquanto ele declama sobre impunidade, golpe de Estado e coação estrangeira, o restante do país assiste a uma performance de pura teatralidade jurídica. Vaias, gritos e cartazes? Proibidos, é claro. A liberdade de expressão é convenientemente substituída pelo silêncio reverente diante de um tribunal que, sob o comando de Moraes, se tornou menos uma corte e mais uma plataforma de autoafirmação. A Folha detalha cada movimento, cada palavra, cada suspiro, como se documentasse um episódio histórico de heroísmo, enquanto muitos percebem o que realmente está acontecendo: um show de poder pessoal, travestido de processo legal.
Em resumo, Alexandre de Moraes nos oferece uma lição magistral sobre como transformar o Judiciário em palco, como elevar seu próprio ego à altura de soberania nacional e como criar um espetáculo midiático de autopromoção que a Folha de S.Paulo cobre com o respeito que só a tradição jornalística poderia garantir. A trama golpista? Talvez real, talvez exagero. O espetáculo de Moraes? Indiscutivelmente presente e impecavelmente calculado. E assim seguimos, observando o mestre da toga em ação, pronto para julgar, proclamar coragem e proteger a soberania… de sua própria narrativa.
Se você quiser saber mais sobre esse herói nacional que lê relatórios como se fossem textos sagrados, apenas acompanhe o julgamento, porque cada palavra dele é uma performance, cada citação uma lição de dramatização, e cada menção à soberania, uma lembrança de que o STF, sob Alexandre de Moraes, não julga apenas processos: julga corações, mentes e, acima de tudo, a paciência do país inteiro.
Com informações Folha de S.Paulo
















