
Em um país que vive em eterno embate entre narrativas, escândalos e improvisações institucionais, a simples possibilidade de um deputado conservador assumir a presidência de uma CPI do INSS causa um terremoto político, midiático e emocional. E não é por acaso. O Brasil virou uma terra onde a busca por transparência é interpretada como ameaça, e a coragem de um parlamentar em expor absurdos é tratada como afronta à “democracia” – desde que democracia signifique obedecer calado aos desmandos do Executivo.
Enquanto isso, a população segue atolada em impostos, inflação e uma sensação de impotência diante de um Estado que parece operado por um cartel legalizado. Um país que pretende tributar a cerveja do trabalhador, mas perdoa bilhões em multas de empreiteiras envolvidas na Lava Jato, mostra que a justiça fiscal nunca foi o objetivo. O objetivo sempre foi o poder.
As denúncias de fraudes no INSS, com 90 bilhões de reais desviados de aposentados, principalmente do Norte e Nordeste, expõem o verdadeiro Brasil: um país onde idosos doentes, indígenas analfabetos e cidadãos que nem vivem mais no país foram usados como massa de manobra para engordar sindicatos ligados ao governo. E quando surge um parlamentar que ousa tratar o assunto com a seriedade e o impacto midiático que ele exige, o sistema treme.
A simples menção de Nicolas Ferreira na presidência da CPI fez o Planalto suar frio. Não porque ele seja inexperiente – como alegam os que fingem se importar com técnica – mas porque ele comunica. Porque ele viraliza. Porque ele expõe. E em tempos de governo fraco, onde o Congresso não aprova sequer um IOF, qualquer CPI conduzida com visibilidade pública é uma ameaça mortal ao castelo de cartas montado pela base governista.
E a reação foi previsível: panfleto ideológico travestido de análise técnica. A velha ladainha do “congresso inimigo do povo”, das “fake news da extrema-direita”, da “democracia em risco”. Engraçado… quando o PT aparelha o Estado, impõe decretos ignorando o Congresso, perdoa bilionários corruptos e aciona o STF para manter sua vontade, não há um pio sobre autoritarismo. Mas quando um jovem deputado grava um vídeo, o sistema desaba em pânico moral. Estranho, não?
E falando em IOF, é preciso destacar o cinismo envolvido. O mesmo governo que tenta taxar investimentos populares como LCI, LCA, CRI e CRA, com o discurso de “justiça fiscal”, é o mesmo que perdoa dívidas de empreiteiras condenadas por corrupção, além de financiar ONGs de sindicatos petistas para promover “feiras progressistas”. Como se já não fosse suficiente termos que financiar luxos de um Estado inchado, agora o brasileiro tem que patrocinar também o ativismo esquerdista.
E como o governo não consegue mais passar nem projetos básicos no Congresso, o novo caminho é o STF. Sim, a Suprema Corte virou um balcão de socorro político. Perdeu no parlamento? Recorre ao Judiciário. O novo modelo institucional é esse: um Executivo autoritário que não admite derrotas e usa o Judiciário como lixeira constitucional para enterrar as decisões populares representadas no Parlamento.
Mas talvez o ponto mais bizarro de todo esse teatro seja o surgimento de um feriado nacional… por pura conveniência política. Em meio ao caos fiscal, ao aumento da pobreza, à destruição da credibilidade institucional e ao roubo sistemático dos aposentados, Lula decide transformar o dia 2 de julho em feriado nacional. Claro, prioridade absoluta, não é mesmo?
Ah, mas é um reconhecimento da luta pela independência baiana, dirão os defensores. Sim, e também uma cortina de fumaça para desviar a atenção de derrotas no Congresso, da queda de arrecadação e da falência moral de um governo que já nasceu em crise. E no meio disso tudo, a jornalista Madeleine Lacsko, em tom irônico e cirúrgico, escancarou a palhaçada: “Quando Deus quer ajudar a gente, até quem quer atrapalhar ajuda.”
Essa frase resume o Brasil. Um país onde os absurdos são tão grotescos que, por vezes, acabam revelando verdades inescapáveis. A cada tentativa de disfarçar os crimes do presente, reacende-se a memória dos escândalos do passado. E no fim, até o humor involuntário vira profecia: o “Dia da Madá” proposto por Lacsko para celebrar sua independência é uma metáfora perfeita para a verdadeira independência que o povo brasileiro busca há décadas — a libertação do Estado parasita.
A esquerda, com sua obsessão por narrativas, esqueceu que o Brasil real não é um programa de auditório da GloboNews. A CPI do INSS não é apenas mais uma briga política — ela é o último suspiro de um povo saqueado. É a chance de mostrar que, mesmo diante da máquina estatal e da militância togada, ainda resta um fio de esperança no poder legislativo. Mesmo que ele venha de alguém de camiseta preta e celular na mão.
A verdade é que o sistema não teme o erro. O sistema teme a exposição. E se for preciso que o Congresso desafie o STF, que um deputado jovem confronte as velhas raposas e que o Brasil reveja sua ideia de “democracia”, que assim seja. A alternativa é aceitar calado que o país foi tomado por um consórcio de saqueadores protegidos por narrativas.
E como boa conservadora que é, Madeleine Lacsko deu a deixa: o que nos resta é rir do absurdo, mas sem nunca esquecer do essencial. Porque, no fim, o feriado criado para massagear egos também expôs a pequenez de um governo que não consegue esconder mais suas prioridades. E isso, meus caros, não é apenas ironia. É o prenúncio de que o Brasil, enfim, pode estar acordando.
Com informações Narrativas com Madeleine Lacsko
















