“O Congresso impede ajuste”, diz Miriam Leitão – O Globo

Imagine uma comentarista econômica, há décadas imersa na bolha progressista da Zona Sul carioca, ainda fingindo que o governo Lula é

Por Notas & Informações

Imagine uma comentarista econômica, há décadas imersa na bolha progressista da Zona Sul carioca, ainda fingindo que o governo Lula é uma vítima inocente dos males da política brasileira. Sim, estamos falando de Míriam Leitão, a “jornalista independente” mais previsível do país — aquela que consegue transformar qualquer tragédia econômica em poesia lulista e todo descalabro fiscal em culpa do “Congresso malvado”. Sua última pérola em O Globo, sobre o tal “Congresso que impede o ajuste fiscal”, não é apenas um artigo: é um monumento à dissimulação jornalística e à velha arte de proteger o seu lado da trincheira com tinta, papel e muita cara de pau.

Leitão começa o texto já choramingando: “O governo tenta cortar gastos e aumentar a arrecadação, mas esbarra em um Congresso que sabota medidas de ajuste fiscal.” Aham, claro. Aquelas mesmas mãos que criaram o “arcabouço fiscal” com furos dignos de queijo suíço agora tentam, coitadinhas, “cortar gastos”. Aí você pergunta: quais gastos, Míriam? Supersalários? Esquemas milionários de emendas? Ah não, claro… são os benefícios fiscais da Zona Franca de Manaus e o Simples Nacional que precisam ser cortados. Nada como mirar no pequeno para não incomodar os peixes graúdos da Esplanada.

O texto avança como quem joga confete sobre um velório, tentando pintar de heroico o que é, na prática, uma sequência de decisões patéticas, tomadas por um governo que não corta nada, não enfrenta ninguém, não peita seus próprios aliados, mas que adora posar de vítima — com Miriam como porta-voz oficial da vitimização progressista. Ela cita com ar solene o iluminado Samuel Pessôa, que classifica o Congresso como refém dos “grupos de pressão”. Já o Executivo — veja só! — representa o “eleitor mediano”. Essa parte é digna de uma gargalhada libertadora. Lula, com sua corte de sindicalistas, intelectuais de boteco e militantes travestidos de ministros, como Fernando Haddad, “representa” o brasileiro médio? Talvez aquele que vive do Pix do Estado, claro. Porque quem trabalha, produz e paga imposto está mais para inimigo do que eleitor na cartilha petista.

A cereja do bolo, porém, está na indignação seletiva de Miriam: “O Congresso aprovou um projeto vergonhoso para aumentar o número de deputados!” Sim, isso é mesmo uma excrescência. Mas o que dizer do decreto do IOF, que o governo tentou empurrar goela abaixo para tapar buracos fiscais? Miriam trata a elevação do IOF como se fosse um ajuste técnico, uma medida sensata sabotada pelos bárbaros do Parlamento. Ela convenientemente esquece que o IOF é um imposto regressivo, que pesa mais sobre o pobre e sobre quem tenta se financiar em momentos difíceis. Mas tudo bem, né? Desde que arrecade R$ 10 bilhões, quem liga para o impacto social?

É tocante o esforço de Miriam em fazer parecer que Fernando Haddad é um ministro bem-sucedido. Segundo ela, “foi até bem-sucedido porque conseguiu colocar uma escadinha, um caminho de saída”. Escadinha? De onde? Do presídio de Bangu? Porque na economia real, a escadinha do Haddad leva direto ao buraco: inflação teimosa, crescimento medíocre e uma credibilidade tão derretida quanto sorvete no asfalto de Brasília.

E então vem o clássico: “O Congresso não quer cortar despesas porque tem eleição em 16, 17 meses”. Ah, claro. O governo, por sua vez, está de mãos atadas… ou melhor, de mãos muito ocupadas distribuindo cargos, liberando emendas, perdoando dívidas de estados amigos e mantendo a base anestesiada com promessas e pix. Mas segundo a Miriam, quem está travando o país são os deputados, esses monstros insaciáveis que ousam contrariar a pureza fiscal do Palácio do Planalto.

Ela até cita o Benefício de Prestação Continuada (BPC) e o aumento exponencial de gastos com decisões judiciais. Mas se esquece — convenientemente — de dizer que este mesmo governo expandiu o Bolsa Família, aumentou programas sociais sem contrapartida fiscal e mantém a estrutura pública inchada como um sapo pronto para explodir. Falar de BPC como vilão é quase uma ironia perversa: o pobre é culpado, mas o estado obeso, esse deve continuar engolindo tudo sem fazer dieta.

Agora, vamos combinar: a melhor parte do artigo é quando ela acusa o Congresso de demagogia. Isso vindo da comentarista que passou os últimos 20 anos defendendo pedaladas, contabilidade criativa, “nova matriz econômica”, gastos sem freio e programas populistas como se fossem poesia monetária de alta complexidade. Chamem os bombeiros, porque o teto da coerência pegou fogo.

O problema é que, para a elite progressista da qual Miriam é sacerdotisa, a culpa nunca é da esquerda. Lula pode afundar o país em dívidas, congelar investimentos, paralisar a agenda de reformas e até colocar um papagaio como ministro da Fazenda — ainda assim, o erro será “das elites conservadoras” ou “do Congresso retrógrado”. Essa narrativa é tão repetida que virou um mantra: se der certo, foi o Lula. Se der errado, foi o Centrão. Genial, não?

No fundo, o que Miriam escreve não é análise econômica. É militância disfarçada de editorial. Um apelo emocionado para que o Brasil volte a acreditar que um governo inchado, aparelhado e ideológico ainda pode salvar as finanças públicas com “escadinhas” mágicas de Haddad e decretos de IOF. Mas, como todo conto de fadas mal escrito, essa história está fadada a terminar em tragédia. E, desta vez, nem a retórica floreada de Miriam conseguirá esconder o cheiro de queimado que vem da cozinha do Planalto.

Enquanto isso, seguimos aqui, assistindo a comentaristas “independentes” tentando colar com cuspe uma narrativa que já nasceu despedaçada.

Com informações O Globo

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