
A cada nova edição, O Globo parece disputar com si mesmo o troféu da narrativa mais caricata contra Jair Bolsonaro. O encarregado desta missão, é o Bernardo Mello Franco, um daqueles que se apresenta como analista político, mas que na prática funciona mais como militante de luxo da extrema-esquerda. Sua manchete da vez, “Bolsonaro mapeou ao menos três países como opções de fuga do Brasil”, não poderia ser mais conveniente para o enredo que eles vêm martelando: o capitão acuado, desesperado e prestes a escapar pela janela da democracia. Um roteiro digno de novela mexicana, mas vendido como jornalismo sério.
O curioso é que, para O Globo, especulação vira fato, fofoca vira apuração e qualquer frase tirada de contexto vira manchete com letras garrafais. Segundo Bernardo, Bolsonaro teria considerado três países para fugir, como se estivesse jogando War no porão de casa. Os Estados Unidos, a Hungria e a Argentina foram citados como possíveis refúgios. Claro, porque se há um personagem que precisa de proteção internacional, é justamente aquele que continua morando em Brasília, cumprindo medidas judiciais, sendo monitorado e vigiado como nenhum outro ex-presidente da história. Que fuga espetacular, não?
O texto é recheado de adjetivos prontos, como “golpe”, “ameaça”, “desespero” e “melar julgamento”. É a cartilha já conhecida: repetir palavras fortes até que o leitor, cansado, confunda narrativa com verdade. O jornalista fala como se Bolsonaro tivesse se tornado um personagem de quadrinhos underground, um vilão caçado pelo herói supremo, Alexandre de Moraes. Aliás, Moraes é sempre retratado como o paladino da democracia, o guardião que impede o caos. Ninguém no Globo parece se incomodar com o fato de que esse mesmo ministro concentra em suas mãos funções de investigador, acusador e juiz, algo que em qualquer democracia madura seria considerado abuso de poder. Mas aqui, não. Aqui é “aplicação da lei”.
Enquanto isso, Lula desfila pelo mundo em viagens que soam mais como pré-campanha do que compromissos oficiais, e a redação não emite uma linha de suspeita. O presidente pode gastar milhões em diárias, voos e séquitos, e nada disso se transforma em manchete alarmista. Mas se Bolsonaro pisar na calçada de uma embaixada, pronto: está ensaiando fuga, conspirando contra o STF, tramando o fim da república. O contraste é tão escandaloso que só pode ser intencional.
Bernardo Mello Franco ainda tem a ousadia de transformar relações diplomáticas em atos de traição nacional. Bolsonaro pedir apoio a Trump, Orbán ou Milei vira crime simbólico. Mas Lula bajular ditadores de esquerda, posar ao lado de Maduro ou aplaudir as manobras cubanas é, no mínimo, tratado como ato de “solidariedade internacional”. A régua moral do Globo é flexível como chiclete, sempre moldada para proteger seus aliados e criminalizar seus desafetos.
Outro ponto risível é a insistência em tratar qualquer medida de defesa jurídica de Bolsonaro como manobra “para melar o julgamento”. Alguém precisa avisar ao jornalista que a Constituição garante o direito de defesa, inclusive de recorrer, questionar e buscar instâncias diferentes. O que para qualquer cidadão seria um procedimento normal, para O Globo é sinal de culpa. O jornal parece sonhar com um Brasil em que acusados renunciam ao direito de defesa só para agradar a plateia da redação.
O texto chega ao auge do surrealismo quando lembra que Bolsonaro, em 2022, esteve na Flórida. A viagem, que ocorreu de forma aberta, pública e conhecida, é recontada como se fosse uma fuga cinematográfica. Talvez Bernardo esperasse que o ex-presidente fosse algemado no aeroporto, para dar aquela foto que a imprensa tanto deseja. Como isso não aconteceu, eles se contentam em recontar o episódio como se fosse um ato de covardia. A cada parágrafo, percebe-se menos jornalismo e mais roteiro de ficção.
E, claro, a cereja do bolo está na frase final, quando lembram que Bolsonaro, agora em prisão domiciliar, teria dito: “Sair do Brasil é a coisa mais fácil que tem”. Em qualquer contexto racional, seria apenas uma constatação óbvia. Mas para Bernardo e sua turma, é a prova definitiva da fuga planejada, o bilhete de embarque para a narrativa que precisam alimentar.
Na realidade, quem foge não é Bolsonaro. Quem foge é o jornalismo de O Globo, que se esquiva da verdade, da imparcialidade e da responsabilidade de informar. Foge porque não tem coragem de admitir que Bolsonaro continua sendo uma figura central no coração de milhões de brasileiros. Foge porque sabe que, mesmo cercado por processos, censuras e manchetes hostis, ele segue representando uma resistência incômoda contra o projeto de poder que a esquerda tenta consolidar.
O que mais assusta o Globo não é a ideia de Bolsonaro sair do país. O que realmente os apavora é que ele continue exatamente onde está: no Brasil, na política, no imaginário popular, sendo lembrado como o homem que ousou enfrentar um sistema que hoje se alimenta da narrativa de salvadores da democracia. O jornal pode repetir mil vezes que ele planeja fugir, mas não pode apagar a realidade de que, contra todas as investidas, Bolsonaro segue firme, enquanto o jornalismo de esquerda vai se tornando cada vez mais irrelevante.
E assim, entre ficções e manchetes, o que sobra do texto de Bernardo Mello Franco não é informação, mas propaganda. Um jornalismo que já não serve ao público, mas ao partido. E isso, no fim das contas, é o verdadeiro escândalo que O Globo tenta esconder de seus leitores.
Com informações O Globo
















