O recuo no IOF por Haddad, revela o verdadeiro abismo fiscal da gestão do PT

Não é preciso cavar muito fundo para encontrar os escombros de um governo que não apenas tropeça em sua própria incompetência,

Por Notas & Informações

Não é preciso cavar muito fundo para encontrar os escombros de um governo que não apenas tropeça em sua própria incompetência, mas também cava com prazer a cova da responsabilidade fiscal do país. A mais recente demonstração dessa imprudência atroz veio à tona hoje, 23 de maio de 2025, por meio de uma reportagem assinada por Carlos Rydlewski, publicada no portal Metrópoles. Ali, o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, admitiu que o recuo parcial no aumento do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) poderá acarretar uma ampliação no já anunciado bloqueio do Orçamento federal. Como se o Brasil fosse um laboratório de improvisos, o governo decide, desfaz e decide de novo com base em “avaliar o impacto”. Mas o impacto maior, como sempre, recai sobre o cidadão.

A sequência dos fatos parece saída de um roteiro tragicômico. Na noite de quinta-feira (22/05), como revelou Haddad, o governo decidiu voltar atrás em uma medida que pretendia aumentar a alíquota do IOF sobre aplicações de fundos nacionais no exterior — de 0% para 3,5%. O decreto, publicado no Diário Oficial da União na manhã seguinte, manteve a alíquota zerada, contrariando o plano inicial. A cereja do bolo? A alíquota sobre remessas para o exterior destinadas a investimentos continua nos mesmos 1,1%.

Para o cidadão comum que talvez não acompanhe os bastidores das finanças públicas, pode parecer apenas mais uma tecnicalidade tributária. Mas o que está em jogo aqui é o coração do Orçamento nacional, o comprometimento com a arrecadação, a credibilidade do país perante os investidores e — talvez o mais grave — a capacidade do Estado de financiar seus próprios compromissos básicos sem depender de truques fiscais ou manobras políticas.

O que temos é um governo que insiste em governar por improvisos. Decide-se uma alta de imposto para arrecadar mais. Reage-se à pressão do mercado. Volta-se atrás. E então se diz: “vamos ter que ampliar o contingenciamento.” Ora, que tipo de gestão fiscal é essa que lança medidas sem sequer calcular seus impactos com precisão, que se dobra à pressão e depois joga o preço do recuo no colo da sociedade?

O que impressiona é a falta de coerência técnica e comprometimento político. Um ministro da Fazenda que admite em público que não sabe o impacto exato da medida, que age por tentativa e erro, está confessando, ainda que sem querer, que o Brasil não tem um plano econômico — tem uma sequência de reações desesperadas. O país tornou-se refém de um modelo de governo que não antecipa problemas, mas os empurra para frente até que se tornem crises. E quando a crise explode, o remendo é cortar ainda mais o Orçamento, como se fosse possível eternamente conter rombos sem reformar a estrutura.

A suposta “mudança de postura” do governo ao recuar da taxação dos investimentos no exterior não é uma atitude estratégica ou benéfica ao setor produtivo, como alguns tentam pintar. Trata-se, na verdade, de mais um capítulo da fragilidade ideológica e técnica da equipe econômica liderada por Fernando Haddad. O mesmo Haddad que, diga-se de passagem, se vendia como moderado, racional e técnico, mas que, ao longo do tempo, revelou-se nada mais que um instrumento político da ala mais ideológica do PT, incapaz de sustentar a coerência entre discurso e prática.

Não bastasse o cenário já sombrio das contas públicas, o ministro ainda alerta para a necessidade de ampliar o bloqueio do Orçamento. O que isso significa, na prática? Significa que setores essenciais, como saúde, educação, infraestrutura e segurança pública, podem sofrer ainda mais com a falta de recursos. O governo — o mesmo que prometia “voltar a fazer o Brasil feliz de novo” — agora admite que será necessário cortar ainda mais verbas porque não conseguiu implementar uma taxação prevista no seu planejamento fiscal.

E aqui cabe uma reflexão profunda: que tipo de governo projeta uma arrecadação baseada em impostos que sequer sabe se poderá aplicar? Como pode um país com mais de 200 milhões de habitantes estar à mercê de decisões tomadas na calada da noite, com consequências anunciadas apenas no dia seguinte, como se fossem um detalhe menor?

Os sinais estão claros, mas muitos insistem em não ver: o Brasil está sendo governado por uma cúpula que subestima a gravidade do rombo fiscal, que prefere a retórica ao pragmatismo e que alimenta a ilusão de que é possível sustentar um Estado inchado com uma arrecadação capenga. E toda vez que a realidade bate à porta, o governo corre para cortar gastos que afetam diretamente a população mais vulnerável, enquanto mantém intactos os privilégios da elite burocrática, os repasses bilionários aos amigos ideológicos e as emendas que compram votos no Congresso.

A economia brasileira, infelizmente, voltou a navegar em mares turvos, sob o comando de velhos marinheiros ideológicos com bússolas quebradas. A reforma tributária prometida? Esquecida. A racionalização do gasto público? Substituída por um contingenciamento de emergência, que já se tornou regra, não exceção. O compromisso com o ajuste fiscal? Jogada retórica em discursos cada vez mais vazios. E, diante disso, como não perguntar: até quando?

Estamos diante de um cenário em que a insegurança fiscal virou método de governo. E o preço desse modelo é alto. Desconfiança dos investidores. Fuga de capitais. Dólar em alta. Juros pressionados. E, no fim da linha, a inflação, o desemprego e a estagnação. Tudo aquilo que os governos do PT já deixaram como legado em mandatos anteriores, agora volta a assombrar o país sob novas roupagens — mas com a mesma essência fracassada de sempre.

A gestão Haddad, que se vendia como a “ponte entre a política e a economia”, tornou-se o símbolo da indecisão e da confusão. E o povo brasileiro, mais uma vez, é quem paga a conta — seja pela paralisia do Estado, seja pelo aumento da carga tributária futura que, inevitavelmente, virá. Afinal, o buraco fiscal não desaparece com decretos publicados às pressas, mas sim com responsabilidade, planejamento e coragem para cortar na carne do próprio sistema.

É hora de o Brasil encarar os fatos: não há solução fiscal sem coragem política. E essa coragem não virá de um governo que teme os próprios aliados, que se curva diante de pressões externas e que governa para agradar bolhas ideológicas. O país precisa de liderança, não de retórica. De gestão técnica, não de slogans. De compromisso com a verdade, não de encenações populistas.

O episódio do IOF é mais do que um ajuste fiscal malfeito. É o retrato fiel de um governo sem rumo, que caminha à beira do abismo, vendando os olhos da população com promessas que já não enganam ninguém. E enquanto Fernando Haddad se esforça para parecer técnico, o que vemos é a máscara da competência escorregando a cada nova decisão improvisada.

O Brasil precisa acordar. Precisa reagir. Precisa reencontrar o caminho da responsabilidade fiscal, da previsibilidade institucional e da sobriedade administrativa. E isso não será possível enquanto estivermos sob o comando de quem vê o Orçamento como uma planilha a ser remendada de madrugada, entre um café e um cochilo de gabinete. O futuro do país não pode ser escrito por quem não consegue sequer cumprir o planejamento da véspera.

Com informações Metrópoles

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